Arquivo do mês: outubro 2013

Carta de pedido de apoio para o 3º Congresso do Movimento Sem Teto da Bahia (MSTB)

Companheir@s, amig@s e simpatizantes do MSTB,

Neste ano de 2013, o Movimento Sem Teto da Bahia completa dez anos de luta por moradia e por uma sociedade mais justa. Por todo esse tempo, trabalhadores e trabalhadoras organizados resistem à opressão histórica sofrida, principalmente, contra o povo negro, que impede o acesso à habitação de qualidade e ao conjunto de direitos indispensáveis a uma vida digna. Somam-se a essa luta, o combate à opressão às mulheres e à exclusão do trabalho, que aflige, sobretudo, aos jovens das periferias.  Foram dez anos de ocupações de imóveis abandonados, abrigando-se em lonas improvisadas e em prédios arruinados, suportando a ação policial que não tarda na repressão aos movimentos sociais.

Mas o MSTB resistiu, cresceu e se tornou muito forte. A organização popular baseada na mística da resistência indígena, negra e popular foi a alma deste processo, tendo por base os princípios da autonomia, horizontalidade e independência frente a partidos e governos. Em nossos espaços de atuação, temos como projeto a construção das Comunidades do Bem-Viver, que visa a criação de novos valores e elementos culturais que se contraponham aos valores capitalistas nas ocupações e conjuntos habitacionais que fazem parte do MSTB.

Atualmente são mais de 30 mil famílias cadastradas no Movimento, o que demonstra a força histórica e social que nossa organização tem no Estado da Bahia, bem como a referencia no debate sobre Direito à Moradia e o Direito à Cidade que o MSTB se tornou ao longo desses 10 anos de luta. No dia 30 de novembro, às 15 horas, no Cine-Teatro Plataforma, lançaremos o Vídeo “MSTB: 10 anos de lutas e resistências”, de autoria do cineasta baiano-argentino Carlos Pronzato, que retrata a história do MSTB, e que foi viabilizado com apoio de simpatizantes do Movimento.

Por toda essa história de luta e para seguir em frente, renovando o processo de formação e organização e para debater os caminhos futuros da organização, o MSTB prepara o seu III Congresso com o tema: “Organizando a militância, com fé na luta”, a ser realizado nos dias 28, 29 e 30 de março de 2014, com a previsão 500 delegadas/os. Como o MSTB prima pela qualidade nas discussões, os delegados passarão por um processo de formação política, a envolver o debate sobre o Direito à Cidade, A questão de gênero, raça e juventude, bem como sobre o papel da militância e do trabalho de base, antes da realização do III Congresso.

Por ser um movimento autônomo, que se mantém crítico à atuação de todos os governos quando vão de encontro aos interesses populares, o MSTB não encontra apoio financeiro junto ao Estado ou junto a muitas organizações do movimento social que, infelizmente, sucumbiram aos interesses dos diferentes partidos agora no poder. Diante disto, iniciamos uma campanha em busca de recursos, de modo a viabilizar o trabalho de base prévio e o próprio evento, sem termos que nos curvar à qualquer “exigência” que não sejam os próprios princípio do MSTB.

Para viabilizar o III Congresso, portanto, contamos a solidariedade de tod@s que simpatizam com a luta dos Sem Teto para promover apoio financeiro, por meio de doações a serem depositadas na conta do Centro de Estudos e Ação Social – CEAS (http://ceas.com.br), entidade histórica de assessoria aos Movimentos Populares, que acompanha o MSTB desde 2006 e auxilia na organização do III Congresso. Qualquer quantia auxiliará em nossa jornada.

Os dados bancários para o apoio são os seguintes:

Banco do Brasil
Ag: 3458-4
C/c: 5405-4

Centro de Estudos e Ação Social – CEAS

Para mais informações sobre o MSTB ou sobre o III Congresso, entrar em contato pelo e-mail contatomstb@yahoo.com.br ou pelo facebook: https://www.facebook.com/movimentosemtetodabahia. Em breve estará no ar a página do MSTB na internet: www.mstb.org.br.

