Pessoas negras são as que mais morrem vítimas de AIDS

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*Saúde Popular

Segundo dados do Boletim Epidemiológico de Aids, HIV e DST do Município de São Paulo, o número de mulheres negras detectadas com HIV é três vezes maior do que o de mulheres brancas

A equidade de acesso e permanência das pessoas nos tratamentos públicos de saúde ligados à HIV/AIDs, é inexistente e obedece as diferenças sociais e raciais presentes na sociedade. Essa é a opinião de Celso Monteiro, pesquisador e membro do Programa Municipal de DST/AIDS da Secretaria de Saúde da cidade de São Paulo.

O Boletim Epidemiológico de Aids, HIV e DST do Município de São Paulo traz dados que comprovam que a população preta e parda apresenta maior vulnerabilidade ao HIV/Aids. ”Nesse quadro as mais vitimizadas são as mulheres negras que morrem mais do que homens brancos”, afirma Monteiro.

Na faixa etária de 25 e 39 anos, as mulheres brancas apresentam taxa de mortalidade por Aids de 9,5 por 100 mil e as mulheres pretas de 27,7 por 100 mil mulheres. Entre 40 aos 59 anos, a discrepância aumenta: 8,0 por 100 mil mulheres brancas e entre as pretas de 20,4.

Diferente das mulheres brancas que tem a sua maioria de detecções entre idosas, as mulheres negras estão contraindo o HIV em idade reprodutiva.

Entre os homens, o Índice de Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), aponta que a taxa de mortalidade entre homens brancos é 24,8 por 100 mil e entre os pretos é de 44,6 por 100 mil. Na faixa etária entre 40 e 59 anos esta proporção é ainda maior: entre os homens brancos a taxa é de 23,4 por 100 mil e entre os homens pretos de 46,5 por 100 mil no período de 2002/2004.

Na cidade de São Paulo, o boletim epidemiológico 2014 registra que no ano de 2013 o coeficiente de incidência de aids entre homens pretos foi de 59 por 100 mil, quase o dobro do observado entre brancos 35,8 por 100 mil.

Entrevista

Neste 27 de outubro, Dia de Mobilização Nacional Pró-Saúde da População Negra, a redação do Saúde Popular conversou com Celso para entender os números do Boletim Epidemiológico de Aids, HIV e DST que traz dados de 2013.

Saúde Popular: Quais são os motivos que levam pessoas negras morrem mais do brancas vítimas de AIDS?
Celso Monteiro: Não podemos ignorar que as pessoas chegam muito tardiamente ao serviço e quando chegam estão em estágio avançado. O diagnóstico de HIV é importante e não pode ser tardio. A falta de informação é imensa. As pessoas precisam conhecer o caminho, saber que temos testes gratuitos de HIV e tratamento. ara oferecer preservativo, teste e medicamento. Infelizmente em SP, a gente tem uma epidemia desigual. Enquanto os homens brancos se infectam mais com HIV, as mulheres pretas morrem mais de AIDS. Sejam porque chegam tardiamente ao serviço ou porque não permanecem.

Saúde: Você considera que aspectos sociais e políticos constroem essa discrepância?
C.M: Sem dúvidas, porque há tratamento público e gratuito. Mas ainda assim, as desigualdades de classe, gênero, raça e etnia estão presentes. Assim muitas pessoas não chegam a começar o tratamento e se começam, não permanecem.

Saúde: Como você enxerga as ações pautadas na Política Nacional de Saúde da População Negra com relação ao HIV/AIDS?
C.M: Em tese essas ações deveriam responder as demandas da população negra. A marca da dessa política é o enfrentamento ao racismo por meio do reconhecimento da existência do racismo institucional e como ele interfere no acesso e permanência dos serviços públicos. As pautas vão atravessando esse cenário, olhando o ambiente do serviço e reagindo ao que acontece nos aparelhos públicos e que impedem as pessoas de terem seu direito garantido.⁠⁠⁠⁠

Confira o boletim aqui.

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