Arquivo do mês: maio 2014

Lançamento do Relatório “Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2006-2012)”

Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária, Campanha Reaja ou Será Morta, Reaja ou Será Morto, Associação dos Advogados dos Trabalhadores Rurais (AATR)  e Justiça Global convidam para o lançamento do Relatório “Na Linha de Frente: Defensores de Direitos Humanos no Brasil (2006-2012)”, a ser realizado no próximo dia 3 de junho, terça-feira, às 9 horas, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil-BA, Rua Portão da Piedade, nº 16 (Antiga Praça Teixeira de Freitas), Barris, Salvador (BA).

O relatório produzido pela Justiça Global é a terceira publicação sobre a situação dos/as defensores/as de direitos humanos no Brasil e, nessa edição, aborda o processo histórico de criminalização contra os/as defensores/as de direitos humanos e movimentos sociais, e a sua efetivação concreta na atualidade. Analisa o conceito de criminalização e indica de que modo essas ações, que envolvem o Estado e grupos particulares, processam-se no atualmente. Identifica também quais são as principais características dessas práticas e seu modus operandi.

A publicação traz casos emblemáticos de violações, perseguição e criminalização enfrentadas por indivíduos e grupos em vários estados. Na Bahia, além da criminalização e ataques ao Povo Tupinambá, o relatório aborda a perseguição e ataques a integrantes da Quilombo Xis e Campanha Reaja, a diversas comunidades quilombolas e ao Movimento Sem Teto da Bahia.

O lançamento contará com a presença da Anistia Internacional que estará apresentando ao governo do estado a campanha de cartas e petições que promoveu em favor do defensor de direitos humanos Jorge Lazaro, que teve dois filhos assassinados em comunidades pobres da Bahia. A vida de Lázaro tem sido a busca por justiça, proteção e apoio para sua família, que vive em situação precária.

Também estarão presentes vários outros defensores de direitos humanos que falarão de suas lutas, ameaças, criminalização e resistências.

Data: 03 de junho, terça-feira, às 9h
Local: Auditório da Ordem dos Advogados do Brasil/BA, Rua Portão da Piedade, nº 16 (Antiga Praça Teixeira de Freitas)
Informações – Justiça Global: (21) 98212 1095

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Ano Internacional da Agricultura Familiar é destaque na Expoagrifam em Feira de Santana (BA)

AnoInternAgricFamiliarA cidade de Feira de Santana vai sediar no período de 5 a 8 de junho, a 2ª Exposição Estadual da Agricultura Familiar (Expoagrifam), considerado o maior evento da agricultura familiar da Bahia. A exposição, que acontece na Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), tem o objetivo de contribuir para o desenvolvimento sustentável da agricultura familiar por meio da comercialização, difusão de experiências e tecnologias sociais, com ênfase na segurança alimentar.  A expectativa é que 10 mil pessoas visitem a exposição.

Este ano, a Expoagrifam tem uma motivação especial: 2014 é o Ano Internacional da Agricultura Familiar, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU). Para celebrar esta conquista, será realizado um ato público na abertura da Expoagrifam, o dia 5 de junho, às 16 horas, na Uefs.

A programação inclui festival e concurso de culinária nordestina, Prêmio Bahia, rodada de negócios, seminários, além de exposição, máquinas e equipamentos adaptados às atividades da agricultura familiar. O público também participa do 2º Festival da Cultura da Bahia com apresentações de samba de roda, quadrilhas e shows de grupos culturais de Feira de Santana.

A Expoagrifam traz, ainda, 120 expositores dos 27 Territórios de Identidade da Bahia. No local serão comercializados produtos in natura, processados e artesanais, originários da agricultura familiar, reforma agrária, economia solidária e quilombola.

O evento é promovido pela Federação Nacional e Estadual dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários (Unisol), Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (IRPAA) e a Cooperativa de Assessoria Técnica e Educacional para o Desenvolvimento da Agricultura Familiar (Cootraf).

