Arquivo do mês: dezembro 2012

Que 2013 revigore nossos compromissos e sonhos por uma sociedade justa, humana e igualitária!

A partir de hoje, 25, estaremos em recesso. Voltaremos no dia 7 de janeiro. Até breve!

BambuzallA1a

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Seu Mamede, militante do MST, é assassinado no Pará

*Da Página do MST

Assassinato e impunidade no campo. Até quando?

Por volta das 17h de domingo (23), foi assassinado Mamede Gomes de Oliveira, histórico militante do MST do estado do Pará, que tinha 58 anos.

O “seu Mamede” foi morto dentro de seu lote na região metropolitana de Belém, com dois tiros disparados por Luis Henrique Pinheiro, preso logo após o assassinato.

Nascido no Piauí, ele ainda criança foi para Pedreira, no Maranhão, e logo depois veio para o Pará.

Atuou nas Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), no município de Ananindeua, antes de ir para a ocupação da Fazenda Taba em 1999, hoje Assentamento Mártires de Abril. Neste período, se tornou militante do MST.

Grande lutador e defensor da Agroecologia, nunca abandonou a luta. Tinha certeza de como faria a sua ofensiva ao capital e sempre foi um bom dirigente e educador.

Mamede era uma grande referência na prática da Agroecologia e criou o Lote Agroecológico de Produção Orgânica (Lapo), onde desenvolvia experiências de agricultura familiar para comercialização e consumo próprio.

Mamede Gomes de Oliveira não foi apenas mais uma vítima da violência banal, como a grande imprensa do estado está tratando o caso.

O MST exige que o assassinato de “seu Mamede” seja apurado e que este caso não fique impune.

Clique aqui. Seu Mamede apresenta produção agroecológica, em vídeo de julho de 2011.

O vídeo apresenta uma experiência agroecológica no Pará, chamada de Lote Agroecológico de Produção Orgânica (Lapo).

A produção agroecológica transformou uma área de capim e coco em um agro-sistema diversificado, com mais de 80 espécies vegetais.

“A gente tenta diversificar o máximo possível”, afirma o assentado Mamede Oliveira.

Nessa experiência, entre outras coisas, é produzido mel, própolis, coco, banana (11 variedades), açaí, cupuaçu, feijão caubí, macaxeira, mandioca, além da plantação de flores.

“Saúde e agroecologia não pode pra separar. É fato de a gente fazer essa ligação, porque não dá pra separar. Pra agricultura camponesa, é de suma importância, porque faz o diferencial com o agronegócio”, diz o assentado.

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ONU quer combater o racismo no mundo virtual

Combate ao racismo na internet

Relatório do Escritório para os Direitos Humanos afirma que apesar de a internet ser uma ferramenta positiva ela pode ser usada por grupos radicais para espalhar mensagens de ódio e discriminação racial.

*Edgard Júnior, da Rádio ONU em Nova York

As Nações Unidas querem combater o racismo no mundo virtual. De acordo com um relatório da União Internacional das Telecomunicações, UIT, dos 7 bilhões de habitantes do planeta, 2,4 bilhões usam a internet.

Segundo estudo preparado pelo relator especial do Escritório para os Direitos Humanos da ONU, Matuma Ruteere, a internet pode ser usada por grupos radicais para divulgar mensagens de racismo e ódio.

Tecnologia

Ruteere disse que com o avanço tecnológico, os websites extremistas continuam aumentando, não só em tamanho, mas também na capacidade tecnológica.

Segundo o relator, esses grupos usam a internet para provocar violência racial, abusar de minorias e para recrutar novos membros.

Intimidação

Ruteere afirmou que a ONU está preocupada com a intimidação aberta feita por grupos radicais neonazistas pregando violência contra ativistas que combatem o racismo.

O relator reconheceu que é difícil aplicar leis e regulações contra conteúdos ilegais ou inapropriados porque os países têm legislações diferentes para lidar com esse tipo de problema.

Recomendações

O relatório inclui várias recomendações para reduzir a influência de grupos extremistas na internet.

Mas Ruteere alerta que os Estados não devem adotar medidas que possam restringir o direito de liberdade de expressão de qualquer cidadão.

