Arquivo do mês: abril 2014

Copa do Mundo institui o novo estado de guerra

O governo brasileiro pratica uma escalada de barbaridades para assegurar o lucro privado da FIFA e de seus patrocinadores. Advinha quem vai pagar a conta...

O governo brasileiro pratica uma escalada de barbaridades para assegurar o lucro privado da FIFA e de seus patrocinadores. Advinha quem vai pagar a conta…

*Por Hamilton Octavio de Souza – Correio da Cidadania

No futuro, quando uma Comissão da Verdade e da Justiça apurar todos os crimes praticados pelo governo brasileiro para impor ao país a realização da Copa do Mundo de Futebol de 2014, nos moldes exigidos pela FIFA, as autoridades atuais terão de explicar por que ordenaram o despejo de tantas famílias de suas casas, desviaram dinheiro público para evento privado, espezinharam o direito de livre manifestação e colocaram as Forças Armadas em funções policiais – para intimidar os moradores de bairros, comunidades e favelas do Rio de Janeiro e de outras cidades do Brasil.

Os presidentes da República, os ministros da Justiça, Defesa e de Esportes, entre outros, e os comandantes militares serão chamados a esclarecer por que feriram os artigos 142 e 144 da Constituição, que tratam, respectivamente, das atribuições das Forças Armadas e da Segurança Pública, sendo que aquelas “destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”, enquanto que a segurança pública “é exercida para a preservação da ordem pública e incolumidade das pessoas e do patrimônio”, através da polícia federal, polícia rodoviária federal, polícia ferroviária federal, polícias civis e polícias militares e corpos de bombeiros militares.

Desde quando os moradores das comunidades cariocas ou de outras cidades representaram uma ameaça à Pátria, aos poderes constitucionais, à lei e à ordem? Desde quando esses cidadãos e cidadãs foram considerados subversivos ou outra categoria de inimigos internos para serem patrulhados diretamente pelas Forças Armadas? Desde quando governos constituídos sob a denominação do Estado Democrático de Direito se valem de medidas previstas na antiga Lei de Segurança Nacional aprovada pela Ditadura Militar originada no golpe de 1964?

Os dirigentes da República precisam justificar por que criaram no país um verdadeiro Estado de Guerra contra todos os tipos de manifestações democráticas e contra as populações dos bairros mais carentes e desprovidos de serviços públicos. Afinal, por que utilizaram o aparato policial e militar, das três forças – Exército, Marinha e Aeronáutica -, para, de um lado, intimidar o povo, e, de outro, assegurar que uma elite econômica e um contingente de turistas possam desfrutar do campeonato de futebol sem o menor vestígio das mazelas que atormentam cotidianamente a maioria da população?

Muito provavelmente eles serão inquiridos pela futura Comissão da Verdade e da Justiça a dizer se os protestos populares relativos à Copa do Mundo teriam acontecido se o megaevento do capital tivesse ficado restrito ao âmbito exclusivo da iniciativa privada, se não tivesse carreado recursos públicos escassos para atividades prioritárias do Estado, como saúde, educação, moradia, transportes etc.

Certamente precisarão expor, em detalhes, por que vislumbraram utilizar a Copa de 2014 como trunfo político com fins eleitorais, explorando o sentimento popular para fazer uma exaltação ufanista de um sistema econômico que causa a desigualdade e a exclusão. Tal procedimento não reproduz a mesma lógica do governo Médici em relação à Copa de 1970, quando se procurou fundir a euforia esportiva com o regime ditatorial? Isso já não foi amplamente condenado pelo povo brasileiro junto com outras barbaridades e violências praticadas pela Ditadura? Continuar lendo

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Otro grito popular de cambio: Foro Social Urbano Alternativo y Popular

Outro grito popular de mudança: Fórum Social Urbano Alternativo e Popular

Outro grito popular de mudança: Fórum Social Urbano Alternativo e Popular

*Por Delegação de Paz FARC-EP

Havana, Cuba, sede dos diálogos de paz, 10 de abril de 2014

Terminou ontem o Fórum Social Urbano Alternativo e Popular na cidade de Medellín e nele convergiram, novamente, vozes de muitos dos setores marginalizados que clamam com as reivindicações de sempre, as transformações estruturais que encaminhem a um país diferente, sem as injustiças que hoje colocam à margem da vida política e econômica milhões de compatriotas, que o liberalismo e a mesquinhez das oligarquias submetem à miséria e à desigualdade.