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Após aprovação, PEC do Trabalho Escravo já corre risco de resultar em retrocesso

Embora tenha sido um grande avanço, depois de 15 anos de tramitação, muita gente entende que ainda não há o que comemorar. A questão só pode ser dada como vitoriosa, mesmo, depois da aprovação da lei que regulamenta a PEC

Embora tenha sido um grande avanço, depois de 15 anos de tramitação, muita gente entende que ainda não há o que comemorar. A questão só pode ser dada como vitoriosa, mesmo, depois da aprovação da lei que regulamenta a PEC

*Por Diego Sartorato, Gisele Brito e Hylda Cavalcanti – Rede Brasil Atual

A aprovação pelo Senado da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Trabalho Escravo, que decidiu pela expropriação de propriedades rurais e urbanas de empregadores culpados de utilização de trabalho escravo ou análogo à escravidão, foi celebrada como um avanço político e social histórico por ativistas e organizações ligados aos direitos humanos, mas não foi o ponto final do debate.

Depois de 15 anos de tramitação no Congresso Nacional, com episódios de alta tensão com a bancada de representantes do agronegócio, o grito de comemoração de alguns dos entusiastas da PEC ficará preso na garganta, ao menos por enquanto. Em Brasília e em São Paulo, o dia seguinte à aprovação foi marcado por leituras divergentes, do total pessimismo ao entusiasmo. Para que a mudança constitucional possa ser posta em prática, uma lei específica deve regulamentar de que forma, na prática, as expropriações vão ocorrer e como os bens e recursos recolhidos pelo poder público dessa forma serão direcionados à promoção da reforma agrária.

Aí começam os problemas. Nem mesmo dentro da base aliada de Dilma Rousseff há consenso sobre a necessidade de debater agora a regulamentação, um antigo pedido da bancada ruralista. O debate gira em torno do Projeto de Lei do Senado (PLS) 432, de 2013, formulado por uma comissão encabeçada pelo senador Romero Jucá (PMDB-RR) para debater a consolidação da legislação federal e da Constituição.

O projeto não regulamenta apenas os mecanismos de aplicação da lei, mas inclui, por indicação da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidenta da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, uma descrição “oficial” do que deverá ser considerado o trabalho escravo para efeito da nova legislação.

Jucá, relator da proposta, afirma que desde a última semana, quando foram iniciadas as negociações para votação da PEC, também começou a ser negociada a votação do PLS em caráter imediato. “Não vou dizer que há consenso, mas as negociações estão bem encaminhadas. Estou trabalhando para que a matéria seja votada e para buscar um texto que agrade, ao mesmo tempo, todos os que vinham defendendo a aprovação da PEC e as bancadas da agricultura e ruralista, que durante anos se posicionaram contrários à proposta. A lei tem que ser dura e definir de forma clara o que é trabalho escravo, para que não sejam cometidas injustiças. Temos que coibir este crime de modo firme, mas também precisamos definir bem esse conceito”, disse Jucá, representante de um estado com forte influência do agronegócio.

Contra ele pesa ainda o papel de ter sido um dos principais negociadores de pontos da PEC das Domésticas, aprovada em abril do ano passado e até hoje sem regulamentação de alguns pontos importantes. E contra a bancada do agronegócio pesam os 15 anos de ferrenha oposição ao texto e a força dentro do Congresso, com capacidade para mobilizar ao menos um terço dos parlamentares.

O projeto redigido pelos senadores considera que a escravidão existe nas relações de trabalho em que o empregado tem restringido o seu direito de locomoção, é envolvido pelo patrão em dívidas impagáveis ou é forçado a trabalhar por meio de agressões físicas e psicológicas, pelo isolamento geográfico ou por meio da retenção de documentos. Essa definição é menos abrangente do que a prevista atualmente no artigo 149 do Código Penal, que, além dessas mesmas condições, caracteriza o trabalho escravo também pelas condições degradantes de trabalho e pelas jornadas extenuantes.

Dessa forma, a aplicação das novas regras para punição de escravagistas ficaria prejudicada sobretudo nos meios urbanos, onde os setores têxtil e da construção civil acumulam inúmeros casos de abuso contra imigrantes que chegam às grandes cidades em busca de oportunidades de trabalho, mas acabam sendo vítimas de “contratos” de trabalho absolutamente precarizados. No último ano, pela primeira vez os flagrantes de escravidão em meio urbano superaram os do meio rural. No caso desses trabalhadores, o problema é principalmente a soma de jornada exaustiva (com casos registrados de até 16 horas de trabalho por dia) e condições degradantes, condições ausentes da proposta de Jucá.