*Fonte: Combate ao Racismo Ambiental

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O capitalismo feliz

Houve quem acreditasse, por décadas, que era possível enriquecer no sistema sem mergulhar em sua lógica. Será verdade?

Por José Luís Fiori | Imagem: Cesare Novi, A vida à margem do rio 

A história do desenvolvimento capitalista dos séculos XIX e XX registra a existência de alguns países com altos níveis de desenvolvimento, riqueza e qualidade de vida, e com baixa propensão nacional expansiva ou imperialista. Como é o caso das ex-colônias britânicas, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, e dos países nórdicos, Suécia, Dinamarca, Noruega e Finlândia. Todos apresentam taxas de crescimento altas, constantes e convergentes, desde 1870, só inferiores à da Argentina, até a 1º Guerra Mundial. Hoje, são economias industrializadas, especializadas e sofisticadas. A Noruega tem a terceira maior renda per capita, e o maior índice IDH (0.943) do mundo; a Austrália tem a quinta renda per capita, e o segundo melhor IDH (0,929); e quase todos têm uma renda média per capita entre 50 e 60 mil dólares anuais. A Noruega é considerada hoje o país mais rico do mundo, em “reservas per capita”, e foi tida pela ONU, em 2009, como “o melhor país do mundo para se viver”. E a Dinamarca já foi classificada – entre 2006 e 2008 – como “o lugar mais feliz do mundo”, e o segundo país mais pacífico da terra, depois da Nova Zelândia, e ao lado da Noruega.

Canadá, Austrália e Nova Zelândia foram colônias de povoamento da Inglaterra, durante o século XIX, e mais tarde transformaram-se em Domínios da Coroa Britânica, até depois da 2º Guerra Mundial. Mas até hoje são nações ou reinos independentes que fazem parte da Commonwealth, e mantêm o monarca inglês como seu chefe de estado. Como colônias e domínios, funcionaram sempre como periferia da economia inglesa, mesmo depois de iniciado seu processo de industrialização, mantendo-se – em média – a participação do capital inglês em até 2/3 da formação bruta de capital destes três países. E todos eles estabeleceram relações análogas com a economia norte-americana, depois do fim da 2ª Guerra.

Neste século e meio de história, o Canadá – como caso exemplar – esteve ao lado da Grã-Bretanha e dos EUA na 1ª e 2ª Guerras Mundiais, além de participar Guerra dos Boers e da Guerra da Coreia e de ser um dos membros fundadores da OTAN, em 1949. Esteve nas Guerras do Golfo, do Iraque, do Afeganistão e da Líbia, e participa diretamente do sistema de defesa aeroespacial norte-americano. E o mesmo aconteceu, em quase todos os casos, com a Austrália e a Nova Zelândia.

Por outro lado, os países nórdicos foram expansivos, e a Suécia em particular, foi um grande império dominante, dentro da Europa, até o século XVIII. Mas depois de sua derrota para a Rússia, em 1720, e de sua submissão dentro da hierarquia de poder europeia, os estados nórdicos transformaram-se em pequenos países, com baixa densidade demográfica e alta dotação de recursos naturais, funcionando como pedaços especializados e cada vez mais sofisticados do sistema produtivo europeu.

A Suécia ficou famosa pelo “sucesso” de suas políticas econômicas anticíclicas ou “keynesianas”, depois de 1929, mas de fato logrou superar os efeitos da crise graças à suas condição de sócia econômica e fornecedora de aço e equipamentos para a máquina de guerra nazista – que também ocupou a Dinamarca e exerceu grande influencia sobre a região, durante toda a 2ª Guerra Mundial. Depois da guerra, a Dinamarca e a Noruega tornaram-se membros da OTAN, e a Dinamarca segue sendo uma passagem estratégica para o controle do mar Báltico. Por sua vez, a Suécia participou das guerras do Kosovo e do Afeganistão e foi fornecedora de armamentos para as forças anglo-saxônicas, na guerra do Iraque. Por último, a Finlândia, que fez parte da Suécia até 1808, e da Rússia até 1917, acabou ocupando um lugar fundamental dentro da Guerra Fria até 1991 – e ocupa uma posição estratégica até hoje, no controle da Bahia da Finlândia e da própria Rússia.