O Fórum Urbano surgiu com o mesmo espírito corajoso da Cúpula Agrária, porém agora com vozes que nascem das selvas de cimento e dos subúrbios, que como cinturões de miséria rodeiam as grandes cidades, acumulando imensas necessidades em serviços básicos, saúde, habitação, educação, recreação e emprego entre outros males.

São nestes lugares onde mais se concentram os problemas de ordem social. Problemas que, como uma bomba de tempo, ameaçam detonar e fazer saltar em mil pedaços as fundações arruinadas de um sistema antidemocrático, em que reina a tirania de um punhado de ladrões que, há décadas, se dedicam a saquear o país e a entregá-lo em fatias às transnacionais.

Este Fórum tem sido a caixa de ressonância das inconformidades que começam a romper os estreitos limites impostos pelo bloco do poder dominante, os ricos de nosso país, à participação cidadã da pobreza, frente às decisões que devem ser tomadas para orientar o país a uma nova fase de justiça social e paz. Continuar lendo

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Coronel Malhães: Arquivo morto ou queima de arquivo?

Documento indica que Coronel Malhães foi vítima de ataque cardíaco

Documento indica que Coronel Malhães foi vítima de ataque cardíaco

*Agência Brasil (EBC)

A guia de sepultamento do coronel da reserva Paulo Malhães sugere como causa de sua morte um ataque cardíaco. No documento, que é emitido para possibilitar o enterro da vítima, a causa mortis é descrita como “edema pulmonar, isquemia do miocárdio, miocardiopatia hipertrófica, evolução de estado mórbido [doença]”.

AtestadoMalhãesO corpo do militar Paulo Malhães, que admitiu a prática de tortura durante a ditadura militar, foi enterrado na tarde de hoje (26), no Cemitério Municipal de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Ele morreu ontem (25), quando três homens invadiram sua residência, onde também estavam sua esposa e um caseiro, no interior do município. Do local, foram levadas diversas armas que Malhães colecionava.

No cemitério, parentes evitaram falar com a imprensa. “A gente enterrou hoje o pai, o esposo, o avô das meninas. O coronel, o tirano, é para vocês. Para gente, ficou só o pai. O coronel da ditadura não era este que a gente conhecia”, disse a filha do militar, que se identificou apenas como Carla.

O genro do coronel da reserva, Nelson Viana, disse que a família não tinha ideia do que realmente teria acontecido na casa do militar. “Dizem que foi um assalto. Nós não temos hipótese.” Perguntado se Malhães sofria algum tipo de ameaça, Viana negou. “Ele nunca falou nada e a gente sempre respeitou isso. Nem antes, nem depois [do depoimento à Comissão Nacional da Verdade]. Ele sempre foi uma pessoa super reservada. Nunca comentou nada e a gente até foi surpreendido pelas entrevistas.”

Em depoimento à comissão, há um mês, o coronel Malhães foi o primeiro militar a admitir prática de tortura, assassinatos e ocultação de cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar, tendo inclusive falado sobre o destino do corpo do deputado Rubens Paiva, morto pelos militares em 1971, mas até hoje não localizado, que teria sido jogado ao mar.

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Tortura a indígenas durante ditadura será tema de audiência em MG

Comissão de Direitos Humanos debaterá violações históricas e desafios da atualidade, evento será na segunda (28)

Comissão de Direitos Humanos debaterá violações históricas e desafios da atualidade, evento será na segunda (28)

*Assembleia Legislativa de Minas Gerais

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) vai debater, em audiência pública, na próxima segunda-feira (28/4/14), as torturas, assassinatos e perseguições contra os povos indígenas durante a ditadura militar no Brasil. A reunião, requerida pelo presidente da comissão, deputado Durval Ângelo (PT), será no Auditório, a partir das 14 horas.

A audiência é um desdobramento do Ciclo de Debates Resistir Sempre, Ditadura Nunca Mais, e colocará em discussão, entre outras questões, as violações aos direitos humanos desses povos e os desafios da atualidade. “A comissão vai promover uma audiência pública a cada mês para lembrar o golpe. É preciso apurar os crimes cometidos durante o regime e resgatar a nossa história para que ela não seja esquecida e nem repetida”, pondera o parlamentar.