Saudações de Luta.

Comissão Organizadora do III Congresso do MSTB

*Edição: Passa Palavra

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Dia 28 é comemorado com luto por servidores federais

materia-forum_spf_210813Por Aisla Vasconcelos – Infonet

Nesta segunda-feira, dia 28, é comemorado o Dia do Servidor Público. Apesar da celebração, servidores federais afirmam ser um dia de luto em prol da valorização da categoria.

Os funcionários públicos reafirmam a luta pelo reconhecimento dos seus direitos enquanto trabalhadores e pelo atendimento público adequado de todos os serviços para toda a população brasileira.

As reivindicações vão desde o Plano de Carreira e Valorização dos Vencimentos dos Servidores Federais; Redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução de salário, realização de concurso público imediato, anulação da reforma da previdência e contra o projeto de Lei 12550/2012  que cria a empresa para gerir os hospitais universitários (EBSERH).

De acordo com a profª Sonia Meire Azevedo de Jesus da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Sergipe (ADUFS), os servidores não tem o que comemorar neste dia. “O ano passado quase todas as categorias entraram em greve, sendo que solicitamos o cumprimento por parte do governo dos acordos feitos que até o momento não estão sendo cumpridos”, diz.

Outra indagação feita pela professora diz respeito ao Plano de Carreira dos Servidores. “O governo não atendeu todo nosso plano de carreira sendo que os que fecharam o acordo no ano passado, estão insatisfeitos com o governo. Outro ponto é o processo de precarização do trabalho. Os servidores estão tendo seus trabalhos precarizados e terceirizando os serviços, ou seja, o dinheiro do servidor está sendo entregue nas mãos das empresas terceirizadas. Não temos acesso  à educação nem a uma saúde de qualidade”, afirma. Neste mês de novembro, os servidores vão realizar atos contra a privatização da saúde.

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Chapada do Apodi: a defesa do território, da agroecologia e da vida

*Fonte: Carta Maior

Mossoró (RN) – A Caravana Agroecológica e Cultural do Apodi começou nesta quarta-feira, dia 23, reunindo mais de 200 pessoas, a maioria agricultores e agricultoras de assentamentos e comunidades da região, incluindo ainda representantes de dezenas de entidades, dos estados da Bahia, Pernambuco, Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte.

Não é um simples intercâmbio de experiências do povo que pratica outro modelo econômico no campo. E que, nesta região, está ameaçado pelo Projeto de Irrigação da Barragem Santa Cruz, que já tem 13 mil hectares desapropriados, onde vivem 800 famílias. A escolha do roteiro da Chapada do Apodi, que expande sua área pelo Ceará, não foi uma escolha técnica.

Mais de 150 famílias de agricultores e agricultoras de comunidades vizinhas aos assentamentos da região já tiveram suas terras desapropriadas pelo DNOCS (Departamento de Obras Contra a Seca), um órgão que iniciou vários processos de irrigação no Nordeste desde a ditadura, e que continua com o mesmo viés autoritário daquela época.

Os representantes das comunidades e de vários assentamentos já organizados e com produção econômica diversificada não foram ouvidos. Ou, se fizeram audiência pública, para discutir a questão, ninguém ficou sabendo. Uma parte da área foi invadida por cerca de mil famílias que formaram o acampamento Edivan Pinto, considerado o maior do MST no país, em solidariedade às comunidades agrícolas da Chapada do Apodi.

Dois anos de seca

A Caravana é uma iniciativa da Articulação Nacional do Semiárido (ASA), da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da Marcha Mundial das Mulheres, do Sindicato dos Agricultores e Agricultoras do Apodi, do MST, da CPT, da CETRA, todas multiplicadas em dezenas de outros grupos agroecológicos e da agricultura familiar, totalmente enraizados na região e em todo o semiárido – uma área que envolve nove estados, além do norte de MG, com uma população de 25 milhões de pessoas, e que sofre há dois anos com uma seca terrível.

Na região de Mossoró choveu apenas 300 milímetros no ano passado, para uma média que já é muito baixa para o semiárido, que é de 600 mm. E com uma escala de desertificação em andamento.

