Arquivo do mês: julho 2012

Ana Primavesi recebe principal prêmio internacional da agricultura orgânica

*Fonte: Terra de Direitos

Dona Ana Primavesi, uma das pioneiras do movimento orgânico no Brasil, acaba de ser agraciada com uma importante homenagem. A Ifoam (International Federation of Organic Agriculture Movements) vai premiá-la com o One World Award, o mais importante prêmio da agricultura orgânica no mundo. Instituído em 2008, a Ifoam tem dado o One World Award, a cada dois anos, a ativistas da área orgânica em nível mundial.

São pessoas cujo trabalho voltado à agroecologia impacte positivamente a vida de agricultores, sobretudo os mais desfavorecidos. Em 2008, quem ganhou o prêmio foi o veterinário e professor alemão dr. Engelhard Boehncke, por seus trabalhos em relação à criação orgânica de animais e bem-estar animal.

Há dois anos, o ganhador foi o indiano pioneiro em agricultura orgânica sr. Bhaskar H. Salvar, que, logo no início da década de 1950, se contrapôs à Revolução Verde, ensinando agroecologia aos agricultores em contraposição aos agroquímicos. Este ano, nossa querida doutora Ana Primavesi será a agraciada.

Dra. Ana, engenheira agronônoma especializada em solos, foi escolhida pelo grande impulso que deu aos movimentos agroecológicos não só no Brasil, como na América Latina, contribuindo, segundo os organizadores, para moldar um paradigma alternativo à agricultura industrial.

O prêmio é financiado pela Rapunzel, empresa alemã voltada ao processamento e à comercialização de produtos orgânicos, como cereais, chocolates, massas, molhos e frutas secas. A entrega da homenagem será feita na Alemanha, na cidade de Legau, sede da Rapunzel, em noite de gala no dia 14 de setembro. A celebração será testemunhada por mais de mil pessoas da região e do exterior, entre elas a Prêmio Nobel Alternativo da Paz a indiana Vandana Shiva – que esteve recentemente no Brasil, por ocasião da Rio+20.

Dra. Ana, informa sua filha, Carin, participará da entrega pessoalmente. Mas, em sua modéstia, respondeu com a seguinte frase: “Não é nada extraordinário. Simplesmente estão escolhendo uma pessoa de outro continente”. Realmente é muita modéstia da parte de quem fez tanto pelo meio ambiente e pela agroecologia.

Para o professor aposentado da Esalq-USP, Adilson Paschoal, especializado em agroecologia, “não poderia haver notícia mais alvissareira”. “Dra. Ana representa a luta em prol da natureza e de uma agricultura de fundamento ecológico e social acima dos interesses econômicos imediatistas”, disse. “Ela faz jus ao prêmio que receberá, pelo desempenho de décadas de trabalho incansável, de mestra de tanto conhecimento que, moldada pelo sentimento humanitário e de modéstia, sempre se apresentou em grandes e importantes eventos científicos como ‘agricultora’”, destaca o professor Paschoal.

 

 

 

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Assentamentos do Recôncavo Baiano iniciam produção agroecológica

*Por Rafael Rodrigues, do NEPPA/BA

**Fonte: MST

“Precisamos produzir muitos alimentos saudáveis pra vender na cidade e ir colocar uma banca de nossa produção na frente da Monsanto, pra provar que podemos produzir sem agrotóxicos que eles produzem”. Com essa frase, Dona Alvaci, do Assentamento Nova Panema resumiu o desejo de 50 famílias assentadas que, reunidas em um intercâmbio de experiências no Assentamento Recanto da Paz, no município de Mata de São João, iniciaram a implantação do Programa de Formação de Tutores em Agroecologia, uma parceria entre o NEPPA – Núcleo de Estudos e Práticas em Políticas Agrárias – e o MST que irá atender quatro assentamentos do Recôncavo Baiano.

Reunidos neste domingo, dia 29 de Julho, estes assentamentos iniciaram a implantação de sistemas de produção agroecológica em suas áreas. Em um dia recheado de mística, trabalho coletivo e troca de saberes, diversas famílias dos Assentamentos Nova Panema, Bento, Santa Maria e Recanto da Paz, que recebeu o intercâmbio, puderam conversar sobre os desafios da produção nas áreas de Reforma Agrária e a necessidade de combater os agrotóxicos em nossas áreas de produção. Após assistir o filme “O veneno está na mesa”, do cineasta baiano Silvio Tendler, diversos agricultores e agricultoras falaram da importância em combater os venenos agroquímicos.