De acordo com denúncias, os índios também teriam sido vítimas de torturas durante a ditadura, inclusive com a criação de uma Guarda Rural Indígena (Grin) responsável por ações de policiamento nas tribos.

O filme “Arara””, recuperado por estudiosos, exemplifica isso. Nas imagens, que permaneceram ignoradas durante 42 anos – porque os agentes da repressão desconheciam o seu teor, é mostrada a formatura de uma turma da Grin. Em uma das cenas, um homem é carregado num simulacro de um pau de arara.

Convidados – O evento tem como convidados o procurador regional da República de Direitos do Cidadão do Ministério Público Federal, Edmundo Antônio Dias Netto Junior; o representante da Comissão da Verdade em Minas Gerais, Alberto Betinho Duarte; o vice-presidente do Grupo Tortura Nunca Mais e coordenador do Projeto Armazém da Memória de São Paulo, Marcelo Richard Zelic; o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) / Regional Leste, Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, e a representante da Comissão Nacional da Verdade e coordenadora do Grupo de Trabalho que apura graves violações de direitos humanos no campo ou contra indígenas, Maria Rita Kehl.

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Deputados retiram “promoção da igualdade” de Plano Nacional de Educação (PNE)

Plano que define metas para 2020 deve ter votação em maio. A erradicação do analfabetismo é uma das principais metas incluídas no PNE

Plano que define metas para 2020 deve ter votação em maio. A erradicação do analfabetismo é uma das principais metas incluídas no PNE

*Por Pedro Rafael Vilela – Brasil de Fato (DF)

O projeto de lei (PL 8035/10) que define as metas para a educação brasileira até 2020 deve ser aprovado em maio. Nesta semana, duas reuniões tumultuadas na Câmara dos Deputados discutiram os pontos polêmicos do Plano Nacional de Educação (PNE). Um deles se refere à “superação das desigualdades educacionais, com ênfase na promoção da igualdade racial, regional, de gênero e de orientação sexual”. Esse trecho foi excluído da versão do projeto após pressão da bancada parlamentar religiosa na Comissão Especial que analisa o assunto.

Para a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes), o resultado geral do PNE foi vitorioso, mas a eliminação desse trecho é um retrocesso. “Não houve o reconhecimento de que existem sim preconceitos potentes como racismo e homofobia nas escolas”, avalia Bárbara Melo, presidenta da entidade estudantil.

Orçamento

Outro ponto polêmico foi a destinação dos 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para o orçamento da educação, que consta como meta do plano. Um grupo de deputados queria retirar dessa conta o financiamento de programas como o ProUni, que dá bolsas a estudantes de baixa renda em universidades privadas, e o Fies, que concede empréstimo para custeio de faculdade. No entanto, a comissão manteve esses programas na soma de recursos a serem destinados à educação.

“O que foi aprovado não chega a 7,5% do PIB para a educação pública porque uma grande parte é para o setor privado. É transferência de recurso público para o setor privado”, afirmou o deputado Ivan Valente (PSOL-SP). Já o deputado Alex Canziani (PTB-PR) defendeu o outro lado. “Quando falamos em educação, a gente não precisa dizer se é pública ou privada, é educação. Por isso que nós concluímos que os 10% para a educação pública também podem ser utilizados para programas importantes como Fies, o Pronatec e o ProUni”, argumentou.

Analfabetismo

A erradicação do analfabetismo é uma das principais metas incluídas no PNE. O Brasil possui 13 milhões de pessoas com mais de 15 anos que não sabem ler e escrever, algo em torno de 8,7% do total da população acima dessa faixa etária.

Outra meta fundamental do projeto prevê a universalização da educação infantil (crianças de 4 e 5 anos), ensino fundamental (6 a 14 anos) e médio (15 a 17 anos). Todas as metas devem ser alcançadas até 2020. Para ser aprovado, o PNE ainda passará por mais uma audiência da Comissão Especial no próximo dia 6 de maio. Em seguida, poderá ir a plenário.