Por tudo isto, apesar de que estes países tenham origens e trajetórias diferentes, é possível identificar algumas coisas que têm em comum:

  1. São pequenos e têm excelente dotação de recursos, alimentares, minerais ou energéticos.
  2. O Canadá e a Austrália têm baixíssima densidade populacional e os outros países equivalem, em população, a menos da metade da cidade do Rio de Janeiro;
  3. Todos ocupam posições decisivas no tabuleiro geopolítico mundial.
  4. E todos especializaram-se em serviços ou setores industriais de alta tecnologia, em alguns casos dentro da industria militar

Alguns diriam que se trata de casos típicos de “desenvolvimento a convite”, mas isto quer dizer tudo e nada ao mesmo tempo. O fundamental é que o sucesso econômico destes países não se explica por si mesmo, porque desde o século XIX, os “domínios” operaram como “fronteiras de expansão” do “território econômico” inglês, e como bases militares e navais do Império Britânico. E os países nórdicos, depois que foram submetidos, transformaram-se em satélites especializados do sistema de produção e do poder expansivo europeu. E hoje, finalmente, todos estes sete países operam como pequenas “dobradiças felizes” da estrutura militar e do poder global dos Estados Unidos.

*José Luís Fiori é professor titular de Economia Política Internacional da UFRJ, é Coordenador do Grupo de Pesquisa do CNPQ/UFRJ, “O poder Global e a Geopolítica do Capitalismo”, www.poderglobal.net. O acervo de seus textos publicados em Outras Palavras, está aqui.

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O Nobel da guerra

*Por José Manuel Pureza – Esquerda.net – Coimbra

A longa paz na Europa não foi garantida pela UE mas, sim, pelo modelo de bem-estar social

Em janeiro de 2003, Durão Barroso assinou com outros sete então líderes europeus – Aznar, Berlusconi, Blair, entre outros – a carta aberta que dividiu a Europa entre os Estados apoiantes do delírio de Bush e Rumsfeld contra o Iraque (a “nova Europa”, chamaram-lhe) e os Estados adeptos de uma posição autônoma e crítica (a “velha Europa”, desdenharam). Que ele tenha recebido o Nobel da Paz em nome da União Europeia mostra como esta distinção é uma piada de mau gosto.

O gesto foi justificado com o discurso do costume: “A UE permitiu à Europa ter o mais longo período de paz da sua História recente”. É verdade que, por referência às duas experiências traumáticas que foram a I e a II Guerras Mundiais, o prolongado silêncio das armas na Europa tem um valor inestimável. Isto dito, a coincidência temporal fica registada mas não explicada. A justificativa do prêmio não justifica nada.

A simples existência da UE como estrutura de integração econômica e política não é suficiente para explicar a paz prolongada na Europa. A paz pela integração dos mercados e pela abdicação de soberania é uma tese frágil. Porque só funciona para explicar a calmaria de quem ganha com a integração e de quem não é demasiado lesado com a perda de soberania. Quem perde não quer essa paz que o esmaga. E é claro que esses são sempre processos com ganhadores e perdedores. Mais ainda: os ganhadores de hoje podem rapidamente tornar-se os perdedores de amanhã.

O que garantiu a longa paz na Europa não foi a UE mas, sim, o modelo social de complemento do salário por serviços públicos e direitos sociais. A paz entre a França e a Alemanha foi muito mais fruto do horizonte de ascensão social comum a ambos os povos do que das reuniões de todos os dias em Bruxelas. Por outras palavras, foi a paz positiva que foi garantidora da paz negativa na Europa nas últimas cinco décadas. A Europa da paz foi a Europa assente num contrato social amplo à escala de cada Estado e numa preocupação com a coesão social e a justiça territorial à escala do conjunto da União. Essa Europa merece ser distinguida pelo seu trabalho em prol de uma paz socialmente sustentada.