Ao longo dos 250 km que separa Fortaleza de Mossoró, o cenário de centenas de pés de carnaúba queimados é frequente. Uma área que era para estar cheia de água, como comentava o motorista Luciano, há 30 anos percorrendo os sertões do semiárido, agora deixa à mostra a areia quase branca em que se transformou o solo da região.

A Caravana é uma maneira de botar a boca no trombone, denunciar o conflito de dois modelos econômicos completamente antagônicos. Um totalmente concentrador, autoritário, industrial, mas com uma carga venenosa de resíduos deixados na terra e na atmosfera. O outro comunitário, diversificado, onde agricultores e agricultoras trabalham lado a lado, onde a esperança de um mundo melhor é uma causa real, não apenas um sonho distante. Produzir comida, manter a segurança alimentar da comunidade, conviver com as características próprias da região, é uma opção por outro modelo, onde em primeiro lugar está a vida, a cultura e a história das comunidades. Depois o lucro, o aparato tecnológico.

A Força das Mulheres

Foi embaixo dos pés das castanholas, como se diz aqui, no pátio interior do Seminário Santa Terezinha na cidade, que ocorreu o lançamento da Caravana. Com muita música, com os tambores característicos da Marcha Mundial das Mulheres, com a poesia, o repente, o discurso indignado contra o agronegócio. No cerrado, a castanhola é conhecida como sete copas, mas ela é uma castanheira, tem raízes fortes, e na época da seca alimenta as araras.

As raízes dessa árvore traduzem a força desse povo, principalmente das mulheres, que fisicamente estão em maior número. O CETRA foi criado por uma mulher, dona Margarida, assistente social, na década de 1980, quando o marido advogado era o único disposto a defender os trabalhadores rurais.

Muitos morreram na luta pela reforma agrária, como Margarida Alves, da Paraíba, assassinada em 1983. Também Zé Maria Tomé morto com 25 tiros pelas costas no dia 21 de abril de 2010, em Limoeiro do Norte, onde já funciona um projeto de irrigação do DNOCS, com fruticultura empresarial, justamente o modelo oposto dos agricultores e agricultoras da Chapada do Apodi, do lado potiguar.

Desapropriações já começaram

É um projeto que também levará água a algumas cidades – duas adutoras previstas -, mas que tem um custo avaliado em R$240 milhões, sendo que R$5 milhões estão previstos para desapropriações. Também não é para menos, como diz um dos integrantes do Sindicato dos Agricultores e Agricultoras de Apodi, Agnaldo Fernandes. O DNOCS informa que vai desapropriar 157 casas, como se cada casa representasse uma família. Na verdade, uma casa é uma comunidade com 10 famílias. Como é o caso da Comunidade Palmares onde consta como uma desapropriação e vivem na área 30 famílias. Sem contar o custo de R$700 por hectare pago como indenização.

Entretanto, não é apenas isso que está em jogo. As comunidades e os trabalhadores assentados não querem outro modelo convivendo no mesmo território. Não estão interessados em fruticultura industrial, porque praticam uma agroecologia totalmente diversificada, com feijão, milho, várias frutas, caprinos, ovinos, bovinos, viveiros de peixes, artesanato, comercialização em rede de economia solidária. Não querem o aparato do agronegócio, com seus venenos tecnológicos e sementes transgênicas.

No olho do furacão

Como disse na abertura Carlos Eduardo Leite, da executiva da ANA e trabalhando há mais de 20 anos na região de Juazeiro (BA): “assim como o povo foi para as ruas nas cidades, nós estamos vindo para o olho do furacão, para a zona de confronto, como no Apodi, para ressaltar as experiências e as vivências dos agricultores e agricultoras da região e mostrar que existe outro modelo, existe uma alternativa para fazer frente ao agronegócio”.

Nesta semana também se iniciou a Caravana Agroecológica e Cultural da Amazônia, saiu de barco no dia 22 de Santarém (PA), onde a Cargill instalou um armazém com capacidade de estocar 1,2 milhão de toneladas de soja.