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RJ: Polícia ataca manifestantes após enterro do jovem DG

*Jornal A Nova Democracia

Na tarde da última quinta-feira, o jovem Douglas Rafael foi enterrado no cemitério São João Batista, zona sul do Rio. Ele foi mortos a tiros no Morro do Cantagalo entre a noite do dia 21 e a manhã do dia 22 de abril. Moradores acusaram PMs da UPP pelos assassinatos. A mãe de Douglas, a técnica em enfermagem Maria de Fátima questionou a presença ostensiva da Tropa de Choque da PM no enterro de seu filho.

Na noite do dia 22, moradores também protestaram e foram respondidos com tiros de munição letal. Até então, somente o jovem Douglas, conhecido como DG, havia sido morto. Na repressão ao protesto, Edilson foi baleado na barriga e morreu a caminho do Hospital Miguel Couto. Dessa vez, apesar da chuva e do clima de revolta, o protesto seguiu pacífico até o Cantagalo, quando PMs da UPP, rechaçados pelas massas, atacaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo.

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Coronel da ditadura que confessou crimes é morto no Rio

Malhães1

*Douglas Corrêa – Agência Brasil

O coronel reformado do Exército, Paulo Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto na manhã desta sexta-feira (25) em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher e o caseiro, e procuraram armas. Durante a ação dos criminosos, o militar foi morto. O corpo do coronel Malhães está no Instituto Médico Legal de Nova Iguaçu, onde será determinada a causa da morte.

Ex-agente do Centro de Informações do Exército, o militar prestou depoimento no dia 25 do mês passado na Comissão Nacional da Verdade, quando admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar. No depoimento, ele disse não se arrepender de nada e contou como funcionava a Casa da Morte, em Petrópolis, na região serrana, centro clandestino de torturas, onde teriam sido assassinadas 20  pessoas.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a morte precisa ser investigada com rigor, porque o coronel reformado foi agente importante da repressão política e detentor de muitas informações sobre a ditadura.

Assista a depoimento que o coronel Malhães prestou à Comissão Nacional da Verdade

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Senado aprova Marco Civil da Internet e texto segue para sanção presidencial

MarcoCivilInternet*Mariana Jungmann – Agência Brasil

O plenário do Senado aprovou hoje (22), por votação simbólica, o Projeto de Lei do Marco Civil da Internet. Após momentos de embate entre governistas e oposicionistas, a redação final da matéria foi aprovada sem alterações pela unanimidade dos senadores presentes. O texto segue agora para sanção da presidenta Dilma Rousseff.

Um dos principais pontos do projeto a proteção da  neutralidade de rede está no Artigo 9º, que garante tratamento isonômico para qualquer pacote de dados, sem que o acesso ao conteúdo dependa do valor pago. A regra determina tratamento igual para todos os conteúdos que trafegam na internet. Assim, os provedores ficam proibidos de discriminar usuários conforme os serviços ou conteúdos que eles acessam – cobrando mais, por exemplo, de quem acessa vídeos ou aplicações de compartilhamento de arquivos.

Outro ponto da proposta garante o direito dos usuários à privacidade , especialmente à inviolabilidade e ao sigilo das comunicações pela internet. O texto determina que as empresas desenvolvam mecanismos para garantir, por exemplo, que os e-mails só serão lidos pelos emissores e pelos destinatários da mensagem, nos moldes do que já é previsto para as tradicionais cartas de papel.

O projeto também assegura proteção a dados pessoais e registros de conexão e coloca na ilegalidade a cooperação das empresas de internet com órgãos de informação estrangeiros. O objetivo é evitar casos de espionagem como o escândalo que envolveu a NSA, agência norte-americana de informações.

O Artigo 19, que limita à Justiça a decisão sobre a retirada de conteúdos, também está entre os principais pontos do projeto. Atualmente, vários provedores tiram do ar textos, imagens e vídeos de páginas que hospedam, a partir de simples notificações.

Os senadores oposicionistas reclamaram da votação antecipada da matéria. Eles queriam discutir mais o assunto e chegaram a apresentar emendas que foram rejeitadas em plenário. No fim, entretanto, votaram a favor do texto final e comemoraram a aprovação do novo marco regulatório. “Infelizmente, o rolo compressor [do governo] prevaleceu. Mas o novo marco da internet é, sem dúvida, um avanço porque mantém a neutralidade da rede, que é uma vitória de toda a sociedade”, disse o senador e presidente nacional do PSDB, Aécio Neves (MG).