A aprovação do projeto abriria ainda o precedente para que o Senado pudesse rediscutir o Código Penal, de forma a uniformizar as definições legais de trabalho escravo de acordo com o critério mais restrito do novo texto e retroceder a legislação atual sobre o assunto, que é considerada “de vanguarda” pela relatoria especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para o tema.

O senador Paulo Paim (PT-RS), vice-líder do PT no Senado, nega que o governo tenha dado aval ao acordo sugerido por Jucá para garantir a votação. “A presidenta Dilma, a ministra de Direitos Humanos (Ideli Salvatti) e o ministro do Trabalho (Manoel Dias) foram muito hábeis ao pautar este assunto neste momento. O outro lado, que não morre de amores pela proposta, não pôde absorver o ônus eleitoral de ir contra a PEC. Foi uma estratégia corajosa e bem-sucedida”, pondera. “Não existe acordo conosco. Trabalho escravo você não ‘regulamenta’, você proíbe. A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Consolidação das Leis do trabalho (CLT) já asseguram a proteção contra a escravidão.”

Ainda de acordo com Paim, é cedo para falar em votar a regulamentação das novas punições contra o trabalho escravo, com ou sem os artigos que tentam redefinir os conceitos legais do trabalho escravo ou análogo à escravidão. “É necessário debater os aspectos práticos das novas punições, não há por que ter pressa para regulamentar. Não vejo necessidade de realizar essa votação em 2014”, avalia. Continuar lendo

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Indios saem insatisfeitos de reunião com Cardozo sobre demarcações

Depois de duas horas de reunião com o ministro José Eduardo Cardozo, nada mudou no panorama das demarcações de terras indígenas

Depois de duas horas de reunião com o ministro José Eduardo Cardozo, nada mudou no panorama das demarcações de terras indígenas

*Por Marcelo Brandão – Agência Brasil

Após um dia inteiro em frente ao Ministério da Justiça (MJ) e cerca de duas horas de reunião com o ministro José Eduardo Cardozo, nada mudou no panorama das demarcações de terras indígenas, na avaliação das lideranças que participaram do encontro. “O ministro disse que vai insistir nas tentativas das mesas de diálogo. Ele acredita que o que está fazendo é a decisão mais acertada, mas achamos que é o maior erro, por beneficiar acordos políticos”, disse o cacique Wilton Tuxá.

Tuxá argumentou que o formato atual de mesas de negociação com índios e produtores rurais em regiões de conflito por terras beneficia os ruralistas, a quem chamou de “inimigos”. Ele criticou a postura do governo na administração do problema. “Nunca esperei que um governo do PT, que se pinta como democracia, pudesse agir com tanta arbitrariedade. O travamento da demarcação de terras indígenas no Brasil hoje é uma atividade eleitoreira”, avaliou.

Antes de ir embora, índios acorrentaram a bandeira do Brasil, localizada em frente ao MJ e a pintaram com urucum, um pigmento vegetal vermelho, simbolizando sangue. Alguns indígenas saíram chorando do encontro. “Agora é guerra”, disseram, ao deixar o prédio. Mais cedo, quatro manifestantes se acorrentaram ao mastro da bandeira.

Cardozo não conversou com a imprensa após a reunião. Em nota, o ministério disse que ele “garantiu que a pasta está empenhada em encontrar soluções para as questões apresentadas por meio da mediação”.

A movimentação começou cedo em frente ao ministério. Cerca de 350 índios, conforme estimativa da Polícia Militar do Distrito Federal, passaram o dia no local tentando uma audiência com Cardozo. O ministro recebeu o grupo por volta das 17h. Enquanto 18 representantes indígenas e um quilombola dialogavam com o ministro e com a presidenta da Fundação Nacional do Índio (Funai), Maria Augusta Assirati, os outros cantavam e dançavam do lado de fora.