“Antes de entrar no MST, eu trabalhava em uma fazenda aplicando venenos na lavoura. Um dia eu caí do trator, com intoxicação, e fiquei mais de 40 dias internado. Eu soltava uma espuma verde pela boca e minha mãe achou que eu ia morrer, que não ia mais melhorar”, contou Geraldo, assentado do Recanto da Paz e que hoje é referência na produção de hortaliças orgânicas. “Os índios roçam todo o mato e, ao invés de queimar, juntam e plantam ali mesmo. Eles fazem isso a muito tempo, e sempre funciona. Precisamos aprender mais com eles. Hoje eu junto o resto da capina numa leira e planto minha batata, e nunca precisei usar veneno no meu lote”, disse ao ensinar seus companheiros e companheiras a prática da compostagem.

“Vou aprender a ler, pra ensinar meus camaradas”

A ideia principal do Programa de Formação de Tutores em Agroecologia é instalar sistemas agroecológicos de produção utilizando a Educação Popular como uma ferramenta de extensão rural, contribuindo com a formação de agricultores e agricultoras que possam levar essas técnicas a mais assentamentos, ajudando a difundir a agroecologia como uma política de produção do MST. Cada assentamento atendido pelo programa irá construir coletivamente uma horta agroecológica, uma usina de compostagem, uma unidade de produção de húmus de minhoca e um viveiro florestal com capacidade para 6.000 mudas, a serem utilizadas para a implantação de Sistemas Agroflorestais. Os assentamentos também receberam uma casa de farinha mecanizada e uma agroindústria de beneficiamento de frutas, que será usada de maneira coletiva pelos quatro assentamentos, através de uma cooperativa que se formará até o fim do ano.

Cada etapa de instalação destes sistemas de produção é feita através de oficinas pedagógicas, onde a equipe de Extensionistas Populares do NEPPA busca capacitar as famílias para que elas passem o conhecimento aos outros companheiros e companheiras. “Antes a gente ficava em nossas áreas esquecidos, parecendo coisa velha guardada. Hoje a gente está vindo aqui no Recanto da Paz aprender com os companheiros, e também ensinar umas besteirinhas que estamos aprendendo no Santa Maria”, nos contou Francisco, um dos Agroecólogos Populares que estão em formação.

De camponês para camponês

Sempre trabalhando com a união entre a teoria e a prática, após o debate do filme “O veneno está na mesa” e depois de um almoço feito com produtos agroecológicos da Reforma Agrária, foram feitas algumas práticas agroecológicas que já estão sendo aplicadas nas áreas, e onde as famílias puderam relatar um pouco dos resultados obtidos com a adoção destas práticas. As famílias assentadas do Recanto da Paz apresentaram as técnicas e a utilização do biofertilizante, da compostagem orgânica e da cobertura de solo. Cada técnica foi discutida entre as famílias, que trouxeram os resultados positivos que estão tendo com a adoção destas práticas sustentáveis. Experimentador, Antônio relatou que “Lá no meu lote eu uso em cima e uso em baixo. Misturo com água e boto no pé da planta e também pulverizo o biofertilizante para espantar os insetos. Até agora está funcionando, e acho que vai até melhorar por que a planta ficou mais viçosa depois que eu comecei a usar, e só faz umas duas semanas”.

Após a apresentação destas técnicas, as famílias seguiram para a horta coletiva do Recanto da Paz, que será ampliada com a chegada dos equipamentos de irrigação previstos pelo Programa, que já estão disponíveis para os assentamentos. Uma área de solo degradada foi escolhida pelas famílias do Recanto da Paz para servir de área de experimentação para fazer a recuperação da vida do solo, e todo mundo pode colocar a mão na terra usando o biofertilizante, o composto e a cobertura de solo. “Esse solo não está morto, está apenas desmaiado. Agora vamos dar um bom chá pra ele que ele vai levantar e ajudar a gente a produzir”, brincou Irani, do assentamento Santa Maria.

