EUA se desgastam ainda mais com a América Latina após bloqueio a Maduro

Repercutiu nas Nações Unidas, nesta sexta-feira, a denúncia do chanceler venezuelano, Elías Jaua

Repercutiu nas Nações Unidas, nesta sexta-feira, a denúncia do chanceler venezuelano, Elías Jaua

*Correio do Brasil

Repercutiu nas Nações Unidas, nesta sexta-feira, a denúncia do chanceler venezuelano, Elías Jaua, feita na véspera, de que os Estados Unidos negaram permissão para que o avião do presidente Nicolás Maduro sobrevoasse o território de Porto Rico neste final de semana. Além do apoio do presidente boliviano, Evo Morales, que foi vítima de um boicote norte-americano enquanto voava pela Europa, outros países latino-americanos estudam um protesto conjunto contra os EUA. Há alguns dias, a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, cancelou visita oficial a Washington, devido à falta de explicações sobre denúncias de espionagem a ela e à estatal do petróleo, Petrobras.

– Denunciamos isso como mais uma agressão do imperialismo contra o governo da República Bolivariana (da Venezuela). Ninguém pode negar o sobrevoo a um avião que transporta um presidente da República em uma viagem de Estado internacional – afirmou Jaua, completando que não há argumentos válidos para a proibição. Maduro viaja à China, para uma visita oficial.

Segundo Jaua, o episódio representa “uma nova agressão, uma nova provocação do imperialismo norte-americano” contra o governo venezuelano, que espera o esclarecimento do caso para definir medidas a serem tomadas.

Durante um encontro com governadores, transmitido pela televisão estatal do país, Maduro se referiu ao caso:

– O governo dos EUA nos nega a permissão de sobrevoo para irmos à China. Bom, eu ordenei que façam alguma coisa, um percurso maior. Mas o governo dos EUA não vai nos impedir de ir à China. O que está acontecendo com os EUA? Por que tanto nervosismo? Por que tanto desespero? – questionou o chefe de Estado. Segundo Jaua, o governo venezuelano espera o esclarecimento do caso para definir as medidas a serem tomadas.

Veto à Assembleia da ONU

O presidente venezuelano também afirmou que os EUA negaram visto ao ministro do despacho da presidência, o major geral Wilmer Barrientos, que participaria de um fórum da Assembleia Geral da ONU.

– Eles querem nos condicionar, que não vão dar o visto para o meu ministro (…) mas nós não estamos indo a Nova York porque queremos, de turistas ou a passeio, estamos indo a um organismo das Nações Unidas, e o governo dos EUA está obrigado a dar visto a toda delegação venezuelana – manifestou.

Maduro disse que pediu a Jaua que “tome as medidas necessárias” e, se necessário, “medidas políticas”.

– Não aceito que os EUA neguem o visto a meus funcionários, se tiver que tomar medidas diplomáticas, tomarei. Os EUA não são donos da ONU – protestou, complementando: “Não podemos permitir que os EUA condicionem o acesso à ONU a nenhum chefe de Estado”.

Apoio da Bolívia

Pouco depois da denúncia do governo venezuelano de que os Estados Unidos teriam proibido a passagem do avião de Nicolás Maduro pelo território de Porto Rico, o presidente da Bolívia, Evo Morales, afirmou que pedirá aos governos da Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América), da América Latina e de outros continentes para que não participem da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que será realizada em Nova York entre 23 e 27 de setembro.

Ele também anunciou que irá apresentar uma queixa em instâncias internacionais para que os EUA e o presidente Barack Obama sejam julgados por delitos contra a humanidade.

– Se é com o Maduro é com todos, que o governo dos EUA saiba. Se se mete com o Maduro, se mete com todos os povos da América Latina. Nós, presidentes anti-capitalistas e anti-imperialistas, não sentimos segurança em território norte-americano – disse o chefe de Estado boliviano em coletiva de imprensa de uma base aérea de Santa Cruz, afirmando que há quatro anos pediu a retirada da sede da ONU dos EUA.

Morales também anunciou que pedirá a convocação de uma reunião de emergência dos presidentes da Celac (Comunidade dos Estados Latino-americanos e do Caribe) para considerar a retirada imediata dos embaixadores dos países do bloco de Washington.

– O que o governo dos EUA faz demonstra novamente uma soberba diante do povo latino-americano e o Caribe e aos povos de todo o mundo. Não se pode permitir que os EUA sigam com políticas de amedrontamento e proibição de voos presidenciais – argumentou.

O próprio Morales foi vítima de proibições de sobrevoo no espaço aéreo de países europeus, no início de julho, devido a suspeitas de que Edward Snowden, ex-técnico da CIA e da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) buscado pelos EUA por revelar documentos secretos, estaria na aeronave.

Segundo o presidente boliviano, ao impedir a passagem do avião de Maduro por Porto Rico, rota de sua viagem à China, Washington viola quatro convenções internacionais: a Declaração Universal dos Direitos Humanos, o Pacto de Direitos Civis e Políticos, a Convenção sobre Missões Especiais ou Diplomáticas e a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas.

– Vamos preparar um processo internacional para que [o presidente dos EUA, Barack] Obama e seu governo sejam julgados por delitos contra a humanidade. Será o melhor instrumento para defender o direito dos Estados – anunciou, expressando que segundo a Convenção de Viena, nenhum país pode proibir a passagem de um avião oficial.

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