Desocupação de prédio no Rio tem conflito, violência e prisões

DesocupaRJ4*Rede Brasil Atual

Situação ocorreu na região do Engenho Novo e Jacaré, onde moradores que ocupavam prédio da OI afirmam que foram agredidos pela PM, que agiu com 1.600 homens

Lúcia Helena Santana, 61 anos, recorreu à ocupação para fugir do aluguel. “Não tinha onde morar, porque não tinha mais dinheiro para pagar aluguel”, conta. Ela é apenas uma das milhares de pessoas que vivem a tensa situação na região do Engenho Novo e Jacaré, zona norte do Rio de Janeiro, onde policiais militares cumprem hoje (11) a reintegração de posse, determinada pela Justiça, de um edifício da empresa Telemar – controladora do grupo Oi, ocupado por 2 mil moradores há 11 dias, segundo a PM, que realizou a ação com 1.600 homens.

Após uma das lideranças dos manifestantes ser presa, o confronto se acirrou e os policiais usaram bombas de efeito moral e gás lacrimogênio para controlar a situação. Um repórter do jornal O Globo foi detido e demais jornalistas que fazem a cobertura foram agredidos fisicamente e verbalmente por policiais.

O Batalhão de Choque da Polícia Militar está concluindo o processo de desocupação do prédio da OI, no Engenho Novo, na zona norte da cidade. Poucas pessoas ainda permanecem no prédio. O policiamento conta com reforço do Batalhão de Choque, Guarda Municipal e três helicópteros, além de uma retroescavadeira, utilizada para desobstruir a rua.

Manifestantes atearam fogo a um carro da PM e também em um ônibus e feriram três policiais com pedradas. Tentaram incendiar um micro-ônibus da Companhia de Limpeza Urbana (Comlurb), estacionado na rua Álvaro Seixas, no Largo do Jacaré. Homens da tropa de Choque da PM usam balas de borracha para tentar afastar os manifestantes.  Um carro de uma emissora de televisão também foi parcialmente destruído a pedradas.

Com auxílio de uma escada Magirus, os bombeiros conseguiram controlar o fogo ateado ao prédio pelos moradores. No interior do prédio, que fica na  rua 2 de Maio e está abandonado há mais de dez anos, homens do Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar (Bope), estão usando retroescavadeiras para destruir os barracos feitos pelos invasores com tábuas de compensado. A Rio Ônibus, que representa o sindicato patronal, confirma que um ônibus da Linha 629 (Saenz Peña/Irajá) foi totalmente destruído. Outro foi incendiado na rua Vigilante Serafim, no Engenho Novo, a poucos metros do prédio da Oi.

Muitos dos que conseguiram sair do local  se mantêm na calçada em frente ao edifício, com os pertences que conseguiram levar. É o caso do desempregado Reginaldo Pereira, de 31 anos, que resolveu participar da  ocupação com a mulher e o filho de  1 ano, porque não conseguia pagar o aluguel  no Jacarezinho. “Chegaram às 4h e jogaram gás de pimenta nos olhos de todo mundo sem termos oferecido nenhuma resistência.”

Humalira Ribeiro, de 25 anos, veio de Jardim Gramacho, em Duque de Caxias, onde morava em uma casa com quatro irmãs. “Todas elas têm filhos, imagina como era difícil viver lá.”

Dezenas de moradores que deixaram o prédio da Oi estão fazendo um ato pacífico, gritando: “Queremos residência”. Mais cedo, houve tumulto na entrada da Favela do Jacarezinho, onde manifestantes jogaram pedras nos militares e atearam fogo a entulho deixado no meio da rua. Os policiais militares, lotados na Unidade de Polícia Pacificadora do Jacarezinho, recorreram a bombas de gás lacrimogêneo, além de disparar tiros de pistola para o alto a fim de dispersar os manifestantes.

Há tensão também na entrada da favela do Jacarezinho, onde policiais da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) tiveram que dispersar manifestantes, no acesso pela rua Álvares de Azeveo, com bombas de gás lacrimogêneo e spray de pimenta. De acordo com o tenente P. Norberto, da UPP do Jacaré, o policiamento foi reforçado e os militares fazem a guarda com fuzis, pistolas e escudos.

Um Centro Integrado de Educação Pública (Ciep), instalado na rua Álvares de Azevedo, foi atingido a pedradas. O acesso à rua foi bloqueado por manifestantes que fecharam a pista com pedaços de paus, pedras e pneus. Os militares estão tentando liberar a pista. Agora há pouco, uma equipe de policiais do 3º Batalhão da PM chegou à rua Álvaro Seixas e disparou tiros para o alto para tentar controlar manifestantes que atiram pedras contra os militares.

Em nota, o governo do estado do Rio informa que cumpre ordem judicial expedida pela juíza da 6ª Vara Cível da Comarca Regional do Méier, Maria Aparecida Silveira de Abreu, que deferiu liminar para reintegração de posse do imóvel. A Polícia Militar realiza a operação de apoio aos 40 oficiais de Justiça que cumprem o mandato.

Entre os feridos, crianças

O Corpo de Bombeiros socorreu sete pessoas durante a desocupação. Entre os atendidos, três eram menores: uma adolescente de 13 anos, uma criança de 9 e um bebê de 6 meses.

Três adultos foram encaminhados para a Unidade de Pronto-Atendimento do Engenho Novo, bairro onde fica o prédio desocupado. A adolescente foi levada para o Hospital Salgado Filho, no Méier, bairro vizinho. Três foram liberados no local.

Cinco policiais também se feriram no confronto e três foram levados para o mesmo hospital. Os outros dois foram para o Hospital Central da Polícia Militar, no Estácio.

Cerca de 80 homens de 16 quartéis do Corpo de Bombeiros atuaram combatendo focos de incêndio durante o confronto. Além de conter as chamas no próprio prédio, que foi incendiado no momento da reintegração, os militares também tiveram que apagar as chamas ateadas a quatro ônibus, um carro e dois caminhões nos arredores do terreno.

*Com informações da Agência Brasil

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