No próximo mês será a vez da Caravana do Sul, iniciando por Porto Alegre, passando por Florianópolis e terminando em Curitiba, onde oito agricultores continuam presos acusados de desviar verba do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Mas será uma caravana temática, porque no Sul funcionam as redes de comercialização de produtos ecológicos. A ideia é mostrar trabalho e conflitos em todos os biomas brasileiros, acumulando uma rede de experiências, articulações de milhares de agricultores e praticantes da agroecologia, na sua maioria, componentes da agricultura familiar, será divulgada no III Encontro Nacional de Agroecologia, que acontecerá em Juazeiro entre os dias 26 a 29 de maio de 2014, no campus da Universidade Federal do Vale do São Francisco. As centenas de entidades ligadas a esse trabalho resolveram ampliar o leque de apoio ao movimento, incluindo outros segmentos da sociedade civil, das áreas da economia solidária, saúde pública coletiva e segurança alimentar.

O povo rural continua comemorando a vitória do lançamento do Plano Nacional da Agroecologia e Produção Orgânica, realizado pela presidenta Dilma Rousseff no dia 17 último. E outro fato muito importante: o convênio assinado entre a ASA e o BNDES no valor de R$ 90 milhões para a multiplicações de tecnologia agroecológicas, formação de pessoas, gestão de recursos, ampliação dos bancos de sementes crioulas, no programa chamado “Uma terra – duas águas”. Não é recurso de mercado, é a título de desenvolvimento social mesmo, sem reembolso.

Na quinta, dia 23, sigo pela rota Romana Barros para conhecer algumas experiências, entre elas a rede Xique-Xique. À noite, todos se encontrarão em Apodi, para na sexta-feira à tarde visitar o acampamento Edivan Pinto, que já está sob a ameaça da decisão judicial de reintegração de posse. No sábado, a Caravana encerra com um ato público que inicia na feira livre da cidade pela manhã, contra o Projeto de Irrigação da Barragem Santa Cruz, definido pelos apodienses como o “Projeto da Morte”.

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Absolvição de acusados da morte do sindicalista Dezinho é prêmio para grileiros e pistoleiros

Grilagem_terrasCPT Pará, Fetagri e SDDH divulgam Nota em que repudiam a absolvição dos mandantes do assassinato do sindicalista Dezinho, em 2000, em julgamento realizado ontem, 24, na capital paraense. Segundo a Nota “A absolvição dos acusados do assassinato de Dezinho é motivo de comemoração para todos aqueles que vivem da prática criminosa da grilagem de terras públicas, da pistolagem, do trabalho escravo e dos crimes ambientais na Amazônia”. Confira o documento na íntegra:

Treze anos após o assassinato do Sindicalista José Dutra da Costa, o Dezinho, em Rondon do Pará, dois acusados pelo crime (o fazendeiro Lourival de Sousa Costa e seu empregado Domício de Sousa Neto) foram absolvidos pelo tribunal do júri, na noite de ontem, na capital Belém.  Os jurados, por maioria, entenderam que não havia provas suficientes para a condenação dos acusados.

As investigações que resultaram na inclusão de Lourival e Domício no processo foram marcadas pelo descaso da polícia civil e pelas ações equivocadas de alguns promotores que atuaram no Ministério Público de Rondon do Pará. Logo após o crime, a polícia chegou aos nomes de Lourival e Domício através de testemunhas que afirmaram em depoimento terem visto o fazendeiro rondando a casa do sindicalista em companhia de um desconhecido e indicando a este a residência onde morava Dezinho. Uma testemunha confirmou também que a arma usada para assassinar o sindicalista pertencia a Domício, gerente da fazenda de Lourival. A razão pela qual Lourival e outros fazendeiros de Rondon queriam a morte de Dezinho, foi devido a seu apoio aos trabalhadores rurais que reivindicavam terras públicas para assentamento de reforma agrária, ocupadas ilegalmente por fazendeiros de Rondon, entre eles Lourival.

