Tupinambá relata incêndio criminoso como retaliação à luta do povo pela terra

Buerarema*Cimi (Conselho Indigenista Missionário)

No último final de semana, na madrugada de sábado [17/8] para domingo [18/9], eu, Potyra Tê Tupinambá, sofri um atentado: atearam fogo em minha residência.

As chamas consumiram parte de minha residência. Foram-se alguns bens materiais, mais eu estou viva, mais fortalecida do que antes. Se queriam me calar meu grito agora ecoa mais alto! Continuarei falando e escrevendo as coisas que acredito e que sejam boas para o meu povo.

Continuarei mostrando ao Mundo as arbitrariedades que se passam aqui em Tupinambá de Olivença e em outros povos também. Continuarei afirmando que os Governos estão a favor das elites, que nosso inimigo maior são as transnacionais, que o Governador da Bahia faz pedidos pessoais ao Ministro da Justiça, que a polícia Federal nos persegue, que o Justiça Federal nos criminaliza e que a Funai é inoperante!

Continuarei ajudando meus parentes em seu despertar de consciência… contra as PECs, contra a PLP 227, contra a Portaria 303. Contra tudo que venha cercear nossos direitos. Continuarei exigindo que se cumpra a OIT 169, para eu sejamos consultados. Que nossos Direitos Humanos sejam respeitados… E U  C O N T I N U A R E I!!!

Estamos aqui no Sul da Bahia em pé de Guerra! A mídia local tem insuflado a sociedade contra nós. Uma mídia comprada que distorce as notícias, que nos trata de supostos índios. Uma mídia comprada. Mais nós também temos a nossa mídia livre e os parceiros que primam pela verdade.

São ameaças vindas de várias partes. Indígenas sendo expulsos de suas áreas tradicionais, escola e posto de saúde prestes a ser demolidos, Deputado que infla a população local contra nós, atentado contra um ônibus escolar, carro da SESAI e da FUNAI queimados, dois assassinados, casas queimadas… tudo isso nos últimos vinte dias.

Vivemos um momento de grande apreensão em nossa área. Nossos anciões estão tristes, nossos corações estão chorando, mas não vamos desistir de lutar por nossos direitos. Nossos direitos são originários, anteriores à formação do Estado de Direito Brasileiro, e isso precisa ser respeitado.

A própria Carta Magna brasileira, em seu artigo 231, reza: “São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”. Hoje estamos chorando e sofrendo, mas sabemos que com fé em nossos encantados e em nosso Pai Tupã teremos nosso Território Tradicional definitivamente em nossas mãos.

AWÊRE!

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