Arquivo do mês: abril 2018

Cineclube Tela Preta traz às telas o protagonismo da mulher negra

O propósito do Coletivo é garantir  um olhar para as obras fílmicas sob uma outra perspectiva: a de quem FILMA  e para quem é FILMADO

A relação que as mulheres negras estabelecem com a presença e a ausência, o desafio de manter os laços familiares e a forma como elas percebem-se com o caminhar do  tempo,   são as reflexões que abordará  os próximos programas  do Cineclube Tela Preta, entre os dias 2 e 3 de maio, às 15h e 18H no Centro cultural de Plataforma. Com exibições seguidas de debates e a participação das (os) realizadoras (os), as sessões gratuitas visam promover a reflexão do processo criativo do cinema negro e a circulação das obras produzidas por sujeitos afrodescendentes.

 O Cine Tela Preta retorna na próxima quarta (2),  às 19h, com o  programa Ausências Presentes que conta com a exibição do  longa O dia de Jerusa (2014) de Viviane Ferreira e  o curta  Aquém das Nuvens (2011), de Renata Martins  Já na quinta (3)  teremos logo às 15h,  a roda de conversa sobre Políticas  Afirmativas no campo do audiovisual  e, às 19h, é a vez do programa Gestando Narrativas que traz as telas os curtas: Travessia (2017)Tia Ciata (2017) e  Mulheres Negras Projeto de Mundo (2017).

O projeto é mais uma idealização do Coletivo de Cinema Negro Tela Preta, uma organização que pauta a representatividade negra no campo do cinema e audiovisual, aprovado pelo Edital Setorial de Audiovisual – Desenvolvimento e Difusão do Fundo de Cultura, da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia e produzido pela Rebento Filmes, uma produtora de mulheres negras.

Ausências Presentes –  A relação com a presença e com a ausência, o tempo, a família, e o nosso tempo é o que busca mostrar este programa.   No curta paulista Aquém das nuvens (2017), de Renata Martins o enredo evidencia a relação de um casal ancião negro entrelaçando as ausências tão presente no longa O dia de Jerusa (2014), da cineasta baiana Viviane Ferreira cujo enredo é sobre a ausência da família na vida de quem está na terceira idade e a lacuna da afetividade. O programa Ausências Presente conta com a participação de Viviane Ferreira para debater as obras com o público.

Na quinta, dia 3, às 15h acontece a roda de conversa sobre políticas afirmativas no campo do audiovisual que busca refletir sobre o papel ativo da Agência Nacional de Cinema (ANCINE) na promoção da diversidade e equidade de gênero no audiovisual e contará com a presença do Coletivo de Cinema Negro Tela preta.  “Segundo os últimos dados preliminares não existia a presença de mulheres negras na direção e quando o assunto é elenco, as atrizes pretas representam apenas 4,4% do elenco principal de filmes brasileiros por isso compreender que é necessário pensar as políticas públicas a partir das correlações de forças existentes, afinal representamos metade da população deste País. ”.

ÀS 19H é a vez do programa Gestando e narrativas    uma sessão que trata sobre o processo de produzir novas narrativas a partir de perspectiva e olhares do Ser Mulher estabelecendo relações e semelhanças por meio do protagonismo da memória visual e a oralidade a partir da resistência negra e dos aspectos históricos e culturais protagonizados por mulheres negras.  Serão exibidos os curtas cariocas Tia Ciata (2017), de Mariana Campos e Raquel Beatriz e Travessia (2017) de Safira Moreira e o curta paulista Mulheres Negras Projeto de Mundo (2016) de Day Rodrigues e Lucas Ogasawara. A sessão contara com a participação da diretora carioca Safira Moreira que debatera com a plateia sobre as obras exibidas.

SERVIÇO:

O QUÊ: CINECLUBE TELA PRETA TRAZ ÀS TELAS O PROTAGONISMO  DA MULHER NEGRA

QUANDO: 2 e 3 de MAIO, às 19h;

COMO: Exibição com debate e formação de público e uma roda de conversa sobre Politicas afirmativas no Campo do audiovisual;

ONDE: CENTRO CULTURAL DE PLATAFORMA;

QUANTO CUSTA?: #0800.

**Mais informações:

Eduardo Machado

Assessoria de Comunicação

Contato: 7199130-4391/ 98181-2404

Email: movimentotelapreta@gmail.com

Anúncios

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Liberdade e Luta: considerações sobre uma trajetória política. Brasil, anos 1970

*Mirza Pellicciotta – IFCH/UNICAMP – 2010

Páginas 344 a 346

 

“A memória, onde cresce a história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro. Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a servidão dos homens”. (Jacques Le Goff)

 

O início da década de 80 – diversificação

 

O Congresso da UEE, realizado em junho de 1980, além da plataforma política e educacional, aprovou os estatutos da entidade. Nos dias 24 e 25 de setembro, aconteceu nova eleição para a diretoria, desta vez disputada por três chapas. Foi eleito presidente o estudante Patrício Prado Filho, da USP.

Em 1981, a UNE convocou uma greve nacional de dois dias reivindicando a suplementação de verbas do MEC para as universidades públicas, índice máximo de 39,4% de aumento para as anuidades das faculdades particulares, anistia dos devedores, garantia de 1/5 de representes estudantis nos órgãos colegiados, diretas para reitor, reconhecimento das entidades estudantis, entre outras. Em São Paulo, o comando de greve da UEE é montado no Centro Acadêmico Oswaldo Cruz – CAOC – da USP. Atividades culturais, seminários e debates acontecem em todo o Estado.