O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), disse que o Brasil dará exemplo ao mundo no que se refere à regulação das relações na internet e ressaltou que a maioria dos países ainda não têm leis tão “maduras” quanto a que foi aprovada no Congresso brasileiro. Ele confirmou que a presidenta Dilma Rousseff deverá apresentar a nova legislação no evento internacional sobre o assunto, NetMundial, que começa amanhã (23), em São Paulo. “O encontro internacional será premiado com a grande legislação que o Brasil oferecerá para o mundo amanhã”, disse o senador.

Braga admitiu que o texto ainda deverá passar por ajustes, que serão tratados em uma medida provisória no futuro. Ela deverá abordar os artigos 10 e 13, especialmente no que se refere a quais autoridades terão permissão de acesso a dados pessoais dos usuários de internet.

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Com mandados de prisão, Polícia Federal tenta impedir ida de Babau Tupinambá ao Vaticano

Cacique Babau está desde o ano passado encurralado e já sofreu ameaças de morte

Cacique Babau está desde o ano passado encurralado e já sofreu ameaças de morte

*Por Renato Santana – Cimi

Menos de 24 horas depois de receber um passaporte para viajar ao Vaticano e se encontrar, durante celebração, com o papa Francisco, a convite da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Rosivaldo Ferreira da Silva, o cacique Babau Tupinambá, da Bahia, está sendo impedido pela Polícia Federal (PF) de sair do país por conta de três mandados de prisão. Porém, as ordens judiciais estão arquivadas desde 2010. A PF diz que tais mandados não estão revogados.

Para a liderança indígena, o governo federal, por intermédio de sua polícia, tenta impedir o encontro dele com o papa Francisco. “O governo não quer que eu denuncie o que vem acontecendo com os povos indígenas no Brasil. A Polícia Federal não sabe que os três mandados foram arquivados e nem processo existe? Claro que sabe! O governo sabe disso!”, protesta cacique Babau.

Outro mandado de prisão teria sido expedido contra Babau nesta quinta. De acordo com informações extra-oficiais, obtidas junto a PF, em Brasília, a Polícia Civil do município de Una (BA) pediu apoio aos agentes federais na Capital Federal para efetuar a prisão de Babau. Este suposto mandado de prisão, emitido pela Justiça Estadual de Una, pede a prisão temporária do cacique. Porém, não há confirmação no sistema judicial dessa ordem e a que processo ela se refere.

Coincidência ou não este mandado acontece exatamente na ocasião da viagem de Babau ao Vaticano, que nada tem de turismo, e junto com o impedimento gerado pela PF. Na tarde desta quarta, 16, o passaporte de Babau foi emitido por um agente de imigração da PF no aeroporto de Brasília. Representantes da Funai e do Cimi acompanharam a liderança indígena. Conforme o agente, nada estava pendente e sem mais questionamentos emitiu o documento para o cacique.

Entretanto, depois da liberação do documento, a opinião da PF mudou. De acordo com mensagem da Coordenação-geral da Polícia de Imigração ao agente, em resposta ao encaminhamento do passaporte, “não identificamos, até a presente data, documento que informe a baixa/revogação destes (três) mandados de prisão”.

Os três mandados federais, então, serviram de justificativa para a Polícia Federal pedir de volta, na manhã desta quinta, 17, o passaporte entregue menos de 24 horas antes sem qualquer restrição dos próprios federais. O aviso era de que se a situação não fosse regularizada até o início da tarde, com a revogação dos mandados, o passaporte estaria suspenso. Caso cacique Babau não entregasse o documento e tentasse embarcar para Roma, seria preso no aeroporto.

“Querem me impedir de todas as formas de ir para o encontro com o Papa. É uma rede contra a demarcação das terras Tupinambá, contra os indígenas. Não querem que denunciemos ao mundo o que se passa aqui. Isso não é democracia, é ditadura. Como pode se instalar um estado de exceção assim, sem mais nem menos?”, questiona cacique Babau.

Convite da Igreja

A ida de Babau ao Vaticano é parte de um convite feito pela CNBB para que o cacique participe de uma celebração relativa à canonização do padre José Anchieta. Na oportunidade, o Babau levaria ao papa documentos e mensagens sobre a questão indígena no Brasil, denunciando violações de direitos humanos e a paralisação da demarcação de terras.

