Arquivo do mês: junho 2014

Índios em São Bernardo aguardam decisão de Justiça por demarcação

Índios guaranis estão prontos para briga judicial para permanecer na aldeia Guyrapaju, localizada na estrada Rio Acima, região do pós-balsa, em São Bernardo. Foto: Rodrigo Pinto

Índios guaranis estão prontos para briga judicial para permanecer na aldeia Guyrapaju, localizada na estrada Rio Acima, região do pós-balsa, em São Bernardo. Foto: Rodrigo Pinto

Proprietário não aceita ocupação e recorre de decisão favorável sobre permanência dos índios na área

*Por ABCD Maior

Os índios guaranis da aldeia Guyrapaju, localizada na estrada Rio Acima, região do pós-balsa de São Bernardo, estão prontos a enfrentar briga judicial para permanecer na área de 54,7 hectares, equivalente a 54 campos de futebol, ocupada desde o início de 2013.

A situação dependerá de uma segunda decisão judicial. Na primeira, o Tribunal Regional Federal da Terceira Região decidiu pela permanência dos indígenas no local. No entanto, um dos proprietários do terreno, Flávio Mantesso, está recorrendo da decisão. O processo ainda não foi julgado.

“A Justiça já decidiu a nosso favor, mas como o proprietário não concordou estamos aguardando uma nova decisão. Dependendo, vamos recorrer também”, garantiu Marcos dos Santos Tupã, líder da aldeia de São Bernardo e coordenador da Comissão Guarani Yvyrypa. A ocupação fica a 20 minutos do Núcleo Santa Cruz, em São Bernardo, e a cerca de 8 quilômetros da aldeia Krukutu, no extremo Sul da Capital, até então a área indígena mais próxima do ABCD.

A nova aldeia, que abriga 42 índios, integra a terra indígena Tenondé Porã, que vai de São Bernardo ao Litoral, reconhecida pela Funai (Fundação Nacional do Índio) em abril de 2012. Atualmente a demarcação aguarda a publicação de portaria do Ministério da Justiça para seguir para a sanção da presidente Dilma Rousseff, de modo a oficializar a decisão e efetuar as 149 desapropriações, 38 em São Bernardo e as demais na Capital.

Diferentemente da aldeia Krukutu, a infraestrutura da nova área é precária. As casas foram erguidas com materiais retirados da natureza. Não há água encanada, escola ou posto de saúde e a eletricidade vem de ‘gatos’ dos postes da estrada Rio Acima. Apesar de o lugar ser grande, os índios aguardam a oficialização da demarcação para iniciar o plantio. “A indefinição sobre a demarcação é nosso maior problema. Estamos mobilizados e lutando para que o ministro reconheça o território”, argumentou Tupã.

Em nota, o Ministério da Justiça explicou que aguarda resposta técnica da Funai sobre diligência requerida pelo ministério. Somente após isso, o processo poderá ser remetido à Pasta para as devidas análises nos termos do art. 2º, §10 do Decreto n.º 1775/96.

Dentre outros procedimentos, a lei determina o prazo de 30 dias para o ministro da Justiça assinar a portaria declarando os limites e a demarcação da terra indígena. Procurada, a Funai não se manifestou até o fechamento desta edição.

Indígenas de São Paulo também ocupam terras – Diante da demora na oficialização da demarcação dos novos limites das terras indígenas Tenondé Porã, os índios guaranis estão realizando ocupações. A primeira foi em São Bernardo com a criação da aldeia Guyrapaju. A segunda foi a criação da aldeia Kalipety, em Parelheiros, Capital, próxima da aldeia da Barragem que faz divisa com a Krukutu.

A área tem 55 hectares, equivalente a 55 campos de futebol, onde moram cerca de 50 pessoas de sete famílias indígenas que há sete meses ocuparam o lugar. “No começo tentaram nos amedrontar, mas agora está calmo. As pessoas já estão com criações de frango, plantações e construindo suas casas”, explicou Gera Giselda, liderança da aldeia Kalipety.