Entre as bandeiras gerais que ganharam corpo nesse período estava a luta pela Constituinte Livre e Soberana, como foi divulgado no Jornal da UEE de março de 1981: “A Assembleia Nacional Constituinte, livre, soberana e democrática é a bandeira que responde hoje aos anseios do povo brasileiro e dos estudantes, porque coloca a questão do poder, propõe a luta contra o regime como um todo e não contra aspectos isolados de sua política social e econômica. Constituinte significa abrir caminho para a liberdade de manifestação, expressão e organização do povo brasileiro”.

Ao lado da luta política, a UEE estava preocupada em ampliar o alcance de suas atividades e criou, em 1981, o Departamento de Esportes da UEE, reafirmando a inclinação do movimento estudantil por diversificar suas frentes de atuação (educação, esporte, cultura, lazer). O presidente da Atlética da Unicamp, Flávio Dias Patrício, estudante de Estatística, foi indicado para coordenar o departamento que deveria realizar atividades junto a Federação Universitária Paulista de Esportes – FUPE, o 1º torneio Estadual de Vôlei, o 1º Seminário Paulista de Esporte Amador e torneios regionais. Desenvolveu na recepção dos calouros deste ano a campanha contra o trote violento sob o lema: Trote Físico ou Trote Cultural?, realizando debates em várias universidades. A iniciativa foi uma resposta à morte de um calouro na cidade de Mogi das Cruzes, em 1980.

No segundo semestre, a eleição para a diretoria da UEE teve a participação de 78 mil estudantes, saindo vitoriosa a chapa Renovação, com um total de 20.783 votos. O estudante de jornalismo da faculdade Metodista Carlos Alberto de Oliveira foi eleito o primeiro negro para presidir a UEE-SP. As propostas da chapa tinham como centro a defesa de uma UEE de massa. A principal pauta era a defesa de subsídios para as universidades particulares e suplementação de verbas para as públicas.

Logo após a eleição, aconteceu em 31 de outubro e 01 de novembro o Conselho Estadual de Entidades da UEE, no CAOC, para discutir a intervenção na UNICAMP, o despejo dos moradores da Residência Estudantil de São Paulo – Resp, a participação dos paulistas no Congresso da UNE e as atividades dos departamentos da UEE.

A gestão de Carlos Alberto foi mesmo de diversificação. Nela aconteceu o 1º Acampamento da UEE, em Ubatuba, com a participação de grupos teatrais, musicais e a presença dos DCE‘s da USP e PUC-SP. No dia 08 de maio de 1982, se realizou o 1º Encontro de Cultura da UEE, no teatro Ruth Escobar. Participaram dos debates pessoas ligadas a Cultura entre os anos 60 e 70, para discutir temas como CPC da UNE, o Teatro Oficina, de Arena e Opinião. Durante o Encontro, a UEE apresentou seu “Programa Cultural 82”. Na ocasião, o diretor de Cultura da UEE, Alonso Lopes, disse que a entidade era contra a censura e a ignorância, o imperialismo cultural norte americano e em defesa da cultura nacional e popular.

O 4º Congresso da UEE aconteceu nos dias 17,18 e 19 de setembro, em São Caetano do Sul, no IMES. Nele, muitas atividades destacaram a luta que o movimento estudantil em todo país fazia contra a expulsão do presidente da UNE, Javier Alfaya, ameaçado de extradição pelo governo brasileiro para sua terra natal, a Espanha. Entre as deliberações do Congresso, que teve 530 delegados inscritos, aprovou-se a indicação de votar contra os candidatos do PDS – Partido Democrático Social nas eleições de novembro. Foi, também, eleito para presidente da entidade Flávio Dias Patrício. Atendendo as determinações do Congresso, a UEE lança no dia 20 de outubro a campanha “Vote na oposição! Contra o PDS”.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Vereador Hilton Coelho (PSOL) denuncia violência contra quilombolas em Lauro de Freitas

*Ascom HC

Na manhã do dia 11, quarta-feira, lideranças do Quilombo de Quingoma, em Lauro de Freitas, foram vítimas de atos de violência de grileiros da região. A liderança Ana Lúcia Silva teve a cerca da entrada de sua terra derrubada, com arames farpados cortados, durante a madrugada. Dias antes, no domingo, dia 08, homens adentraram pela madrugada a sua terra e tentaram forçar a porta de entrada da casa, sem obter sucesso. O vereador Hilton Coelho acompanha desde 2013 o processo de regularização e auxilia no combate à violência.

“Tais violências são de mais um capítulo na história constante assédio e violência contra o Quilombo de Quingoma, em sua luta pela demarcação de seu território. Áreas da associação já foram incendiadas, animais foram mortos ou envenenados, o que tem impedido os quilombolas de criar estes animais e garantir, assim, o seu sustento. A própria Ana Lúcia já teve sua residência invadida por homens armados em 2013, que lhe ameaçaram de morte, caso continuasse com a luta no Quilombo”, denuncia o vereador Hilton Coelho (PSOL).

O legislador conclui afirmando que “todas estas ações têm por objetivo a expulsão dos integrantes do Quilombo e são realizadas por grileiros conhecidos da região que pretendem tomar as terras dos quilombolas. Trata-se de mais uma liderança dos movimentos sociais ameaçada, como tem ocorrido em vários lugares do país. É preciso que a prefeita de Lauro de Freitas, Moema Gramacho (PT) e o governador Rui Costa (PT) tomem as providências necessárias para protegerem os quilombolas e evitar o assassinato de mais uma lutadora do povo. É preciso que se acelere o processo de demarcação e titulação do Quilombo de Quingoma, garantindo-lhes a posse regular de suas terras”.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação