A crise no Brasil: por que Dilma Rousseff foi aos EUA?

“Quando ele quiser saber de qualquer coisa, ele liga para mim”, contou Dilma sobre compromisso de Obama. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

“Quando ele quiser saber de qualquer coisa, ele liga para mim”, contou Dilma sobre compromisso de Obama. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

*Diário Liberdade – Alejandro Acosta

A visita deveria ter acontecido em 2013, mas as revelações feitas pelo ex-agente da CIA e da NSA (Agência de Segurança Nacional), Edward Snowden, colocaram o governo do PT numa saia justa. A espionagem tem um caráter tão brutal que as autoridades brasileiras têm sido espionadas com a colaboração dos serviços de espionagem locais. O mesmo aconteceu até com a chanceler alemã, Angela Merkel, com a evidente colaboração dos serviços de inteligência locais.

Dois fatores impulsionaram a realização dessa visita, a crise da Administração Obama e a crise do governo do PT.

O governo do PT tem aumentado o aperto com o objetivo de aumentar os recursos para o setor financeiro, em detrimento da burguesia local. Essa pressão provocou o racha do PMDB e aumentou as tendências golpistas.

No ano passado, os recursos destinados ao chamado superávit primário (priorização do pagamento dos juros da dívida pública) foram de aproximadamente R$ 10 bilhões, após muitas manobras contábeis. O valor cheio, ou inicial, era de R$ 160 bilhões.

A direita ligada ao imperialismo aumentou o aperto contra o PT e impôs um maior controle da política econômica. A situação tem ficado dramática e o Brasil está mergulhando na recessão. Nada muito diferente do que aconteceu entre 1981 e 1983 com o então ministro da Fazenda, Delfim Neto.

O governo Dilma, que em grande medida é um governo do PMDB, busca, de maneira desesperada, recursos para manter os compromissos com o imperialismo. Uma das principais questões tratadas por Dilma na visita foi o chamado Plano de Investimentos em Logística, que entregará novos setores da economia por meio de concessões em áreas como aeroportos, portos, rodovias e ferrovias, avaliadas em R$ 198,4 bilhões.

Em outras áreas também foram prometidas concessões importantes e novos ataques contra os trabalhadores. O suposto objetivo seria “tornar o Brasil mais competitivo” por meio da redução dos direitos trabalhistas e os ataques contra a aposentadoria, a educação e saúde públicas, assim como os programas sociais em geral.

Na educação, serão priorizados os acordos com os monopólios que atuam no país, principalmente na área de tecnologia. No turismo, Dilma tenta voltar a acordar a eliminação do visto dos brasileiros nos Estados Unidos. Bom para os Estados Unidos que precisam desesperadamente de recursos e bom para o governo brasileiro que precisa facilitar os mecanismos migratórios, mesmo ilegais, para aumentar a descompressão que o aumento do desemprego está gerando no país. O exemplo da Europa está sendo observado de perto, com certeza. Mas o efeito colateral é que, somente no ano passado, o déficit do Brasil com o turismo foi de aproximadamente R$ 10 bilhões.

Por que o imperialismo norte-americano aperta o Brasil?

A Administração Obama se transformou numa espécie de rainha da Inglaterra, cercada, cada vez mais, pelos Republicanos, e principalmente pela extrema-direita agrupada no Tea Party, que controla as duas câmaras do Congresso e têm enorme influência no poder executivo.

No próximo ano, acontecerão eleições nacionais nos Estados Unidos. O grupo ligado a Obama tenta criar alguns fatos para facilitar a continuidade da política. Para isso, busca uma certa estabilização no Oriente Médio, a “detente” na Ucrânia e no Mar da China, ao mesmo tempo que busca aumentar a espoliação na América Latina, mantendo uma certa estabilidade social.

Para o próximo período, está colocado um novo colapso capitalista de gigantescas proporções que deverá impulsionar o movimento da classe operária mundial, após quase 30 anos de sono neoliberal. A base é a crise econômica, cujo aprofundamento a burguesia assiste estupefata.

Os monopólios tentam garantir os lucros a qualquer custo perante a pressão do colapso. Devido ao esgotamento da extração de lucros a partir da produção, a especulação financeira tem disparado e enfrenta a ameaça de implodir catapultada pelos trilhões de dinheiro podre repassados pelos bancos centrais.

A burguesia monopolista tenta se valer das políticas “democráticas” até onde for possível. Mas quando a situação política sai do controle não titubeia em aplicar golpes de estado pinochetistas, como ficou muito claro, recentemente, no Egito. Essa é também a base do crescimento da extrema-direita em todo o mundo.

No próximo período, o enfrentamento aberto entre a burguesia e os trabalhadores estará colocado à ordem do dia no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e no mundo.

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