Sucede, todavia, que desde 1992 que a Europa abandonou esse modo de ser um projeto de paz. Passou a dar primazia inequívoca à competitividade em detrimento da coesão. Passou a dar primazia ao ser mercado em detrimento do ser união. A arquitetura da União Económica e Monetária, expressão da hegemonia do pensamento neoliberal, repudia o modelo social e a democracia inclusiva em escala europeia em que a paz se alicerçou. Esta mudança é agravada pelo renascimento de uma até agora não revelada polarização moral e política entre “virtuosos” do Norte e “preguiçosos” do Sul e pela imposição de um esquema de governação por diretório com o esvaziamento das instituições formais de decisão.

A UE trocou a paz positiva pela guerra social e tornou-se sua protagonista. A grande maioria dos europeus tem hoje a sua vida refém e não beneficiária da integração. Sobre a ruína dos equilíbrios sociais que alimentaram a paz feita de expectativas positivas para o quotidiano das pessoas está a erguer-se um retorno aos “tempos difíceis” de guerra social e, com eles, o anúncio de horizontes de fragilização muito preocupante da paz mínima, negativa, de silêncio das armas.

Neste contexto, se se desse razão aos que sustentam que a intenção do Comitê Nobel foi afinal a de lembrar aos líderes europeus de turno que a morte da paz-pela-justiça-social será a morte de todas as pazes na Europa e fará morrer a UE, bem se poderá dizer que essa advertência nem cócegas faz aos medíocres líderes europeus do momento. Porque é assumidamente contra essa Europa que eles estão. Chamam-lhe “velha Europa”, como fez Barroso em 2003.

(*) Professor universitário, dirigente do Bloco de Esquerda (Portugal) – Publicado, originalmente, no site Esquerda.net

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Uma terceira intifada palestina no horizonte?

*Por Mel Frykberg, da IPS

Palestino1Um familiar expressa o seu descontentamento diante da casa do adolescente assassinado Mohamad Slaymi. Uma nota na porta diz que ali viveu um mártir. Foto: Mel Frykberg/IPS

Hebron, Palestina – Batalhões da União Nacional, um novo grupo que reúne partidários de todo o espectro político palestiniano, convocou uma terceira intifada (levantamento popular) contra a ocupação, ao mesmo tempo em que a espionagem israelita alerta que estão dadas as condições para isso na Cisjordânia. Os dois pronunciamentos ocorrem após uma série de protestos e confrontos entre soldados de Israel e jovens palestinianos em diferentes localidades da Cisjordânia no final da semana passada, após a morte de Mohammad Salayma, de 17 anos, às mãos de um guarda fronteiriço em Hebron.

Seguidores de Hamas (Movimento de Resistência Islâmica), Fatah, Jihad Islâmica e Frente Popular de Libertação da Palestina anunciaram a criação dos Batalhões da União Nacional (BUN), por intermédio de um vídeo distribuído no mesmo final de semana.

O novo grupo propõe-se consolidar a luta contra Israel. Embora tenha apoiado o reconhecimento pela Organização das Nações Unidas (ONU) da Palestina como membro observador, declarou que lutará para “recuperar toda a Palestina, do Mar Mediterrâneo ao Rio Jordão”. Segundo o vídeo, “este é o começo da terceira intifada palestiniana, que começa no coração de Hebron e se propagará por toda a Palestina”. As duas revoltas populares anteriores aconteceram entre 1987 e 1993 e de 2000 a 2005.

Os membros dos BUN ameaçaram sequestrar soldados de Israel caso as forças militares desse país não suspendam a detenção de cidadãos palestinianos. Também disseram que se o Estado judeu continuar a matar civis com impunidade pagará pela mesma moeda.

As exigências do grupo incluem a eliminação dos postos de controle na Cisjordânia, a libertação de todos os presos palestinos das prisões de Israel, a retirada deste país dos territórios que ocupa e a transferência para a Autoridade Nacional Palestiniana (ANP) da arrecadação de impostos, confiscada pelo Estado judeu desde que melhorou o seu status na ONU. Também reclamam a abertura de todas as passagens fronteiriças e o fornecimento de água e eletricidade à assediada Faixa de Gaza.