De acordo com Giselda, a ocupação foi mais pacífica que a de São Bernardo, uma vez que o proprietário preferiu não entrar na Justiça. “Ele entrou em contato conosco, disse que não iria notificar a Justiça e só pediu para tirar umas telhas francesas que estavam na área”, explicou.

Espaço – Na aldeia da Barragem são 26 hectares para mil índios. “É muita gente, não temos como caçar, pescar e fazer as atividades voltadas à cultura guarani”, destacou. A falta de espaço é o mesmo problema da aldeia Krukutu. Na nova área, Giselda explicou que as crianças pegam água das nascentes, conhecem os animais, recolhem lenha e aprendem como usar a natureza sem destruí-la. “Não queremos despejar famílias, até porque as demarcações estão dentro da Mata Atlântica. Só queremos nosso espaço para viver como manda a tradição guarani”, finalizou.

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Vaia ao Hino do Chile: a torcida brasileira que nos envergonha para o mundo

"Aos vizinhos chilenos, portanto, peço que nos perdoem. Parte de nossos conterrâneos não sabe o que faz."

“Aos vizinhos chilenos, portanto, peço que nos perdoem. Parte de nossos conterrâneos não sabe o que faz.”

*Por Leonardo Sakamoto

O que leva uma pessoa a vaiar o hino de outro país enquanto ele é executado em um jogo de Copa do Mundo? Entendo que, em bando, os seres humanos não raro ficam mais idiotas. Isso é facilmente comprovável, por exemplo, por algumas torcidas organizadas que compensam suas frustrações cotidianas e reafirmam identidades de forma tosca através da violência.

Contudo, não são as torcidas organizadas que preenchem as arquibancadas dos estádios de futebol nestes jogos da seleção (aliás, se fossem, ao menos empurrariam o time o tempo inteiro ao invés de ficarem em silêncio, com cara de susto e medo, diante de momentos tensos), mas grupos com maior poder aquisitivo, dado o preço de boa parte dos ingressos.

Renda pode até estar diretamente relacionada à obtenção de escolaridade de melhor qualidade. Mas escolaridade definitivamente não está relacionada com educação. Ou respeito. Ou bom senso. Ou caráter.

E considerando que, provavelmente, muitos dos que vaiaram o hino do Chile quando executado à capela foram os mesmos que, minutos depois, estavam cantando “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, posso concluir que o sujeito é guiado pela aversão do estrangeiro característica da xenofobia. Aversão potencializada e exposta pela covarde sensação de segurança por ser maioria e estar em casa.

Vaiar o hino do adversário não é uma brincadeira. Muito menos uma catarse coletiva, uma indignação contra a cantoria à capela do outro. Nem ajuda na partida. Pelo contrário, mostra para o mundo que está assistindo pela TV que nós, brasileiros, podemos ser tão preconceituosos quanto os preconceituosos que, não raro, nos destratam no exterior simplesmente por sermos brasileiros.

Aos vizinhos chilenos, portanto, peço que nos perdoem. Parte de nossos conterrâneos não sabe o que faz.

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Carta aos jovens brasileiros *Plínio de Arruda Sampaio

PlínioArrudaSampaioCandidato à Presidência da República pelo PSOL em 2010, Plínio de Arruda Sampaio está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo. O boletim médico divulgado pela instituição no início da noite desta quinta-feira (26)  afirma que o ex-deputado federal realiza tratamento de um câncer ósseo e que seu estado de saúde é estável, sem previsão de alta. O político tem 83 anos.

Aqui o vídeo com um momento marcante de sua participação nos debates em 2010 e sua “Carta aos jovens brasileiros”. Um grande camarada de lutas!

“Pediu-me um dos seguidores do meu twitter que escrevesse uma carta dirigida aos brasileiros jovens.

Não me sentiria autorizado a fazê-lo, se não estivesse recebendo tantas manifestações de apoio como tenho recebido desde a campanha eleitoral.

Propostas tão mal recebidas pelas pessoas maduras, foram acolhidas com entusiasmo pelos jovens e pelas pessoas idosas.

Curiosa esta fissura entre a juventude e a velhice e as pessoas que estão no comando do país. Demonstração evidente de que os dirigentes não o estão conduzindo corretamente e prenúncio de importantes modificações políticas.