Povos indígenas de 120 etnias de todo o país estão reunidos em Brasília para a Mobilização Nacional Indígena em Defesa dos Direitos Territoriais dos Nossos Povos, movimento que reivindica mais rapidez no processo de demarcação de terras indígenas no país.  Hoje, diante do Ministério da Justiça, os índios também questionaram o andamento das mesas de negociação instaladas em vários estados. Nelas, governo, lideranças indígenas e representantes dos produtores rurais discutem possíveis indenizações aos agricultores e cessão das terras aos índios, respeitando estudos antropológicos prévios.

Eles também questionam a possibilidade de regulamentação do Decreto 1.775/96, que trata da necessidade de estabelecer critérios desenvolvidos por antropólogos para a demarcação e, em seguida, submeter os estudos à apreciação do ministro da Justiça. Os índios temem a redução de suas terras nas demarcações em função de uma possível influência política a favor dos agricultores no processo.

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Número de cesarianas no Brasil é mais que o triplo do recomendado pela OMS

Intervenção cirúrgica expõe mãe e bebê a riscos desnecessários, alerta pesquisadora

Intervenção cirúrgica expõe mãe e bebê a riscos desnecessários, alerta pesquisadora

Akemi Nitahara – Agência Brasil – Edição: Luana Lourenço

Enquanto a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que no máximo 15% dos partos sejam cesarianas, no Brasil o índice é de 52%, chegando a 88% na rede privada. Os dados estão na pesquisa inédita Nascer no Brasil: Inquérito Nacional sobre Parto e Nascimento, feita pela Fundação Oswaldo Cruz e o Ministério da Saúde, divulgada hoje (29).

A pesquisa acompanhou o pré-natal e o parto de 23.894 mulheres em maternidades públicas, privadas e mistas em 191 municípios em todos os estados. A coleta de dados ocorreu de fevereiro de 2011 a outubro de 2012. Para a coordenadora da pesquisa, Maria do Carmo Leal, os resultados são alarmantes, já que a intervenção cirúrgica expõe a mãe e o bebê a riscos desnecessários.

“Um prejuízo que a criança pode ter é ela nascer antes do tempo que estaria pronta para nascer e, portanto, pode ter dificuldade para respirar, pode precisar ir para uma UTI [Unidade de Tratamento Intensivo] neonatal, e isso é um imenso prejuízo no começo da vida, essa separação da mãe. Para a mãe, o primeiro risco é que a cesárea é uma cirurgia,  e como tal tem maior chance de hemorragia, de infecção, e também a recuperação da mulher é pior na cesárea do que no parto vaginal”, comparou.

No Brasil, 28% das mulheres começam o pré-natal querendo a cesárea, enquanto a média mundial é de 10%. O dado preocupa a pesquisadora, que defende uma mudança na cultura do parto no país.

“Tem uma cultura na sociedade, muitas mulheres hoje realmente já acham que a cesárea é uma boa forma de ter parto. E para os médicos também, é conveniente para eles que a cesárea aconteça porque organiza a vida deles, marca uma atrás da outra e não fica à disposição do tempo que você não controla, que é o tempo de nascimento de cada criança. É verdade que médicos podem induzir a mulher a fazer a cesárea, mas o sistema está todo organizado de uma forma a promover isso”.

Segundo Maria do Carmo, nos países desenvolvidos que também vinham aumentando as taxas de cesárea, os índices começaram a diminuir por causa das evidências científicas de riscos para a mulher e para o bebê na gestação em questão e também nas seguintes. Para ela, governo e sociedade precisam se mobilizar para reverter o quadro.

“Há necessidade de políticas públicas, há necessidade das mulheres se movimentarem também, lerem mais sobre o parto e sobre o risco da cesárea. As mulheres tem um papel importante, que é se informar, mas acho que tem que ter uma mudança de atitude, de cultura médica também. Não acontece tão facilmente”, avaliou.  “O Ministério da Saúde tem trabalhado muito, já teve várias iniciativas para diminuir a quantidade de cesáreas no país e não tem obtido sucesso”, acrescentou.

