Bacia do Rio Doce pode ser foco de Aedes Aegypti

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*por Rafaella Dotta, do Brasil de Fato

Médicos e pesquisadores estão preocupados com a proliferação de dengue, zika vírus e chikungunya nas cidades atingidas pelo rompimento da barragem da Samarco em Mariana. Os principais motivos são a matança dos predadores naturais das larvas do Aedes, junto ao acúmulo de água no leito do rio e nas casas, já que os problemas de abastecimento continuam.

O integrante do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) Guilherme Camponez está acompanhando a situação de Governador Valadares e afirma que durante as primeiras semanas não houve o cuidado com os reservatórios. “No caos que estava, posso dizer que as pessoas estavam mais preocupadas em conseguir água”, diz. Essas vasilhas podem ter servido como criadouros, alertam autoridades de saúde.

O número de casos ainda não aumentou, diz a médica Daiana Elias Rodrigues, que trabalhou de forma voluntária em Mariana. “É esperado que o número de pessoas infectadas vá aumentar, como em todo o Brasil, e a preocupação é que a vulnerabilidade da população está maior”, afirma. A Rede Nacional de Médicos e Médicas Populares está elaborando um diagnóstico das doenças e da situação da saúde no local. Já estão identificadas a hepatite, gastroenterite, diarreia e problemas psicológicos que, aliados a mais uma doença, poderiam ser fatais a algumas pessoas.

Além disso, afirma Sônia Maranho, do MAB, “a contaminação do rio matou animais predadores naturais das larvas do Aedes, como peixes e sapos”. A coordenadora do Programa Estadual do Controle da Dengue, Geane Andrade, concorda com a preocupação. “Com certeza, a fauna foi atingida de uma forma muito abrangente”.

Planos do governo

 O governo estadual reservou o aporte de R$ 36 milhões para o enfrentamento ao Aedes Aegypti, afirma Geane Andrade. Porém, os municípios atingidos pelo crime da mineradora não receberão tratamento diferenciado. O dinheiro se destina a campanhas informativas e o fortalecimento das equipes de vigilância em todas as cidades mineiras. Em comparativo com a população de Minas Gerais, o dinheiro resulta em R$ 1,80 por cidadão.

Mais casos devem acontecer em Minas Gerais

Representantes do Ministério da Saúde, Secretaria Estadual de Saúde, Secretaria Municipal, Fiocruz e pesquisadores participaram nos dias 15 e 16 de um seminário sobre a dengue, o zika vírus e o chikungunya, em Belo Horizonte. Foi a primeira iniciativa do país a reunir tantos setores governamentais e não governamentais para planejar o combate ao Aedes Aegypti.

O secretário executivo do Ministério da Saúde, José Argenor Alves, admitiu críticas em relação ao governo. “Fomos incompetentes na luta contra o Aedes”, confessa. “Pela primeira vez não estamos cometendo o erro de achar que o combate é função somente dos profissionais da saúde”, afirma. Essa ideia é reforçada pelo vice-presidente da Fiocruz Minas, Valcler Rangel Fernandes, que defendeu a criação de comitês formados pela própria população e o maior engajamento dos setores privados.

Como não há soluções comprovadas a nível prático, a campanha organizada pelos governos terá como foco o enfrentamento ao vetor, ou seja, o mosquito.

O perigo do zika e chicungunya

“Onde não chegou a chicungunya, vai chegar”, assegura o médico e professor da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul Rivaldo Venâncio da Cunha, que já atendeu dezenas de ocorrências no seu estado. O vírus causa inchaços e dores nas articulações impossibilitando que o paciente faça atividades cotidianas e pode durar mais de 2 anos e meio, conta o professor.

O zika é igualmente preocupante. Além da microcefalia em bebês, causa inchaços, coceiras, dores nas articulações e paralisias. Uma criança atendida pelo professor Carlos Brito, da Universidade Federal de Pernambuco, não falava, ouvia e nem respondia a nenhum sinal. Há inclusive possibilidade de óbito nesses casos.

O que fazer para prevenir?

– Tampar reservatórios de água
– Escovar os reservatórios uma vez por semana

Caso tenha larvas:

 – Eliminar a água
– Retirar larvas com pano e jogar em um lugar seco

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