O que posso dizer a vocês, jovens, em retribuição ao apoio que me têm dado?

Penso que devo apenas repetir o que falei nos debates: ninguém consegue ser feliz em uma sociedade tão desigual como a nossa.

A solução para essa desgraça é uma só: substituição do poder burguês pelo poder popular. Isto se chama: socialismo.

O jovem vive um período de formação.

Sua maior contribuição para o socialismo, nesse período, é o estudo da nossa realidade e da teoria marxista.

Estudo não quer dizer apenas leitura de livros. Exige igualmente experiência, ação, participação nos assuntos importantes da sociedade.

É isto que gostaria de pedir a vocês. Cuidem da sua formação intelectual, porque o Brasil precisa de gente preparada, mas cuidem igualmente da formação que se obtém na prática, na ação.

Coloco-me inteiramente à disposição da juventude brasileira, para colaborar na construção de uma sociedade igualitária, justa e democrática – uma sociedade socialista.

Vamos, juntos, revolucionar este país!”

*Plínio de Arruda Sampaio

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Vitória contra a ‘pejotização’: 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ) condenou a Editora JB

"A contratação de jornalista, ex­-empregado, por intermédio de pessoa jurídica, sem solução de continuidade e com idêntica subordinação, constitui fraude e importa no reconhecimento do vínculo de emprego e unicidade contratual"

“A contratação de jornalista, ex­-empregado, por intermédio de pessoa jurídica, sem solução de continuidade e com idêntica subordinação, constitui fraude e importa no reconhecimento do vínculo de emprego e unicidade contratual”

*Assessoria de Imprensa – TRT/RJ

Em decisão unânime, a 7ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT/RJ) condenou a Editora JB S.A. e sua controladora, Docas Investimentos S.A, além de mais cinco empresas que compõem o grupo econômico, ao pagamento de verbas trabalhistas a um jornalista que, apesar de ter sido contratado por intermédio de pessoa jurídica, teve o vínculo de emprego reconhecido pela sentença de 1º grau.

O autor da reclamação, que exercia a função de diagramador, trabalhava para o Jornal do Brasil, empresa que foi sucedida, em 2002, pela Editora JB. Naquele ano, o jornalista teve o contrato de trabalho rescindido e passou a prestar serviços à Editora JB por meio de pessoa jurídica – no caso, a SM Arte Ltda. -, até 2008.

Em 1ª instância, foi reconhecido o vínculo de emprego do trabalhador com a empresa controlada pela Docas Investimentos, diante da tese da unicidade contratual, uma vez que foram mantidas as condições de execução do contrato anteriormente firmado – o diagramador, inclusive, continuou subordinado ao mesmo superior hierárquico.

“Evidencia-­se a prestação de serviços com pessoalidade, de natureza não eventual e subordinada, elementos caracterizadores da relação de emprego, não tendo a segunda ré (Editora JB) produzido contraprova no sentido de demonstrar que se tratava de contrato de natureza civil e não trabalhista. A contratação de jornalista, ex­-empregado, por intermédio de pessoa jurídica, sem solução de continuidade e com idêntica subordinação, constitui fraude e importa no reconhecimento do vínculo de emprego e unicidade contratual”, assinalou a desembargadora Giselle Bondim Lopes Ribeiro, relatora do acórdão.

Ao apreciar os recursos ordinários interpostos pelo autor e pelas rés condenadas em 1º grau, a magistrada decidiu estender a responsabilidade solidária às demais integrantes do grupo econômico, inclusive à Jornal do Brasil S.A. “O uso da marca, bem mais valioso que a primeira ré (Jornal do Brasil S.A.) possuía, foi cedido à segunda ré (Editora JB S.A.) e permanece gerando lucro, na tentativa de esvaziar a capacidade de o Jornal do Brasil responder pelas execuções e lesar os direitos trabalhistas, diante da construção de complexa rede de empresas que tem na Docas Investimentos sua controladora”, pontuou a desembargadora.