União Campo e Cidade

O intercâmbio também serviu para aproximar estudantes universitários da Universidade Federal da Bahia, que estão construindo a greve estudantil, às áreas de Reforma Agrária do MST. Estudantes de Psicologia e de Engenharia Ambiental e Sanitária puderam conhecer a realidade da Reforma Agrária e vivenciar de perto as dificuldades que as famílias enfrentam para produzir, num conjuntura em que o agronegócio recebe dez vezes mais recursos que a agricultura familiar. Responsáveis por organizar toda a estrutura do intercâmbio, a equipe de Extensionistas Populares do NEPPA e os estudantes se organizaram em brigadas e dividiram as tarefas entre todos e todas. Marisvaldo, do Assentamento Bento, falou da importância da juventude na luta pela Reforma Agrária. “Vocês são muito importantes em nossa luta, por que tem coisas que nós sabemos e passamos para vocês e tem coisas que vocês sabem e passam pra gente. É isso que vai fazer a Reforma Agrária melhorar”, falou aos estudantes. Para Ana Maria, estudante de Engenharia Ambiental e Sanitária, foi um momento muito especial em sua vida. “Eu cheguei aqui ontem, e o que mais me impressionou foi essa força de vontade, essa garra em estar na terra e querer produzir. Isso me estimula e estudar cada vez mais e a estar aqui, aprendendo com vocês”, disse emocionada.

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Celebra-se hoje o Dia da Mulher Africana

O Dia da Mulher Africana foi instituído a 31 de Julho de 1962, em Dar-Es-Salaam, Tanzânia, por 14 países e oito Movimentos de Libertação Nacional, na Conferência das Mulheres Africanas, quando foi criada organização Panafricana das Mulheres com o objetivo de discutir o papel da mulher na reconstrução da África, no combate à propagação da SIDA – Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA, normalmente em Portugal, ou AIDS, mais comum no Brasil), na educação e na garantia da paz e da democracia.

Este é um dia para que as mulheres na África e em outras partes do mundo percebam o quanto ainda somos discriminadas, e particularmente é um dia especial para as mulheres negras no Brasil. Porque estas são as descendentes de milhões de mulheres africanas que foram sequestradas e reconstruíram um mundo novo nas Américas.

No continente africano sabemos que as mulheres continuam sendo discriminadas e subjulgadas pelo poder masculino. No entanto, estas têm conquistado espaços no mercado de trabalho e de poder. A partir das lutas contra os antigos colonizadores europeus, na segunda metade do século XX, muitas mulheres passaram a exercer funções no mercado, mas com remuneração inferior a do homem.

O ano de 2012 é significativo porque completa meio século de comemoração da data, no entanto, as reivindicações não se modificaram. Essas mulheres buscam respeito, valorização e condições dignas de vida, respeito a sua história. Mulheres guerreiras que lutam por uma sociedade melhor.

Parabéns às mulheres africanas e afrodescendentes!

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Candidata a vice-prefeita, Nise Santos diz que concurso deve ter cotas raciais

A enfermeira Nise Santos começou a militância política no movimento estudantil, que a fez ter contato com os movimentos sociais, o movimento sindical e as correntes partidárias. Disputa, este ano, a primeira eleição defendendo políticas de reparação no serviço público municipal.

Esta é a primeira eleição de que a senhora participa. Como surgiu sua candidatura a vice na chapa de Hamilton?
O convite foi feito ao nosso partido (PSTU). Nós achávamos que, diante da disputa que vai haver entre as duas maiores candidaturas majoritárias, a do PT e a da direita tradicional (ACM Neto), era importante juntarmos todos os partidos de esquerda para ocupar um espaço à esquerda desses dois projetos. Meu nome foi uma escolha coletiva por eu representar o PSTU nos movimentos social e  sindical.

Na convenção do PSOL, o candidato Hamilton Assis brincou dizendo que não lhe conhecia. Vocês foram apresentados naquele dia?
Já nos conhecíamos, sim. Não tínhamos uma aproximação pessoal. Cada um sabia quem era o outro, mesmo porque nossos partidos estão juntos nas lutas cotidianas.

E a questão da discussão sobre a negritude nas vices da chapa de prefeito. Como a senhora está observando?
Acho que a direita tradicional e o PT, os aliados do governo federal, perceberam que em Salvador é impossível fazer qualquer tipo de debate sobre eleições que não perpasse pela questão racial. É um debate para nós muito caro. Existe polêmica com relação a cotas raciais na educação e mercado de trabalho, o estatuto da igualdade racial, sobre a diminuição das iniquidades de saúde sobretudo com políticas específicas para as mulheres negras. Enfim, isso ganhou corpo na sociedade. Nesse sentido, a direita tradicional, que negou isso tendo dirigido a cidade por mais de oito anos e o Estado por 16 anos, surfa com o PT nesse  debate que está posto e colocam nas suas vices negros para se tornarem os “herdeiros” da luta negra, da luta antirracista, coisa que não são.