A declaração foi difundida no dia 14, um dia após a morte de Salayma, sobre a qual soldados israelitas alegaram que foram ameaçados com uma arma de plástico. Contudo, a família do jovem deu à IPS uma outra versão para o caso. “Duvido que Mohammad tivesse uma arma de plástico. Creio que os israelitas a colocaram depois do disparo”, denunciou à IPS o tio do rapaz, um polícia da ANP. Ele acrescentou que “era o aniversário de Salayma, que saiu para comprar um bolo para comemorar. Para ir à loja tinha que passar por um posto de controle militar, na ida e na volta. Se tivesse a réplica de uma arma, a máquina de raio X tê-la-ia detetado”.

Nasim Salayma, de 22 anos, primo da vítima, afirmou que “era um estudante feliz e inteligente, e representou a equipa Palestina de luta na França. Voltava para casa com o bolo e somos obrigados a acreditar, de repente, que tentou impor-se a um grupo de soldados treinados e fortemente armados? Ele não era estúpido”.

Organizações internacionais defensoras dos direitos humanos, bem como palestinianas e israelitas, registaram ao longo dos anos numerosos casos de palestinianos assassinados por soldados israelitas em circunstâncias extremamente controversas. Do que não resta dúvida é que este último assassinato gerou um profundo mal-estar. Centenas de jovens saíram às ruas de Hebron no dia 13 para expressar o seu descontentamento contra os soldados israelitas, atirando pedras e queimando pneus.

Dezenas deles ficaram feridos, alguns gravemente, atingidos por munições reais e gás lacrimogéneo. Os protestos espalharam-se a outros povoados e outras cidades da Cisjordânia. A IPS testemunhou confrontos em Hebron no dia seguinte, durante uma manifestação de partidários do Hamas que comemoravam o 25º aniversário da criação desse movimento.

Foi a primeira vez em anos que a ANP permitiu ao Hamas organizar uma manifestação na Cisjordânia, no contexto de uma aproximação entre essa organização e o Fatah, principais partidos palestinianos arquirrivais. Os pequenos passos para a unidade foram dados após o fortalecimento político do Hamas, depois do último ataque israelita contra Gaza, de 14 a 21 de novembro, que uniu os palestinos de todas as facções. As forças de segurança dos dois partidos também reduziram drasticamente o número de detenções mútuas.

Essa situação fez com que a imagem do Hamas crescesse na Cisjordânia, somada à próxima transferência por Israel de vários presos dessa organização de Gaza para a Cisjordânia, e pode consolidar mais a sua presença neste território palestino. Outro elemento que pode contribuir para nova insurreição popular é o possível colapso ou a dissolução da ANP pelo facto de o Estado judeu confiscar mais de 1 milhão de dólares de impostos dos palestinianos.

A ANP é a fonte de rendimento de várias centenas de famílias palestinianas, o que faz numerosos especialistas preverem que um desemprego em massa se seguirá à dissolução desta entidade e deixará os palestinos numa situação desesperante. A indignação dos palestinianos aumentou com o recrudescimento de ataques de colonos israelitas e a contínua expropriação das suas terras. Além disso, depois do reconhecimento internacional que significou a melhora de status dentro ONU, cresceu o sonho de um Estado próprio.

Enquanto isso, a Shin Bet, a agência de espionagem interna, observou que o mal estar generalizado nos territórios ocupados pode fomentar o desenvolvimento de um tipo de infraestrutura capaz de incentivar uma terceira intifada, segundo a imprensa israelita.

*Envolverde/IPS

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Natal de Jesus a partir de Dandara

presepio-6*Por frei Gilvander L. Moreira

Com olhos fechados – por estar imerso em uma profunda experiência de amor, ou por estar envolvido em uma grande dor, ou extasiado, ou … -, nos vemos, pois olhamos para o nosso interior, para nosso eu mais profundo.

Com olhos abertos, não nos vemos; ausentes de nós mesmos, vemos o mundo, a partir de onde estão os nossos pés.