A polícia iniciou as investigações que apontavam para a participação dos dois acusados, mas abandonou o inquérito sem aprofundar ou concluir o processo investigatório. O inquérito passou 6 anos na gaveta, quando a promotora Margarete Puga, resolveu movimentá-lo. Mas, equivocadamente, ao invés de requerer o prosseguimento das investigações, o que fez foi requerer o arquivamento das investigações contra Lourival e aditou a denúncia contra Domício.  Seis meses após, a promotora Lucinery Helena, que substituiu Margarete, decidiu, sem requer qualquer investigação complementar, desarquivar o inquérito e oferecer denuncia contra o fazendeiro Lourival. Decidiu ainda requerer a absolvição do mandante principal do crime, o fazendeiro Décio José Barroso Nunes. No ano seguinte o então juiz de Rondon do Pará, Haroldo Fonseca, decidiu pela absolvição dos dois fazendeiro (Lourival e Décio)  e pela absolvição de Domício. Em recurso para o Tribunal contra a decisão do juiz de Rondon o parecer do procurador de justiça no recurso foi pela absolvição de Lourival e Domício.  Mesmo frente a toda essa trapalhada do MP o TJPA decidiu cassar a decisão do juiz de Rondon e encaminhar os dois acusados para o tribunal do Juri.

O descaso da polícia em investigar e a atuação questionável de representantes do MP favoreceu decisivamente os acusados no julgamento de ontem, resultando na absolvição dos dois. Infelizmente, esse caso é um exemplo do que vem ocorrendo em muitos processos que apuram a responsabilidade por assassinatos no campo no Estado do Pará. Quando os acusado não são favorecidos pela ausência total de investigação, acabam sendo beneficiado pelo desinteresse do poder público em punir todos os culpados, principalmente, quando estes, detém alto poder econômico e influência política nos seus municípios. Todos os acusados pelo assassinato de Dezinho seguem impunes, os únicos a perderem sua liberdade são os familiares do sindicalista que continuam sendo ameaçados e vivendo sob proteção da polícia.

A absolvição dos acusados do assassinato de Dezinho é motivo de comemoração para todos aqueles que vivem da prática criminosa da grilagem de terras públicas, da pistolagem, do trabalho escravo e dos crimes ambientais na Amazônia. Por outro lado, provoca o aumento da insegurança de todos os que lutam pela defesa da vida, pelo acesso à terra, pela defesa da floresta e dos territórios das populações amazônicas.

Belém 25 de outubro de 2013.

Federação dos Trabalhadores na Agricultura – FETAGRI Pará.
Comissão Pastoral da Terra CPT – Pará.
Sociedade Paraense de Direitos Humanos – SDDH.

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Na Bahia, atingidos impedem audiência sobre desmatamento

MABbahia

*Por Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB)

Nesta quarta-feira (23) estava prevista para ocorrer, às 09 horas da manhã, uma audiência pública convocada pelo Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado da Bahia (INEMA), junto com o grupo Mizote, ligado a grandes empresários chineses. O objetivo era divulgar um projeto que pretende desmatar uma área de aproximadamente 25 mil hectares de cerrado, no município de Correntina, na Bahia. O rio Santo Antônio e rio do Meio seriam atingidos, e indiretamente todos os rios da bacia do rio Corrente, que deságuam no Rio São Francisco.

Mas uma vez, a força do povo organizado nos movimentos sociais, nas pastorais, igrejas, associações e outras entidades presentes, somando um total de 800 pessoas, mostraram-se contrárias ao projeto. O evento convocado pelo governo foi desmobilizado e, além disso, foi realizada uma audiência popular entre os manifestantes.

O coordenador estadual do Movimento dos Atingidos por Barragens, Temoteo, ressaltou a importância da organização para enfrentar os interesses das empresas na região. ‘’Estamos mostrando, com essa mobilização justa, para essas empresas que não vamos aceitar mais desrespeito aqui na região, e que vamos unificar cada vez mais nossas lutas contra esses projetos de morte que vem querendo destruir todas nossas riquezas naturais. E para isso, sabemos que só com a luta organizada e com muito trabalho de base vamos conseguir ser respeitado e ter nossos direitos reconhecidos’’, afirmou.