Suas críticas são dirigidas também para a vice da chapa do PT, a vereadora Olívia Santana, que é reconhecida como uma militante histórica do Movimento Negro?
Reconheço Olívia, não só integrante da história do Movimento Negro, também como alguém de uma classe social diferente do próprio candidato a prefeito da chapa dela e dos outros que estão colocados. Isso não há como negar. Agora o programa que Olívia representa nestas eleições é que, na nossa opinião, é um problema. O programa dela está sendo financiado, hoje, pelo empresariado desta cidade. A candidatura dela é milionária. Temos batido nesse tema do financiamento das candidaturas: quem paga a banda é quem escolhe a música. Os financiamentos de campanha produzem alianças
para os próximos governos. Portanto, o programa que Olívia representa não é fundamentado nas reivindicações do povo negro dos pretos e das pretas desta cidade, é do empresariado, que segue privatizando Salvador.

Mas a senhora já tinha uma militância no Movimento Negro. Essas causas fazem parte do programa do PSTU?
Com certeza. O que estou defendendo aqui é justamente o que prevê o nosso programa. Uma parte mostramos por que os programas das outras candidaturas não defendem as reivindicações do povo negro e outra mostramos que temos saídas. Minha militância começou no movimento estudantil e num momento importante da universidade na Bahia, quando estávamos discutindo o tema das cotas raciais. Meu primeiro ativismo foi dentro da Universidade do Estado da Bahia. Hoje, construo, o movimento “Quilombo Raça e Classe”.

No programa do PSOL/PSTU há políticas de reparação de um eventual governo da chapa como cotas raciais para servidores e exigências que as empresas contratadas pela prefeitura também tenham políticas reparadoras. Não acha temas muito polêmicos para serem implantados?
Todos os temas ligados à reparação racial trouxeram polêmicas para a sociedade brasileira. Em Salvador, é mais polêmico ainda, por ser uma cidade onde existe o “selo” do que chamamos “democracia racial”, como se não houvesse mais racismo e as condições entre negros e brancos, pós Constituição de 1988, tivessem sido igualadas. Mas isso é uma grande mentira e as estatísticas mostram o contrário. Para se ter ideia, a média salarial do negro é três vezes menor que a do branco; 80% da população de negros e mestiços vive nas periferias de Salvador. Enfim, são vários índices sociais que desmentem a “democracia racial”. Por isso achamos que os concursos públicos da prefeitura precisam ter cotas raciais.

Como enfrentar as  candidaturas que têm muitos recursos?
Não aceitamos financiamento do empresariado, pois eles geram, produzem compromissos para a próxima gestão da prefeitura. Os trabalhadores e os movimentos sociais financiam nossa candidatura. Queremos que esses cobrem a fatura da gestão.

No Rio, Caetano Veloso vai fazer um show para o candidato do PSOL a prefeito. Vocês não pretendem pedir o mesmo para Salvador?
Caetano está convidadíssimo, se apoiar o nosso programa, a fazer um show para ajudar a financiar nossa candidatura.

*Fonte: A Tarde

**Por Biaggio Talento e Carol Aquino ***Fotografia Joá Souza

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Chacina da Candelária (RJ) completa 19 anos

Associações de mães e entidades sociais realizaram na noite de ontem (23) uma vigília em memória das vítimas da Chacina da Candelária, ocorrida em 23 de julho de 1993, no centro da capital fluminense. No local, oito meninos em situação de rua foram mortos. Mais de 40 crianças dormiam na praça em frente à Igreja da Candelária quando cinco homens desceram de dois carros e fizeram vários disparos na direção do grupo formado por crianças e adolescentes.

“As mães ficam só com a dor desse filho ou dessa filha que morreu, prematuramente. É uma luta diária, desvalorizada, por serem jovens pobres. A gente não quer falar dos mortos, a gente quer interromper esse processo de falar de morte e pensá-la como um renascimento”, disse Patricia Tolmasquim, do Movimento Candelária, uma das organizadoras da vigília.