Jesus, como criança pobre, nasceu há dois mil anos atrás em uma manjedoura, sem casa e sem terra. Hoje, o Menino de Belém quer nascer de novo, no nosso coração, nas comunidades, nos movimentos sociais populares, nas forças vivas da sociedade. Inútil ir aos shoppings. Lá está papai Noel, que é Herodes, rei opressor. Nos shoppings não está Jesus. Lá estão mercadorias, imagens adoradas pelos vassalos do deus capital, essa máquina voraz que se deleita em moer vidas.

Vamos fazer como os magos do evangelho de Mateus (Mt 2,1-12): seguir a Estrela, indo para fora do Centro, e lá nos morros, nas periferias, nas ocupações urbanas e rurais, debaixo dos viadutos. Aí encontraremos o Deus que se fez humano a partir dos empobrecidos! O Deus que, como mistério de infinito amor, se apaixonou pela humanidade e por toda biodiversidade e, por amor, acampou entre nós. Chegou de mansinho, como criança frágil, a partir dos porões da humanidade.

No Natal celebramos a luz e a força divina irrompendo na humanidade, em Jesus de Nazaré. Jesus se alegrava ao perceber o Reino de Deus irradiando em todos e em tudo. Jesus se mostrou ecumênico, aberto ao outro que dignifica a convivência social. Libertou-se de preconceitos. Não discriminava ninguém.

Conviveu com todos, despertou a beleza e a grandeza existente em nós. Jesus anunciava, pelo seu modo de ser e de agir, basicamente o seguinte: Veja a beleza, a força, a grandeza, a dignidade, o divino existente em você, na comunidade, nos pequenos, nos simples e no universo. Não queira buscar fora o que fervilha em você e em volta de nós. É nas relações humanas, políticas e ecológicas que energia e luz libertadoras se manifestam.

Natal é Deus conosco, nós com Deus e nós com nós. Todas essas três dimensões vivenciadas em uma grande sinfonia. Natal é perceber o divino no humano, é ver a sacralidade em todos e em tudo, observando prioritariamente a partir do elo mais fraco ou enfraquecido. É superar todo e qualquer tipo de dualismo, de reducionismos, de simplificações.

Na Dandara, ocupação que se tornou comunidade, em Belo Horizonte, MG, mil e poucas famílias estão, há 3,8 meses, como a estrela que guiou os magos, brilhando e apontando o caminho para construirmos uma cidade e uma sociedade onde caibam todos os seres vivos em igual dignidade. Na Dandara, pelo segundo ano consecutivo, a comunidade canta o NATAL NA DANDARA – composição de Maria do Rosário de Oliveira Carneiro, melodia de Lapinha na Mata – que diz assim: Continuar lendo

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Pesquisa de gás e petróleo ameaça Terra Indígena do Vale do Javari, no Amazonas

População do Vale do Javari teme que situação ocorrida na década de 80 se repita com a chegada de doenças e lixo, principalmente em indígenas que vivem isolados (Arquivo AC/ Antônio Ximenes)

*Por Elaíze Farias – A Crítica Amazônia

Lideranças indígenas estão cobrando da Funai e da ANP esclarecimentos sobre atividade nas proximidades de sua terra

Lideranças indígenas do Vale do Javari, localizado no Município de Atalaia do Norte (1.138 quilômetros de Manaus) estão preocupadas com os impactos de atividades de prospecção sísmica para identificação e exploração de gás e petróleo na região. Desde abril, a empresa Geo Radar, contratada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), vem realizando os trabalhos na área do Vale do Juruá, no Acre, mas segundo as lideranças do Vale do Javari, a pesquisa atinge o limite de sua terra indígena.

Em nota enviada à Fundação Nacional do Índio (Funai) no último dia 18, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), representante dos povos mayuruna, kanamary, kulina, matís e marubo, cobra a presença da Geo Radar, da ANP e do próprio órgão indigenista no município amazonense de Atalaia do Norte para esclarecer sobre a atividade de prospecção.

De acordo com a Unijava, a pesquisa da Geo Radar vai poluir as nascentes dos rios Itaquaí, Ituí e Jaquirana, afluentes do rio Javari e reduzir o estoque de caça e de pesquisa, sobretudo dos grupos indígenas isolados. “Nossa terra é a nossa vida.  Basta o que enfrentamos com o descaso de doenças que já levou uma terça parte dos nossos povos. Não queremos ficar na história, queremos continuar com a nossa área protegida que faz parte das nossas vidas”, diz trecho da nota.