Houve ainda a tentativa de retomar a audiência, mas o protesto continuou mobilizado até que governo e empresas desistissem da atividade.

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Petróleo: a história se repete

Leilao-de-Libra*Por Heitor Scalambrini Costa

Naqueles anos, de triste recordação para o povo brasileiro, mal assumiu o governo, Fernando Henrique Cardoso (FHC) enviou ao Congresso um projeto de emenda constitucional que visava acabar com o monopólio da Petrobras sobre a exploração e produção de petróleo.

Em 3 maio de 2013 completou 18 anos da histórica e heróica greve de 32 dias dos petroleiros, que em plena era FHC, foi fundamental como movimento de resistência para impedir a privatização da Petrobras (ou PetroBrax como se chamaria). Naquele ano de 1985 foi autorizado pelo presidente da República que o Exército com tanques, metralhadoras e militares ocupassem as refinarias e reprimissem os trabalhador@s.

A Federação Única dos Petroleiros (FUP), que liderou este movimento, acabou despertando um movimento nacional de solidariedade resultando no grito único de que “somos todos petroleiros”. Um alto preço foi pago, resultando na demissão de muitos trabalhador@s, e de multas astronômicas para os sindicatos ligados a FUP. Com toda repressão a luta valeu a pena, e a Petrobrás não foi totalmente privatizada.

Agora, novamente, os petroleiros mostram o caminho em uma greve contra o leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos – a primeira licitação de área do pré-sal. Libra não é um mero campo, é um reservatório totalmente conhecido, delimitado e estimado em seu potencial de reservas em barris. Ou seja, esta área não é um bloco aonde a empresa petrolífera irá “procurar petróleo”. Constitui na maior reserva comprovada de petróleo brasileiro no pré-sal, descoberto pela Petrobrás em 2010, e uma das maiores descobertas mundiais dos últimos 20 anos, possuindo entre 12 e 14 bilhões de barris de petróleo (equivalente a dois terços das atuais reservas brasileiras).

No dia 17, a presidente Dilma Rousseff assinou um decreto que autoriza o envio, além das tropas do Exército, homens da Força Nacional de Segurança, da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) para garantir (?) a realização do leilão da área de Libra, que ocorrerá nesta segunda-feira (21) no Windsor Barra Hotel, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. O Ministério da Defesa coordenará as ações com apoio do Ministério da Justiça, em uma operação denominada de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e será executada pelo Comando Militar do Leste, que contará com mais de 1.100 homens. Não está descartada a possibilidade de reforço da Marinha e até da Aeronáutica.

Mais uma vez a presidente Dilma decidiu imitar FHC, pois além de privatizar o petróleo, chama o exército contra aqueles que denunciam o entreguismo, como o tucano fez em 1995. Além disso, alimenta a judicialização e a criminalização por parte da mídia. Sem dúvida ficará para a história pelo uso do exército, contra os manifestantes que defendem os interesses nacionais.

Contra os leilões do petróleo e pela soberania nacional. O petróleo é nosso.

*Heitor Scalambrini Costa é professor da Universidade Federal de Pernambuco.

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A longa resistência da Favela do Moinho

131022-moinho

Acossados por incêndios, incursões violentas da política e tentativas de dividi-los, moradores resistem a planos da prefeitura e governo estadual para entregar seu terreno à especulação

*Por Sabrina Duran e Fabrício Muriana, no Repórter Brasil

A Favela do Moinho está sob disputa acirrada desde que Gilberto Kassab (PSD) assumiu a prefeitura de São Paulo, em 2006. Naquele ano, o então prefeito José Serra (PSDB) abandonou a administração municipal para disputar as eleições ao governo do Estado. Kassab, seu vice e afilhado político, assumiu a cadeira e, em 2007, como primeira medida de disputa pela área onde está a Favela do Moinho, entrou com uma ação para comprar o terreno pertencente a dois particulares. Essa ação de compra geraria, automaticamente, a desapropriação da comunidade, que teria de sair dali.