O cacique levaria também em sua mala presentes ao papa oriundos da Serra do Padeiro, uma das mais de 20 aldeias que compõem a Terra Indígena Tupinambá de Olivença, que espera a assinatura da portaria declaratória pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, desde 2011.

Histórico de violências

O histórico recente de violências por parte do Estado contra os Tupinambá é vasto, tanto quanto de fazendeiros e pistoleiros. De prisões arbitrárias, abuso de força policial, torturas, destruição de casas, veículos comunitários, alimentos e equipamento escolar a lista de acusações contra o Estado parece interminável.

Foi assim que a Polícia Federal impôs sistematicamente, por ordem de decisões judiciais ou outras motivações nem tão claras para os indígenas, pressão aos Tupinambá para que deixassem as áreas retomadas. As ações recaíram principalmente contra o cacique Babau e seus familiares.

A seguir, uma lista cronológica e atualizada das violências sofridas pelos Tupinambá nos últimos seis anos – tanto da PF quanto de pistoleiros e fazendeiros: Continuar lendo

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Educação de pior qualidade e maior evasão entre os negros e hispânicos nos EUA

A ONU denuncia que a discriminação racial se dá de forma constante em todas as esferas da sociedade dos EUA

A ONU denuncia que a discriminação racial se dá de forma constante em todas as esferas da sociedade dos EUA

*Reportagem de Joan Faus e publicada pelo jornal El País

“Definitivamente continua sendo um fator essencial”. Ayana, uma jovem negra de 18 anos que estuda Ciências Políticas na Universidade de Howard em Washington DC, nasceu 41 anos depois da sentença do Supremo Tribunal que proibiu a segregação racial no âmbito educacional nos EUA. Mas, em pleno 2014, quando se comemora o 60º aniversário dessa sentença definitiva e 50 anos da aprovação da Lei de Direitos Civis, ela lamenta que ainda sejam bem patentes na educação os efeitos da discriminação pela cor da pele. E não só aí. Em março, o Comitê de Direitos Humanos da ONU denunciou que, apesar dos progressos alcançados, “na prática”, a discriminação ocorre hoje em dia de forma constante em todas as esferas da sociedade norte-americana.

Meio século depois do fim da vergonhosa segregação, o racismo é muito mais residual nos EUA e aumentaram as oportunidades e o acesso de afrodescendentes a cargos de responsabilidade — basta lembrar da chegada de Barack Obama à Casa Branca –, mas as desigualdades socioeconômicas entre brancos e negros aumentaram, o que entranhou uma discriminação mais sutil, porém ainda mais determinante.

A educação, como etapa inicial da vida, é sem dúvida o degrau mais definitivo. As estatísticas revelam que, apesar de ter se expandido o acesso à formação, os estudantes negros e latinos continuam em desvantagem com relação aos brancos em fatores que determinam seu desenvolvimento educacional. E, em consequência, condicionam enormemente suas oportunidades de progresso ao longo da vida: é mais provável que recebam um ensino de pior qualidade, que sejam mais castigados e que abandonem os estudos. E por isso, gozam de menos chances do que os brancos de ter acesse a universidade e menos ainda às de maior prestígio.

Ayana, de fato, diz ter notado o peso racial sobretudo nos processos de seleção para as universidades. Naquelas frequentadas majoritariamente por estudantes brancos, como Georgetown e Maryland, não foi aceita, mas foi em Howard, que é por excelência o templo educativo afro-americano nos EUA. A jovem atribui o fato às quotas por raça que as instituições mais prestigiadas fixam e lamenta que o processo não se baseie unicamente nas qualificações acadêmicas. “Fica muito mais difícil”, se queixa nas portas da sua faculdade.

As cifras lhe dão razão. Segundo um relatório de 2013, apenas 7% dos estudantes de primeiro ano nas melhores 468 universidades eram negros, em comparação com 75% de brancos. Em consequência, a proporção de alunos pertencentes às minorias era muito maior nas universidades com menos reputação. “Mais negros e hispânicos estão indo para a universidade, mas numa proporção menor do que os brancos e com grandes diferenças no tipo de instituições”, diz por telefone Joseph Yeado, analista da Education Trust, uma organização em defesa da igualdade educativa. Continuar lendo

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