Assim, além das empresas já mencionadas, o colegiado condenou, solidariamente, ao pagamento das verbas trabalhistas discriminadas no acórdão a Companhia Brasileira de Diques, a Sequip Participações S.A., a Indústrias Verolme Ishibras S.A. e a Intelig Telecomunicações.

Nas decisões proferidas pela Justiça do Trabalho, são admissíveis os recursos enumerados no art. 893 da CLT.

Clique aqui e leia na íntegra o acórdão.

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A prisão de manifestantes revolta os movimentos sociais

Os ativistas reclamam do uso pelo Governo paulista de prisões e inquéritos civis como forma de reduzir a onda de manifestações nas ruas - O manifestante Fabio Harano preso. / Avener Prado (Folhapress)

Os ativistas reclamam do uso pelo Governo paulista de prisões e inquéritos civis como forma de reduzir a onda de manifestações nas ruas – O manifestante Fabio Harano preso. / Avener Prado (Folhapress)

*Por Pedro Marcondes de Moura – El País

Cerca de 400 servidores e estudantes da Universidade de São Paulo (USP) fecharam ruas de acesso à instituição na manhã desta quinta-feira. Protestavam pela libertação de Fábio Harano, estudante e funcionário da USP, e por considerarem que a polícia plantou provas para detê-lo em uma estratégia para intimidar os movimentos que saem as ruas desde junho do ano passado.

Fábio Harano, de 26 anos, foi preso, junto a outro ativista, após um protesto segunda-feira na avenida Paulista. Segundo o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella, ele faz parte dos primeiros adeptos da tática black bloc detidos em flagrante por associação criminosa. Além de incitar à violência durante o ato, Fábio portaria, segundo os policiais, material explosivo. Na quarta-feira, ele foi transferido para o Centro de Detenção Provisória (CDP) de Tremembé, localizado no interior de São Paulo e conhecido por abrigar envolvidos em crimes notórios.

A versão oficial, no entanto, é desmentida por pessoas que acompanharam a prisão. Ao contrário do que foi registrado como prova no boletim de ocorrência, não havia, segundo dizem, nenhum artefato explosivo com o manifestante. O padre Júlio Lancelloti, um ativista dos direitos humanos que viu o jovem ser revistado, afirma que “os policiais viraram e reviram os pertences dele e não acharam nada.” “A única coisa suspeita foi que dois policiais que estavam acompanhando ele falavam o tempo todo ao telefone como se estivessem recebendo recados de superiores”, comenta.

Nilma Aparecida, colega de trabalho de Fábio no Centro de Saúde Escola – ligado à USP -, afirma que “só havia água e vinagre, para conter os efeitos das bombas de gás lacrimogêneo, na mochila dele”, que ela chegou a carregar antes de ele ir à manifestação. “O Fábio vai para os protestos mesmo, é um militante, um sindicalista”, diz Nilma, em referência ao posto ocupado por ele no Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp). “Mas é pacífico. É calmo até demais”, assegura.

Durante a manifestação desta quinta-feira, os manifestantes foram da USP até o Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, protestar contra a prisão que consideram política. Uma comissão foi recebida por integrantes do Governo. “O pessoal do Governo insistia que a questão do Fábio tem de ser resolvida com a lei, mas sabemos que quem é responsável por isto é o Palácio dos Bandeirantes”, diz Magno Carvalho, diretor do Sindicato Dos Trabalhadores da USP (Sintusp). “A prisão foi armada, escolheram ele a dedo. Forjaram um flagrante para criminalizar de uma vez só o nosso sindicato, que está em luta, e os outros movimentos que ele apoia”, acusa.

O Governo do Estado de São Paulo também é acusado de perseguição por outros movimentos sociais, como o Movimento Passe Livre (MPL). Formado por jovens na casa dos 20 anos, o MPL ganhou importância no Brasil por ter sido responsável pela articulação no ano passado de manifestações contra o aumento das tarifas de ônibus em algumas capitais do país. A ação contagiou o país que aderiu aos protestos de junho.

Após um grupo de mascarados depredar lojas de luxo em São Paulo, em um protesto organizado pelo Movimento Passe Livre (MPL), na quinta-feira 19, cerca de 20 integrantes do movimento foram intimados a depor. A data escolhida pelas autoridades foi justamente a mesmo do jogo da seleção brasileira, quando tradicionalmente ocorrem protestos. Chama a atenção o fato de o inquérito usado para convocá-los ter sido instaurado em outubro do ano passado.