Desde então, os moradores viram a disputa judicial tornar ainda mais difícil sua permanência na área. Uma permanência marcada por esgoto a céu aberto, por falta de água encanada, de energia elétrica e de pavimentação, por violência policial e pela total omissão do poder público.

Em 2011 e 2012, últimos dois anos do segundo mandato de Kassab, a Favela do Moinho sofreu dois grandes incêndios, que eliminaram mais de um terço dos barracos da comunidade e deixaram mortos, feridos e milhares de desabrigados.

No ano passado, quando ainda era candidato ao governo municipal, o atual prefeito Fernando Haddad (PT) visitou o Moinho e fez uma promessa aos seus moradores: se eleito, resolveria a questão fundiária da comunidade e reurbanizaria a favela, concretizando o desejo da maioria de permanecer ali. A promessa foi gravada em vídeo e veiculada em TV aberta (veja a parte 3 desta reportagem) como propaganda de campanha.

No cargo, porém, Haddad deu continuidade aos planos de seu antecessor de erradicar a Favela do Moinho.

Nos últimos meses, tanto o governo municipal quanto o governo estadual de Geraldo Alckmin (PSDB) vêm tornando a vida dos moradores especialmente difícil, seja com incursões ostensivas da PM e da Guarda Civil na comunidade, seja com o descumprimento do compromisso de realizar saneamento básico na área ou com o oferecimento, pela prefeitura, de bolsa-aluguel para quem está na favela se mudar de lá, numa tentativa, segundo moradores e movimentos de moradia, de esvaziar a comunidade e minguar a resistência local.

Em reportagem de maio de 2013 feita pela “Agência Pública” sobre o Moinho, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Habitação afirmou: a administração Haddad pretende erradicar a favela.

A questão é: por que Haddad está empenhado em eliminar a favela que prometeu regularizar e reurbanizar? Por que ele está disposto a assumir o ônus político e moral do descumprimento de uma promessa tão estratégica? Quais os interesses por trás da sua decisão? Quais os planos para a área da favela que não incluem as pessoas que vivem ali?

Após mais de dois meses de apuração, o Arquitetura da Gentrificação chegou a algumas respostas (parte 9 deste texto). Acompanhe agora esta “reportagem-linha do tempo” contando a história da Favela do Moinho, os desafios que a comunidade vem enfrentando e quem está interessado naquele pedaço de terra que, de acordo com pesquisas, é o terceiro bairro, de uma lista com 140, com maior índice de valorização dos preços dos imóveis entre 2008 e 2011: 182%. O texto está dividido em 15 partes, recheadas de documentos, mapas, vídeos e entrevistas em áudio. Use o índice abaixo para navegar nesta megareportagem.

1. Há quase três décadas
2. Os incêndios
3. Haddad e a promessa de regularizar o Moinho
4. Primeiro grande ato da comunidade
5. Novas promessas
6. A derrubada do muro
7. Começa o silêncio do poder público
8. Aumentam as incursões da polícia
9. PPP, CPTM e Secretarias
10. CPTM primeiro
11. Esconde-esconde da PPP
12. Mapeamento e clareza
13. Ou vai ou racha. Racha
14. Arco Tietê: sai o Moinho, entra o mercado
15. Novo laudo, nova aposta

1. Há quase três décadas
Cravada entre duas linhas de trem da Companhia Paulista de Trens Paulistanos (CPTM) e no coração da cidade, o Moinho é a última favela do centro da capital paulista. Sua história começou há cerca de 25 anos, com a ocupação do terreno sob o viaduto Engenheiro Orlando Murgel, onde ficava o antigo Moinho Matarazzo, que lhe rendeu o nome.

Favela do Moinho: erguida entre duas linhas de trem da CPTM. Na ponta à extrema direita da favela ainda se vê o edifício que foi demolido após o primeiro grande incêndio (2011). Foto/Google Maps

Favela do Moinho: erguida entre duas linhas de trem da CPTM. Na ponta à extrema direita da favela ainda se vê o edifício que foi demolido após o primeiro grande incêndio (2011). Clique na imagem para navegar pelo mapa. Imagem: Google Maps Continuar lendo

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