Patricia de Oliveira, irmã de um dos sobreviventes, Wagner dos Santos, refugiado na Suíça, chamou a atenção sobre a grande quantidade, hoje, de jovens desaparecidos no Rio de Janeiro, a despeito da diminuição do número de mortos em autos de resistência (mortes cometidas por policiais). Desde 1993 ela participa da organização do ato em memória das vítimas da Chacina da Candelária.

“A gente está sempre marcando espaço, porque como a nossa população esquece muito rápido a gente busca não deixar cair no esquecimento, porque esquecer é permitir. A gente faz a caminhada, hoje é a vigília das mães. É muito importante porque a gente pode trazer o debate para a população”, disse.

O evento de hoje integra uma série de ações para lembrar os mortos e protestar contra a violência que atinge a população pobre no Rio. Na quarta-feira (25), o Conselho Estadual da Criança e do Adolescente (Cedeca) realiza um seminário, às 10h, em sua sede, na Rua da Assembleia, número 5. Também às 10h, mas na sexta-feira (27) ocorre um ato ecumênico. Em seguida, será realizada a Caminhada em Defesa da Vida, a partir da Igreja da Candelária.

Monica Suzano, que teve o filho morto em 2006, aos 20 anos, por policiais militares, uma das organizadoras do Movimento Muleke, de apoio às mães de jovens que estão sob a tutela do Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase), disse que a manifestação é importante para evitar que jovens continuem sendo mortos.

“Se a gente não se mobilizar aqui, muitas outras mães vão perder seus filhos. Só nós, juntas, é que podemos ajudar um ao outro, achar uma solução […]. A gente tenta combater de alguma forma, mostrando a cara. A gente não concorda com isso. Ser pobre e negro não é motivo de ser morto”, disse à Agência Brasil.

*Fonte: Agência Brasil

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Docentes em greve voltam a se reunir com governo nesta terça-feira

*Fonte: ANDES-SN

Depois de ouvirem dos dirigentes sindicais que os docentes das Instituições Federais de Ensino (IFE) rejeitaram por unanimidade e de maneira categórica a proposta do governo, representantes do Ministério do Planejamento e da Educação presentes na reunião desta segunda-feira (23) com as entidades sindicais aceitaram marcar para esta terça-feira (24), uma nova reunião na qual o governo avaliará as críticas e sugestões apresentadas. Ainda nesta segunda-feira, o secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, e o secretário de Ensino Superior do MEC, Amaro Lins, vão se reunir com os ministros Mercadante e Miriam Belchior para debater a questão.
“Eles, os representantes do governo, se mostraram surpresos com o rotundo não que a categoria deu à proposta, mas, ao final da reunião, aceitaram ‘processar’ nas esferas internas do governo os argumentos colocados pelas entidades e ficaram de dar uma resposta amanhã, numa reunião que está pré-agendada para às 10h”, informou a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, ao grupo de professores que acompanhou a reunião do lado de fora do Ministério do Planejamento. Cerca de 100 representantes do CNG do ANDES-SN, do Comando Local de Greve da UnB, do CNG do Sinasefe e do CNG dos Estudantes fizeram vígilia durante toda a reunião, em frente ao bloco C da Esplanada.

Proposta
A reunião, inicialmente marcada para às 14h, começou às 15h50 porque tanto Sérgio Mendonça quanto Amaro Lins estavam em outro encontro com os reitores dos Institutos Federais. Os dirigentes do ANDES-SN foram os primeiros a falar. Na ocasião, foi entregue o posicionamento do CNG/ANDES-SN acerca da proposta apresentada pelo governo (leia aqui).

Além de enumerar os problemas da proposta, o texto aponta um caminho de passos concretos, proposto pelo ANDES-SN, para que as negociações acerca da carreira docente possam avançar.  “Mostramos que a proposta do governo não tinha nenhum avanço e, pelo contrário, era um retrocesso à atual carreira que temos”, disse Marinalva.

Apesar de demorarem a aceitar que a proposta do governo era prejudicial para a categoria, os representantes do Executivo concordaram em avaliar, internamente, até onde é possível ir. Em entrevista dada à imprensa, Amaro Lins adiantou que o governo trabalha com a possibilidade de deixar algumas discussões para depois e pensa, para isso, na criação de grupos de trabalho.