Doenças e poluição Continuar lendo

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2012: acirram-se os conflitos, face a uma era perdida para os direitos sociais e trabalhistas

Retrospectiva2012a*Correio da Cidadania – Escrito por Valéria Nader, da Redação – Colaborou Gabriel Brito

Mensalão e eleição serão, inegavelmente, marcas registradas do ano de 2012. Daquelas que vêm primeiro à mente ou aparecem de maneira mais imediata ao senso comum. O primeiro, no entanto, passado o momento de arrebatamento inicial, repleto de rompantes e querelas políticas, ficará para a história como mais do mesmo da política nacional, com a sua equalização por baixo a partir do vale-tudo institucional.  E as últimas eleições municipais tampouco serão capazes de se registrarem mais qualificadamente na memória coletiva, vez que, no geral, não chegaram a modificar de modo substancial a atual composição de forças dominantes.

Na economia mundial, a desaceleração voltou a mostrar força retumbante em 2012, mais notadamente no continente europeu, às voltas com as imposições barbarizantes da chamada Troika. Um processo que, ressalte-se, já vem se delineando bem antes da explosão da crise financeira internacional de 2008, e que não chega a ser surpreendente para quem acompanha o desenrolar da vertente econômica dominante – norteada pela satisfação dos interesses do capital financeiro e das grandes corporações internacionais.

Se o Brasil pôde, por um bom tempo, passar relativamente incólume à degringolada do capitalismo mundial, em especial em sua vertente neoliberal, não foi bem assim em 2012. Estaria aqui uma das novidades do ano que finda? Sim, mas somente para aqueles que têm carregado a imagem do Brasil como uma das ‘meninas dos olhos do capital financeiro’ e que se iludem com a noção de que o país ascendeu socialmente, agora que a classe média comporia uma boa parte da população. Aos olhos de quem se atenta para as frágeis bases em que está assentado o modelo econômico interno, fortemente calcado no consumo de supérfluos, no endividamento familiar e, portanto, em uma expansão insustentável do crédito, não há como não antever que, cedo ou tarde, a barbárie vai se instalar em solo pátrio.

Movimentações e protestos mundiais em reação à forte crise externa e, especialmente, às medidas fiscais restritivas e pauperizantes que vêm sendo impostas têm se alastrado por vários países. E no Brasil, não foi diferente. É certo que, neste ano, houve um forte recrudescimento da reação popular aos atropelos dos direitos das populações urbanas vulneráveis e também às agressões aos povos originários. Os movimentos sindicais mais organizados também irromperam na arena política exigindo, dentre outros, a recomposição de rendimentos há longos anos defasados, em função da negligência dos governos com os setores e o funcionalismo público.

Toda esta movimentação é, sem dúvida, indicativa da agudização da percepção das mazelas e contradições no seio da sociedade, e de que possam começar a se mover alguns dos arraigados e retrógrados alicerces sociais. Trata-se, de todo modo, de uma movimentação ainda incipiente, carente de amplitude e organicidade. E tão ou mais essencial que este caráter incipiente, e a ele associada, esta reação tem sido respondida a partir da lógica vigente em nossa economia e sociedade, qual seja, a lógica de governos submissos aos interesses econômicos e financeiros. A repressão e a violência policial têm aparecido, assim, notoriamente como a resposta mais imediata aos grupos que se organizam na defesa de seus interesses.

Com esta visão em mente, o sociólogo do Trabalho e professor do departamento de Sociologia da USP, Ruy Braga, é o nosso entrevistado especial neste final de ano. Seus estudos, assim como seu mais recente livro, ‘A política do Precariado’ – do populismo à hegemonia lulista, são emblemáticos em meio a este cenário, visto lançarem sobre ele um profundo e sensível olhar.