Os ativistas, no entanto, não compareceram. “Este inquérito é um procedimento político que vem do comando da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo”, acusa Lucas Monteiro, do MPL, em referência ao fato de o secretário ser nomeado pelo governador. “Isto é ilegal, faz parte de uma estratégia de criminalização usada contra os movimentos sociais. Somos acusados (os integrantes do MPL) sem nos falarem de qual crime”, complementa Monteiro. O movimento nega ter ligação com os mascarados adeptos da tática tática black bloc e ressalta o seu caráter pacífico. “O secretário e o governador ficam tentando criar esta relação para criminalizar o movimento”, acusa.

De acordo com Lucas Monteiro, os integrantes do MPL que fazem parte do inquérito não irão prestar depoimento as autoridades policiais mesmo com as ameaças de serem levados à força por policiais. Os ativistas, diz, devem começar a se organizar em rede para resistir. Em outra frente, o Movimento Passe Livre tenta encerrar o procedimento na Justiça por meio de um com um habeas corpus. A ação, que foi ingressada em 9 de junho por advogados simpáticos à causa, ainda não foi julgada.

Para Pedro Arruda, cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o inquérito contra os integrantes do MPL é preocupante. Trata-se, em sua opinião, de uma nítida maneira de limitar direitos fundamentais, como a liberdade de expressão. “O Estado está usando uma frente policial e outra judicial para reprimir os protestos”, diz. “Em uma, usa gás, bala de borracha e a tropa de choque. Na outra, convoca os organizadores de forma preventiva e intimidadora”, comenta.

Arruda também lembra que, enquanto mostra rigor em relacionar os ativistas do MPL com os da estratégia black bloc, o Estado de São Paulo ignora as violências praticadas pelos seus policiais. “Até agora não se viu um sequer (integrante da PM) punido pelas agressões cometidas durante os protestos” aponta. Procurada, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo não se manifestou até a publicação da reportagem.

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A resistência heroica dos Educadores

“Amem a justiça, vocês que governam a terra” (Sb 1,1)

“Amem a justiça, vocês que governam a terra” (Sb 1,1)

*Por Frei Marcos Sassatelli – Brasil de Fato

Diante do comportamento arrogante e ditatorial da Prefeitura de Goiânia, os Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação (servidores administrativos, auxiliares de atividades educativas e professores) do Município – em greve há um mês e ocupando a Câmara Municipal desde o dia dez de junho – resistem heroicamente, em favor de uma educação pública de qualidade e de uma sociedade mais justa. Eles e elas já são vitoriosos e o serão muito mais ainda.

O Movimento grevista é um movimento sério, coordenado por pessoas responsáveis e que – reafirmo – merece todo nosso apoio e toda nossa solidariedade. Ao contrário, a atitude do governo municipal merece o nosso mais veemente repúdio.

Demorou muito, mas, enfim, no dia 25 deste mês, o presidente da Câmara Municipal, Clécio Alves – que praticou o crime contra os Direitos Humanos da tortura física e psicológica – numa entrevista coletiva (por conveniência política e não por reconhecer seu erro) voltou atrás, deu uma de bonzinho (ninguém é idiota para acreditar nisso) e pediu à Justiça o cancelamento da reintegração do plenário da Câmara Municipal, concedida por liminar na semana passada. O prazo para a desocupação pacífica tinha vencido no dia 24, às 16h, mas os Trabalhadores da Educação não atenderam à intimação, praticando – neste caso – o justo direito à desobediência civil.

Na mesma entrevista, Clécio Alves afirmou ainda que uma comissão de vereadores tentará negociar junto à Prefeitura uma forma de atender às reivindicações dos Trabalhadores da Educação, para que deixem o plenário da Câmara, terminem a greve e voltem ao trabalho. È uma grande vitória do Movimento!

