Marina Silva, a que veio?

Cada vez mais favorita na corrida presidencial, ex-senadora encanta, mas não convence nas propostas. Talvez não precise, nada ‘cola’ contra ela

Cada vez mais favorita na corrida presidencial, ex-senadora encanta, mas não convence nas propostas. Talvez não precise, nada ‘cola’ contra ela

*Por Pedro Rafael Vilela, Brasília (DF) – Brasil de Fato

O fenômeno político chamado Marina Silva (PSB) vem desfilando com desenvoltura nas Eleições 2014. A seu favor, contribuem dois fatores cruciais: a surpresa e o chamado ‘nada pega’. Cabeça de chapa há apenas duas semanas, ela entrou na disputa somente na reta final do primeiro turno, em meio a um forte impacto emocional decorrente da morte de Eduardo Campos e sem que seus principais adversários estivessem minimamente preparados para enfrentá-la.

“Marina teve a sorte de entrar no final da campanha, foi poupada das críticas e da estratégia eleitoral que os candidatos montam. A Dilma, por exemplo, montou toda a sua estratégia para se contrapor ao Aécio e, complementarmente, ao Eduardo Campos. Por isso, até agora, os ataques contra a Marina não tem surtido efeito, são periféricos”, analisa o professor Ricardo Caldas, diretor do Centro de Estudos Avançados da Universidade de Brasília (UnB).

Caldas se refere, por exemplo, a tentativa de Dilma em exigir mais clareza das intenções de Marina Silva, especialmente em temas como economia, pré-sal e investimentos públicos em educação e saúde. No mais recente debate entre os candidatos, organizado pelo SBT em parceria com Folha de S. Paulo e UOL, na última segunda-feira (1º), a presidenta pressionou a adversária, afirmando que “não se governa apenas com frases de efeito”.

Teflon e mistificação

Para o cientista político Paulo Kramer, também da UnB, Marina Silva está se tornando uma “candidata teflon”, em referência ao polímero usado em panelas e frigideiras, que tem a virtude de não permitir que outras substâncias grudem nele. “Nada cola contra ela. É um privilégio de poucos candidatos. O eleitor de Marina, em sua maioria, não leu as 242 páginas do seu programa de governo, em que ela própria recuou em direitos LGBT. Quem vai votar na Marina não está preocupado nem quer saber exatamente quais são as propostas dela. Tá votando no símbolo, na imagem de anti-Congresso, anti-partido que ela encarna”, aponta.

É o caso do episódio da compra do avião que transportava Eduardo Campos. Investigações da Polícia Federal, reveladas ao longo da última semana, indicam o envolvimento de laranjas na aquisição do jato. Os beneficiados são empresários ligados ao ex-governador, morto em acidente no último dia 13 de agosto. Marina Silva chegou a usar o avião em julho, que pode ter sido objeto de caixa dois de campanha, o que é crime eleitoral e poderia até ensejar a impugnação da chapa.

Em entrevista ao Jornal Nacional (TV Globo), na semana passada, a candidata foi confrontada sobre o tema incômodo e despistou o quanto pôde, terceirizando a responsabilidade aos empresários que adquiriram o avião. O assunto, porém, embora permaneça nos noticiários, parece não ter abalado a imagem de paladina da ética que envolve a ex-senadora. “Pelo jeito, vai ser muito difícil de conseguir um tema que derrube a Marina”, prevê o professor Ricardo Caldas, da UnB.

Paulo Kramer vai além na avaliação do cenário eleitoral. Apesar de uma situação relativamente favorável na vida dos trabalhadores, em geral, com pleno emprego e aumento real de salário mínimo, o sentimento de mudança é forte na população. E fica mais evidente ainda na rejeição a classe política, o que abre espaço para visões superficiais do processo político brasileiro. “Nós sabemos que, em todas as democracias avançadas, há e deve haver um sistema partidário, com negociação política, conflitos. Mas, muitas vezes, para o público que não tem um nível de educação política mais apurado, os maus exemplos acabam gerando uma indignação perigosa e isso dá um certo pluspara candidatura Marina. Se ela falasse, por exemplo, que fecharia o Congresso Nacional, se eleita, seria uma consagração, ela sairia carregada, tamanho é esse sentimento anti-política”, ironiza o analista.

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