Um dos destacados registros de seu último livro diz respeito ao processo de concessões reais que embasam aquela que é chamada de ‘hegemonia lulista’, basicamente calcada em um consentimento passivo das bases sociais e em um consentimento ativo por parte das direções sindicais. Neste sentido, o sociólogo ressalta que “as condições de vida e inserção da classe trabalhadora nas cidades e locais de trabalho são muito precárias. A despeito do que ocorreu no mercado de consumo, por conta da relativa desconcentração de renda, as condições de vida são muito limitadas, o que não tem mudado significativamente. Em alguns casos tem piorado, e muito. Portanto, temos um aumento de consumo e, ao mesmo tempo, condições de vida e trabalho muito degradantes”.

Leia a seguir a entrevista completa. Continuar lendo

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Nota do GT Combate ao Racismo Ambiental em apoio ao Quilombo do Rio dos Macacos, Bahia

Rio-dos-Macacos-4José Rosalvo de Souza, 48 anos, mostra as inúmeras cápsulas encontradas diariamente pelos quilombolas, residentes na comunidade Rio dos Macacos, ao lado da base naval de Aratu (BA). Segundo eles, os disparos são realizados constantemente, como forma de intimidação

Manifestamos nossa solidariedade e apoio absolutos às mulheres, homens, adultos, crianças, jovens e idosos de  Rio dos Macacos, por entendermos que esta Comunidade Quilombola tem o direito de existir em sua cultura, trabalho, sonhos e afetos. E nada mais óbvio e justo que o façam na sua terra ancestral, por ela cuidada e vivida, apesar de toda a pressão e violências que vem sofrendo pela Marinha do Brasil desde a década de 1960, através de fatos já amplamente publicizados. Frente a essas violências, é dever impreterível do Estado garantir essa existência em dignas condições materiais e imateriais, de participação política e exercício do direito de decidir sobre o território onde constroem suas histórias individuais e coletivas.

No Brasil, o Estado sempre foi um dos principais agentes do genocídio dos povos, o elaborador e executor de políticas de exclusão, de submissão, opressão e extermínio de indígenas e negros. Sabe-se que os aparelhos repressores do Estado sempre estiveram majoritariamente a serviço dos interesses dos poderes dominantes – política, cultural e economicamente. Também não é novidade para ninguém o quanto as populações negras e indígenas foram excluídas e subtratadas na democracia instituída em bases elitistas e racistas que constituem a história deste País.  Porém em diferentes conjunturas políticas a sociedade civil e os movimentos sociais lograram construir pressões e importantes modificações nos caminhos do Estado e no fazer político, tendo o reconhecimento dos direitos humanos como um importante mecanismo de construção de justiça e igualdade. É nesse contexto que emergem os direitos dos quilombolas e indígenas, assim como outras conquistas institucionais antirracistas.

É dentro desse esforço de construção de uma nação efetivamente democrática que os quilombolas de Rio dos Macacos, com todas as dificuldades e em meio a tantas  desigualdades, vêm fazendo sua parte, denunciando as violações que enfrentam e conquistando amplo apoio popular e das instituições. Além disso, estabelecem diálogos com representantes dos diferentes poderes públicos. Nessa luta, lideranças são ameaçadas de morte, mulheres, idosos e crianças são vulnerabilizados, e todos sofrem constantes torturas psicológicas, ante o poder de fogo da Marinha, que quer tomar o território da comunidade em nome de uma suposta segurança nacional, embora aparentemente incapaz de assegurar os direitos de seus concidadãos quilombolas. Será por que são pessoas negras, herdeiras de uma história de violências racistas que o Brasil tanto nega?

É altamente repudiável, que após tantas conquistas, as autoridades brasileiras se mantenham incapazes de resolver questões tão básicas, como  é o caso do direito dos quilombolas de Rio dos Macacos ao seu território ancestral.  Num tempo em que os direitos humanos são peças de políticas públicas, em que as campanhas políticas se baseiam no discurso do bem estar geral, é inadmissível que um Estado que tanto se arvora em construtor do desenvolvimento e responsável pela melhora do País seja incapaz de garantir os direitos de 67 famílias a 301 hectares de terras, que minimamente garantiriam a vida e a reprodução material do Quilombo Rio dos Macacos.

Brasil, 21 de dezembro de 2012.

Integrantes do GT Combate: Continuar lendo

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