Esperamos agora que o prefeito Paulo Garcia desça do seu pedestal de governante intransigente – parecido com um verdadeiro ditador – e aprenda a dialogar com os trabalhadores, lembrando que foi eleito para servir ao povo e não para mostrar sua arrogância vingativa. Esperamos que Osmar Magalhães, secretário do Governo e Neide Aparecida, secretária da Educação (ex-sindicalistas da Educação) parem de usar seu conhecimento e sua experiência de sindicalistas para serem carrascos, judiando dos Trabalhadores da Educação. Trata-se de uma maldade inconcebível e uma traição inadmissível!

É tão bonito e gratificante (falo por experiência própria) participar de encontros e reuniões com o povo, em círculo e em pé de igualdade, conversando, dialogando, discutindo, discordando, negociando e buscando o consenso (mesmo que às vezes seja difícil). È esse o “jeito popular de governar”, que nos torna a todos e a todas mais humanos, mais respeitosos uns dos outros e mais irmãos e irmâs. È o “bem-viver” e o “bem-conviver” dos nossos irmãos indígenas. È o que Jesus de Nazaré nos ensina com a sua vida e com a sua palavra.

“Quando vocês – diz o Senhor – erguem para mim as mãos, eu desvio o meu olhar; ainda que multipliquem as orações, eu não escutarei. (…) Lavem-se, purifiquem-se, tirem da minha vista as maldades que vocês praticam. Parem de fazer o mal, aprendam a fazer o bem; busquem o direito, socorram o oprimido (…) (Is 1,15-17).

“Se alguém quer ser o primeiro, deverá ser o último e ser aquele que serve a todos” (Mc 9,35). Jesus, com sua prática e sua palavra, revoluciona radicalmente todas as relações entre as pessoas e todos os critérios da convivência humana. Sigamos o seu exemplo!

A esperança nunca morre e a mudança sempre é possível! Sejamos portadores de esperança e agentes de mudança!

*Frei Marcos Sassatelli, Frade dominicano, Doutor em Filosofia (USP) e em Teologia Moral (Assunção – SP), Professor aposentado de Filosofia da UFG. E-mail: mpsassatelli@uol.com.br

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Crimes ambientais financiam terrorismo e conflitos, afirmam PNUMA e Interpol

Além de financiar terroristas e redes criminosas, os crimes ambientais também representam uma ameaça para o desenvolvimento econômico de muitos países

Além de financiar terroristas e redes criminosas, os crimes ambientais também representam uma ameaça para o desenvolvimento econômico de muitos países

*Por Fabiano Ávila, do Instituto Carbono Brasil

O tráfico de animais, o comércio ilegal de marfim e de madeira, a biopirataria e outros crimes ambientais movimentam anualmente cerca de US$ 213 bilhões, dinheiro que acaba muitas vezes nas mãos de grupos guerrilheiros e terroristas.

Esse é o alerta que traz o relatório “A crise dos crimes ambientais”, divulgado nesta semana pela Interpol e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

“Muitas redes de criminosos estão tendo lucros fenomenais com a exploração ilegal dos recursos naturais. É uma máquina de financiamento de atividades ilícitas”, afirmou Achim Steiner, diretor-executivo do PNUMA.

Por exemplo, na África, o comércio ilegal de carvão e madeira movimenta US$ 9 bilhões, quatro vezes mais do que o tráfico de drogas no continente. A Interpol estima que apenas um grupo da Somália ligado à Al-Qaeda lucre até US$ 56 milhões por ano com esse comércio.

Já a matança de elefantes e rinocerontes por causa do marfim, que junto com o tráfico de animais faz girar até US$ 23 bilhões anuais, ajuda a manter milícias no Sudão, República Centro Africana e República Democrática do Congo.

Além de financiar terroristas e redes criminosas, os crimes ambientais também representam uma ameaça para o desenvolvimento econômico de muitos países.

Segundo o relatório, as nações africanas perdem até US$ 2 bilhões por ano apenas com o comércio ilegal de carvão.

“Por trás dos impactos ambientais imediatos, a exploração ilegal de recursos naturais está impedindo o crescimento econômico de nações que desesperadamente precisam de cada centavo que possam conseguir para tirar sua população da miséria”, concluiu Steiner.

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