Com o tema A mãe sabe parir e o bebê sabe como e quando nascer, o estudo também mostra que, mesmo nos partos normais, o atendimento não atende às boas práticas recomendadas pela OMS, o que provoca dor e sofrimento desnecessário. Entre as práticas comuns estão a de deixar a mulher em trabalho de parto apenas no leito, sem estímulo para caminhar e sem alimentação durante o período, a de oferecer remédios para acelerar as contrações e a de deixar as mulheres darem à luz deitadas, de costas.

Os dados ainda apontam que, no Brasil, entre as mães de baixo risco, apenas 19,8% tiveram presença contínua de acompanhante, 25,6% puderam se alimentar, 46,3% foram estimuladas a se movimentar e 28% tiveram acesso a procedimentos não farmacológicos para alívio da dor. Apenas 5% dos partos ocorre sem intervenções, enquanto no Reino Unido o número chega a 40%.

Quanto aos cuidados com o bebê, entre os recém-nascidos saudáveis, apenas 28,2% tiveram contato pele a pele com a mãe após o nascimento, 16,1%  receberam o seio na sala de parto e 44% mamaram na primeira hora. O alojamento conjunto foi verificado em 69% dos casos. As intervenções nos bebês também são altas: 71% tiveram as vias aéreas superiores aspiradas, 39,5% passaram por aspiração gástrica, 8,8% foram para o inalador e 8,7% para a incubadora.

Das mulheres ouvidas para o levantamento, cerca de 30% não desejaram a gravidez, 2,3% tentaram interromper a gestação e 60% iniciaram o pré-natal tardiamente, após a 12ª semana. Do total de mulheres, 19% eram adolescentes,  sendo que 42% delas fizeram cesárea, e, com isso, “estarão expostas a mais riscos nas gestações futuras”, segundo o estudo.

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Comissão debate circunstâncias da morte de Anísio Teixeira durante a ditadura

A justificativa da morte: o educador teria caído no fosso do elevador do prédio do amigo

A justificativa da morte: o educador teria caído no fosso do elevador do prédio do amigo

*Por Helena Martins, da Agência Brasil

No dia 11 de março de 1971, Anísio Teixeira pretendia visitar o amigo Aurélio Buarque de Holanda, no bairro Flamengo, no Rio de Janeiro, para tratar de sua candidatura à Academia Brasileira de Letras. O encontro não ocorreu. A candidatura não seguiu adiante. Anísio Teixeira desapareceu na manhã daquele dia. Dois dias depois, a família recebeu a informação de que o corpo havia sido encontrado. A justificativa da morte: o educador teria caído no fosso do elevador do prédio do amigo.

Na época, as circunstâncias do desaparecimento e da morte não convenceram a família e parte da sociedade brasileira. Com o passar do tempo, a tese de que ele foi uma das vítimas da ditadura ganhou força. As investigações feitas pela família, que encaminhou dossiê à Comissão Nacional da Verdade (CNV) e à comissão instalada na Universidade de Brasília (UnB) – instituição idealizada por Teixeira e da qual foi reitor, em 1963 –, apontam novas pistas sobre o que ocorreu efetivamente. Pistas que foram discutidas hoje (28), em audiência pública convocada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

Na audiência, o ex-deputado e ex-preso político Haroldo Borges Rodrigues Lima, sobrinho de Teixeira, leu trechos de notícias veiculadas na época, entre outros, pelo jornal Última Hora. As matérias tratavam da situação em que foi encontrado o corpo no fosso, da ausência de testemunhas da entrada de Teixeira no prédio e dos sapatos e do paletó que ele sempre usava, mas que não vestia quando foi encontrado. Tudo isso gerou a dúvida, expressa pelos jornais, de que a morte teria sido consequência de perseguição política.

A questão não foi resolvida pelos investigadores, de acordo com o filho do educador, Carlos Antônio Teixeira. “Meu pai foi retirado do local onde foi encontrado sem a presença da perícia. Esse corpo foi retirado sem perícia e simplesmente transportado para o Instituto Médico Legal”, recordou. “Quando (o corpo) saiu da autópsia, todos os presentes tinham o assassinato como principal suspeita. Não tinha como pensar que aqueles traumas teriam sido causados por queda no fosso do elevador.” Como em muitos outros crimes ocorridos durante a ditadura, a situação não foi investigada a contento, na avaliação da família. “Os responsáveis pela investigação se negaram a investigar e admitir que se tratou de crime político”, relatou o filho.

