Manabi repete discurso de empregos para implantar porto e mineroduto no Espírito Santo

Empresa sequer recebeu a licença prévia do Ibama, mas não tem dúvidas de que concluirá seu objetivo

Empresa sequer recebeu a licença prévia do Ibama, mas não tem dúvidas de que concluirá seu objetivo

*Por Any Cometti, Século Diário

Mais um empreendimento portuário que ainda não recebeu licença para se instalar no Estado utiliza a mídia corporativa para se promover, com base no discurso de geração de empregos e desenvolvimento. A Manabi, que pretende implantar um porto e um mineroduto em Degredo, Linhares, norte do Estado, intensificou sua campanha para eliminar resistências ao seu projeto e, desta forma, acelerar o processo de licenciamento no Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Os anúncios da empresa vêm antes mesmo dela receber a licença prévia para seus projetos.

Nessa quinta-feira (16), a Manabi, empresa brasileira de mineração e logística anunciou, no jornal A Tribuna, a criação de 2.250 empregos, sendo 1.500 na fase de obras e o restante em sua operação; além de outros 5.500 funcionários para a obra e 150 para as operações do mineroduto que ligará o Morro do Pilar, em Minas Gerais, ao Porto Norte Capixaba (PNC). A empresa se reúne, nesta sexta-feira (16), com a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação, Educação Profissional e Trabalho (Sectti), para detalhamento das vagas de emprego.

A Manabi tenta se aproximar dos pescadores do povoado de Degredo, se dizendo interessada em levantar informações sobre interferências, fragilidades e potencialidades da comunidade, além de apoiar festivais tradicionais, como a Festa da Manjuba, em Povoação, e a Festa do Caboclo Bernardo, em uma clara tentativa de conquistar os impactados e, assim, desmobilizar a luta contra a implantação dos empreendimentos. Na região, há fortes resistências à empresa, que culminaram inclusive com um abaixo-assinado.

Com o porto, as populações tradicionais da região, além de serem obrigadas a conviver com os danos do minério,  também perderão a liberdade de uso do litoral do vilarejo de Degredo, restringindo a área de pesca. Os danos do terminal são constantemente comparados à poluição e aos danos ambientais gerados pelos portos da Vale e da ArcelorMittal na Ponta de Tubarão, entre Serra e Vitória. O superporto da Manabi  causará danos até mesmo à comunidade de Regência, dada a proximidade do empreendimento com o balneário.

A Associação dos Pescadores da Barra do Riacho e da Barra do Sahy já declarou, reiteradas vezes, que é contra a implantação do empreendimento no local, pois este inviabilizará completamente a pesca na região, impactando cerca de 400 famílias que dependem da atividade. Além disso, a ocupação litorânea pode prejudicar um trabalho de preservação das tartarugas-gigantes, realizado pelo Projeto Tamar há mais de 30 anos.

A Manabi pretende extrair minério de ferro na região do Morro do Pilar, em Minas Gerais, e transportá-lo por meio de um mineroduto até o seu Porto Norte Capixaba (PNC), gerido pela subsidiária Manabi Logística, que deverá escoar a matéria-prima extraída. Além do porto, o mineroduto da Manabi cortaria, no Estado, os municípios de Marilândia, Colatina, Baixo Guandu e Linhares, passando por pequenas propriedades de agricultores.

Em março deste ano, a prefeita Darcira de Souza Pereira (PT), do município de Açucena, em Minas Gerais, revogou a anuência para o mineroduto da Manabi S/A. A prefeita visitou as cidades de São Domingos do Prata, Nova Era, Santa Maria de Itabira, Dom Joaquim e Conceição do Mato Dentro, todas localizadas em Minas Gerais, que também estão no caminho para o qual o mineroduto da Manabi está projetado e, nesses locais, encontrou “comunidades revoltadas, indenizações injustas, não geração de emprego local, morte de nascentes, assoreamento das águas, acúmulo de resíduos por toda parte, cidades tomadas pela especulação imobiliária e pela inflação, propriedades dilaceradas, queda na produção agrícola e pecuária, famílias expropriadas, águas contaminadas, erosões por toda parte, paisagens depredadas, aumento da prostituição, queda no atendimento dos serviços públicos, dentre outras mazelas”, como denunciaram a Associação Terra Azul e o Fórum Brasileiro de Ongs e Movimentos Sociais (FBOMS).

A decisão de não conferir anuência ao empreendimento da Manabi pode impedir o licenciamento prévio do mineroduto, já que Ibama requer, como condição, que todos os municípios afetados estejam em concordância, apesar de o Instituto atuar “lamentavelmente, como uma sucursal de interesses da referida empresa”, como retrata a nota.

Em uma audiência pública sobre o empreendimento, realizada em fevereiro último em Linhares, o prefeito de Baixo Guandu, Neto Barros (PCdoB), também se declarou contrário ao empreendimento, que cogita o município como caminho para seu mineroduto.

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