Funeral de Thatcher custará 8 milhões de libras aos cofres públicos britânicos

damadeferrograndeO funeral da ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, que morreu na segunda-feira (08/04), aos 87 anos, em decorrência de um AVC (Acidente vascular cerebral) terá um custo calculado em oito milhões de libras esterlinas (aproximadamente 24,2 milhões de reais), de acordo com o jornal britânico Daiy Mail. Todas as despesas serão pagas pelo Estado. Thatcher, também conhecida como “dama de ferro”, comandou o país entre 1979 e 1990 como a primeira mulher a chefiar o governo do Reino Unido, e se tornou um ícone do conservadorismo europeu.

Segundo anúncio do governo britânico, o funeral terá honras militares, que, apesar de não serem oficialmente de Estado, será similar aos da rainha-mãe e da princesa Diana.

A cerimônia será realizada no dia 17 de abril (quarta-feira) na catedral de St.Paul, em Londres. Um dia antes, o caixão com o corpo da ex-primeira-ministra será levado para a capela de Westminster. No dia seguinte, o ataúde será transportado em um carro protegido por militares e, em St.Paul, será recebido por uma guarda de honra. Ao final da cerimônia haverá um enterro privado, reservado para convidados, personalidades políticas e ex-colaboradores.

O evento terá muita pompa e se assemelhará ao da rainha mãe, realizado em 2002, sendo transmitido ao vivo pela televisão e com a presença de personalidades de todo o mundo – incluindo a rainha Elizabeth II. A última vez que a monarca compareceu para o enterro de um chefe de governo foi em 1965, após a morte de Winston Churchill (1940-1945 e 1951-1955).

Familiares de Thatcher e representantes do Palácio de Buckingham fecharam hoje os detalhes de uma cerimônia solene que estará só um degrau abaixo de um funeral de Estado, reservado para os monarcas, mas que pode se estender a outras personalidades com a permissão da rainha e o voto propício do Parlamento.

Em vida, Thatcher já havia rejeitado que se abrisse para ela uma exceção concedida a poucos heróis britânicos, como o almirante Nelson (vencedor na batalha de Trafalgar), o duque de Wellington, que derrotou a Napoleão em Waterloo, além de Churchill, que liderou o Reino Unido durante a II Guerra Mundial.

Apesar de Thatcher, que era reconhecida por sua austeridade, não querer que a câmara dos Comuns debatesse o orçamento de um funeral de Estado, a cerimônia de despedida da ex-primeira-ministra não economizará e terá poucas diferenças em relação a um funeral de maior categoria.

Os jornais britânicos afirmam que Thatcher voltou a dividir o país, já que muitas pessoas saíram às ruas para comemorar sua morte, em razão de discordarem de seu legado e governo, marcado por privatizações, desindustrialização e a supressão de direitos trabalhistas, além da ofensiva britânica na Guerra das Malvinas.

Um aparato policial já está sendo preparado para evitar que manifestantes trabalhistas e de esquerda, membros de associações sindicais ou até mesmo ativistas irlandeses com ligações com o IRA (Exército Republicano Irlandês) tentem atrapalhar a cerimônia.

Privatização

O diretor de cinema britânico Ken Loach, um dos muitos críticos do legado Thatcher, é um dos muitos britânicos que apoiam a sugestão de que seu enterro fosse “privatizado”, ou sja, não tivesse custos públicos, afirmando que a própria ex-premiê teria preferido que fosse dessa maneira. “Lembram-se de que ela chamou (o líder da libertação sul-africana Nelson) Mandela de terrorista e tomou chá (com o ditador chileno Augusto) Pinochet? Por que nós temos de homenageá-la? Coloquem (o funeral) em uma concorrência e quem oferecer o menor orçamento ganha. É tudo o que ela gostaria que fosse”, disse.

Loach também não poupou críticas à “dama de ferro”: “Thatcher foi a mais divisiva e destrutiva primeira-minstra em todos os tempos”, afirmou. “Desemprego em massa, fechamento de fábricas, comunidades destruídas: esse foi seu legado. Ela era uma lutadora e seu inimigo era a classe trabalhadora britânica (…) Suas vitórias foram ajudadas pela corrupção de líderes de sindicatos e do Partido Trabalhista. Foi por causa das políticas iniciadas por ela que nos encontramos nessa bagunça de hoje”.

(*) com agências de notícias internacionais

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