O biógrafo de Anísio Teixeira, João Augusto de Lima Rocha, disse que a chegada do educador até o prédio de Holanda não foi confirmada. “Ninguém o viu saindo da Fundação Getulio Vargas.” Para ele, a investigação da morte deve considerar o possível envolvimento da Aeronáutica, pois, no IML, uma marca da corporação teria sido identificada no braço de Teixeira. O estudioso contou que recebeu relatos de Afrânio Coutinho, amigo do educador, de que ele havia sofrido ameaças de sequestro. Além disso, o contexto da época fortalece as suspeitas. Tanto Rubens Paiva quanto Stuart Angel desaparecem meses antes de Teixeira, em ações que teriam sido de responsabilidade do brigadeiro da Força Aérea, João Paulo Burnier.

Integrante da Comissão Anísio Teixeira de Memória e Verdade, Cristiano Paixão afirmou que o grupo teve acessos a documentos de 1965 e 1966 que apontavam Anísio Teixeira como um inimigo do regime, inclusive por parte do militar encarregado de reformar a educação brasileira, general Moacir Araújo Lopes.

Para Paixão, o projeto de educação emancipadora, defendida por Teixeira ia de encontro ao proposto pela ditadura, assim como o que “suas ideias, sua obra, sua fibra e seu espírito poderiam trazer para a sociedade que se tentava construir”. Além disso, segundo Paixão, seria muito nocivo ao regime que o educador chegasse à ABL. “Significava um lugar institucional de fala, de uma fala crítica”, avaliou.

O caso está sendo investigado pela UnB, que tem até o dia 22 de abril de 2015 para concluir seus trabalhos. A CNV também deve incluir mais informações sobre a morte de Anísio Teixeira no relatório final dos trabalhos do colegiado, que deve ser finalizado em meados do ano que vem.

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PM reprime protesto contra a Copa do Mundo em Brasília (DF)

Ato, realizado nesta terça (27), teve ainda a participação de grupos indígenas de mais de cem etnias, que estão em vigília na capital federal lutando contra o avanço do agronegócio sobre suas terras

Ato, realizado nesta terça (27), teve ainda a participação de grupos indígenas de mais de cem etnias, que estão em vigília na capital federal lutando contra o avanço do agronegócio sobre suas terras

*Com informações do Mídia NINJA – Brasil de Fato

Cerca de 3 mil manifestantes que protestavam contra os gastos excessivos da Copa do Mundo nesta terça-feira (27), em Brasília (DF), foram reprimidos com bombas de gás lacrimogêneo lançadas pela Polícia Militar. O ato, organizado pelo Comitê Popular da Copa e Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), também contou com a participação de grupos indígenas de mais de cem etnias, que estão em vigília na capital federal lutando contra o avanço do agronegócio sobre suas terras.

Os manifestantes seguiram em direção ao Estádio Nacional Mané Garrincha, onde acontecia a visitação da Taça Oficial, que está em exibição na área externa da arena. O objetivo era substituir o troféu original por uma taça alternativa da Copa do Mundo, mas a tropa de choque impediu a sequência do ato, e lançou bombas de gás e tiros de balas de borracha contra os manifestantes.

Ainda durante o protesto, um policial militar foi atingido por uma flecha. Não houve ferimentos graves.

“Não somos vândalos, tiram nossas terras e a gente não pode nem chegar perto desse coliseu” diziam as lideranças indígenas e sem teto presentes.

Por meio de nota, a Secretaria de Segurança Pública do DF informou que agiu “dentro do protocolo previsto em casos de manifestações”.

Ainda segundo a secretaria, a manifestação teve de ser contida no limite estabelecido para segurança dos visitantes que estavam na tenda onde estava a Taça da Copa do Mundo. Mais de 7.000 pessoas já tinham visitado o troféu e centenas aguardavam o momento de estar perto de vê-lo.

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