Para a presidente do ANDES-SN, Marinalva Oliveira, a categoria deve continuar mobilizada. “O governo só apresentou uma proposta devido à nossa greve. Demos um não ao que foi apresentado, mas temos de continuar em greve e mobilizados para avançarmos”, avalia.

Nesta segunda-feira, a direção do ANDES-SN também protocolou no Ministério da Educação uma carta com a Pauta de Reivindicações relativas às condições de trabalho e estudo nas IFE.

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Comissão da Verdade investigará crimes cometidos contra índios na ditadura militar

*Por Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

A Comissão Nacional da Verdade também vai investigar os crimes cometidos durante a ditadura militar contra os povos indígenas, com a participação ou a conivência do Estado. “É um tema que está no nosso planejamento. Vamos investigar isso, sim, porque na construção de rodovias há histórias terríveis de violações de direitos indígenas”, ressaltou nesta semana um dos membros da comissão, o diplomata Paulo Sérgio Pinheiro, após encontro com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin.

O Grupo Tortura Nunca Mais vem se articulando com outras entidades, como a Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de São Paulo, para reunir material sobre as violações contra os índios no período da ditadura. Segundo o vice-presidente do grupo, Marcelo Zelic, a política de extermínio promovida pelo regime é evidenciada em documentos públicos, como os que mostram que, na década de 1960, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara dos Deputados para apurar os massacres de indígenas.

“Essa comissão é criada logo após a Comissão de Inquérito do Ministério do Interior ter produzido um relatório de 5.115 páginas.” O documento, de acordo com Zelic, desapareceu depois que o governo baixou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), endurecendo o regime inaugurado pelo golpe de 1964 e aumentando a perseguição política a seus opositores.

“Nesse relatório estavam contidas as denúncias de corrupção no SPI [Serviço de Proteção aos Índios], antigo órgão que cuidava da tutela do índio. E esse relatório continha um estudo realizado pelo procurador-geral da República com os vários casos de violações de direitos humanos contra as populações indígenas”, completa.

Funcionário da Fundação Nacional do Índio (Funai) na década de 1970, o índio potiguar José Humberto do Nascimento, conhecido como Tiuré, foi testemunha de diversas ações dos militares contra os povos tradicionais. “A política indigenista oficial era de extermínio.”

De acordo com Tiuré, esses povos sempre foram tratados com descaso, mas o projeto de desenvolvimento do regime, associado a interesses estrangeiros, intensificou as perseguições. “O índio nunca foi respeitado, desde a época da colonização, mas não existia um extermínio tão sistemático como foi na ditadura.”

Tiuré conta ainda que quando percebeu as violências que eram praticadas contra os povos tradicionais resolveu deixar a Funai e atuar diretamente na defesa dos interesses das comunidades indígenas. Ele diz que esteve no sul do Pará, onde encontrou aldeias que eram exploradas em condições análogas à escravidão na extração da castanha. Segundo Tiuré, alguns militares se beneficiavam diretamente dessa situação.

Poucos anos mais tarde também presenciou os impactos negativos dos grandes projetos de infraestrutura, como a construção da Hidrelétrica de Tucuruí e de estradas que cortavam os territórios índigenas. Como as comunidades resistiram, Tiuré relata que houve confronto, inclusive com a prisão e morte de índios.

“O Exército chegava com a parafernalha militar, com aqueles comboios de jipes, atirando para cima, demonstrando a força que eles tinham. O confronto era direto, porque os índios enfrentaram. Com isso houve prisões, tortura, diversas formas de violações.”

Nessa época, Tiuré diz que voltou para a Paraíba, seu estado natal. Lá participou da resistência dos índios ao avanço da monocultura da cana-de-açúcar sobre as terras indígenas, impulsionada pela iniciativa governamental do Proálcool. “Teve confronto, teve morte. Foi nesse momento que eu fui pego, sequestrado, torturado, colocaram fogo na minha residência”, conta sobre os confrontos contra a polícia e os capangas das usinas.

Por causa de histórias como essas, Marcelo Zelic defende que os índios devem ser ouvidos pela Comissão da Verdade. “Os indígenas precisam participar desse processo, contando o que viveram. Porque essa impunidade vai perdurar. E o mesmo mal que a impunidade causa nas sociedades das cidades, ela causa na aldeia”, ressalta.

 

 

 

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