Papa Francisco lamenta grilagem de terras por multinacionais e Estados

Papa Francisco refere-se a uma situação particularmente comum na África, onde países como a China exploram vastas áreas para exportar comida para seu próprio mercado.

Papa Francisco refere-se a uma situação particularmente comum na África, onde países como a China exploram vastas áreas para exportar comida para seu próprio mercado.

*AFP

O papa Francisco denunciou nesta quinta-feira (11)  a grilagem de terras em países pobres por empresas multinacionais e de outros Estados, recomendando fortemente o apoio à agricultura familiar de subsistência, ao receber uma delegação da conferência da FAO.

“A grilagem de terras cultiváveis por empresas transnacionais e Estados continua a preocupar. Não só priva os agricultores de um bem essencial, mas atinge diretamente a soberania dos Estados. Em muitas áreas, os produtos alimentícios vão para no exterior e a população local se vê empobrecida duplamente porque não tem nem comida, nem terra”, ressaltou.

Francisco estava se referindo a uma situação particularmente comum na África, onde países como a China exploram vastas áreas para exportar comida para seu próprio mercado.

A FAO precisa “fortalecer projetos em favor das empresas familiares e estimular os Estados a regular de maneira justa o uso e posse da terra”, disse, denunciando o fato de que “em muitos países, as mulheres não podem possuir a terra que trabalham”.

“No Sul a produção local é substituída por mercadorias provenientes do estrangeiro, mesmo com a ajuda. A ajuda de emergência é insuficiente e nem sempre acaba em boas mãos. Isso cria uma dependência dos grandes produtores”.

Em registros que anunciam sua encíclica muito aguardada sobre a ecologia humana, “Laudato se”, a ser publicada em 18 de junho e que terá acentos tanto éticos quanto sociais, o Papa argentino falou de “educação para a nutrição adequada, o desperdício de alimentos que ocorre com um terço dos produtos alimentares e o uso não-alimentar dos produtos agrícolas, para alimentação animal e biocombustíveis”.

Um grande compromisso da comunidade internacional é necessário, de acordo com Francisco, para “mudar estilos de vida”. “A sobriedade não se opõe ao desenvolvimento, mas tornou-se sua condição.”

O Papa recebeu no Vaticano os participantes da 39ª Conferência das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), que está sendo realizada em Roma.

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