Arquivo do mês: abril 2020

Alerta APIB #11 #Covid_19 e povos indígenas

Brasil, quinta-feira, 30 de abril de 2020

O (des)governo Bolsonaro publicou no dia 22 de abril outra medida anti-indígena. No meio de uma crise sanitária que ameaça causar um novo genocídio aos povos indígenas, a Fundação Nacional do Índio (Funai), emitiu a Instrução Normativa nº 9 que permite legalizar o crime de grilagem dentro de áreas indígenas. Uma medida inconstitucional e criminosa, que agrava ainda mais a violência contra os povos indígenas e incentiva o aumento de crimes ambientais.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e suas organizações de base exigem a imediata anulação desta instrução normativa. Mais uma vez o governo de forma criminosa rasga a Constituição Brasileira, que garante aos povos indígenas o direito originário ao território tradicional, para atender aos interesses do agronegócio, grileiros, latifundiários e mineradoras.

O Ministério Público Federal (MPF) emitiu, ontem (29), recomendação feita por 49 procuradores de 23 estados para Funai anular a Normativa nº 9. A medida descumpre decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e de Cortes Internacionais que reconhecem os nossos direitos. Esta norma do governo também desrespeita a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas.

A pandemia da Covid-19 já chegou em 20 povos indígenas no Brasil. Não estamos enfrentando apenas um vírus. Junto com o aumento de casos de indígenas infectados e mortos pela Covid-19 está o crescimento de assassinatos das nossas lideranças e o aumento das invasões de madeireiros, garimpeiros, missionários e grileiros em nossas terras. O isolamento social recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) não pode ser um privilégio de poucos. Nesta quarta-feira (29), um projeto de lei que prevê atenção especial aos povos indígenas devido à pandemia foi aprovado para tramitar com urgência no Congresso Nacional.

Estamos no último dia do Acampamento Terra Livre (ATL). Nesta 16ª edição feita online, levantamos tal alerta e reforçamos a necessidade de anularmos esta nova medida da Funai. Querem nos negar o direito de viver há mais de 520 anos, mas não iremos permitir que isso aconteça jamais.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Sobre um presidente genocida e sobre a responsabilidade extensiva de quem se omite ou é conivente

Psicopatia é uma insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso – Foto: José Cruz/Agência Brasil

 

“E daí?”. Em artigo, Roberto Antônio Liebgott analisa os discursos e ações do presidente da república diante a pandemia do Coronavírus. Para o missionário do Cimi, “o genocídio, que foi anuncio, se presentifica” diante descaso do governo federal.

Por Roberto Antônio Liebgott*, para Desacato. info

O presidente da República, quando perguntado sobre os alarmantes índices de morte de pessoas pelo Covid19, retrucou: “E daí? Lamento. Quer que eu faça o quê? Eu sou o Messias, mas não faço milagre”. E os sobreviventes dessa doença que o presidente chamou de gripezinha dirão o quê sobre essa afirmação? O que devem dizer um pai e uma mãe, a avó e o avô, o irmão e a irmã de uma vítima dessa doença devastadora? O que passa na mente e no coração das pessoas que são conscientes do lugar onde vivem e ocupam na sociedade, na comunidade, na família quando ouvem o presidente – que deveria zelar pelo Sistema Único de Saúde, assegurar recursos financeiros, infraestrutura, medicamentos, leitos, profissionais e equipamentos de prevenção, proteção e segurança – desdenhar da dor, sofrimento e morte daqueles que deveria se preocupar e zelar?

Os tempos são sombrios. O mundo todo está em alerta permanente e os governantes, pelos quatro cantos do planeta, lutam a fim de encontrar saídas econômicas para assistir e proteger suas populações e para encontrar tratamento e cura para a doença. Na maioria dos países, os agentes de estado não pensam em outra coisa que não na busca de soluções em contexto de pandemia e no bem estar das pessoas. Mas no Brasil não, aqui temos um psicopata no comando do país, ocupado em salvar seu clã de corruptos de investigações criminais, em criar crises políticas, em propagar atitudes irresponsáveis e em debochar daqueles que não tem outra escolha além de arriscar-se para ter o que comer. Ao que parece, ele tem como objetivo perpetuar-se num esquema de poder que se pretende totalitário. Nas imagens cômicas, nos memes, nos cartoons que circulam como forma de protesto, Bolsonaro lidera um rebanho, conduz o gado, e essas imagens são alegóricas de seguidores ferrenhos de Bolsonaro que, contra todas as evidências de irresponsabilidade na gestão do país, ainda seguem o seu “mito”.

Obviamente a população brasileira não é uma manada, um rebanho. Há contextos sociais, culturais, políticos e econômicos muito diferenciados e temos uma sociedade multicultural. Há protestos, panelaços, manifestações explícitas de descontentamento, de desalento, de repúdio contra os atos deste presidente e contra o veemente deboche que ele manifesta quando se solicita esclarecimentos do chefe de estado. Mas há também aqueles que se reconhecem nas falas, no deboche, na irreverencia irresponsável de Bolsonaro. Há aqueles que enxergam, no presidente da república – com suas ideias e concepções sobre cultura, educação, religião, política e economia – a expressão de seu próprio rosto.

O presidente representa, para uma boa parcela da população, um tipo de sujeito hostil e rancoroso que se escondia nos porões do pensamento comum, enquanto a maioria das pessoas lutava para construir outras perspectivas de relacionamento, outras percepções de mundo, buscando valorizar as liberdades e os direitos individuais e coletivos e lutando para solidificar as bases de uma sociedade democrática. O pensamento fascista sempre se esgueirou por entre as tramas de um pensar democrático, sobreviveu na surdina, ferindo sem alarde aqueles que estavam ao seu alcance, até encontrar condições oportunas para mostrar a cara. Bolsonaro se elegeu presidente mobilizando esses sentimentos rancorosos, ativando discursos de ódio, permitindo a emergência e a clara explicitação do que antes não era aceitável, não se podia dizer em voz alta, do lado mais perverso e desprezível daqueles lobos em pele de cordeiro.  E efetivamente ele governa para lobos, enquanto age como se conduzisse manadas. Não são os rancorosos do dia a dia, aquele vizinho ou parente que agora se orgulha dos atos do presidente, que se beneficiam dos desmandos de Bolsonaro, e sim aqueles que sempre obtiveram lucro, que enriquecem com a exploração dos trabalhadores, que não podem abrir mão, nem em tempos de pandemia, de seus ganhos abusivos.

A pandemia que assola o Brasil, mata mais do que na maioria dos outros países e não por acaso.

Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

CONIC, CBJP e CNLB: Afastar o presidente para salvar vidas e a democracia

Foi emitida no dia 24 de abril uma nota conjunta onde a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP), Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNLB) e o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) manifestam-se defendendo o imediato afastamento do presidente da República em nome da preservação da democracia e da necessidade urgente de salvar vidas frente à pandemia de Coronavírus. Também subscrevem a nota o Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán (CDVDH) e outras 15 seccionais da omissão Justiça e Paz vinculadas a dioceses e arquidioceses. Confira a íntegra da nota:
Afastar o presidente para salvar vidas e a democracia
Vivemos uma crise sem precedentes. Já são 195.000 mortos no mundo e 3.670 no Brasil por conta do novo coronavírus. A velocidade da pandemia está aumentando no Brasil e os cientistas, médicos e especialistas anunciam milhares de óbitos nos próximos dias. Junto com a pandemia, aprofunda-se a crise socioeconômica. Desemprego e fome – que já estavam presentes na vida de uma grande parte da população brasileira – agravam-se de forma alarmante. Os mecanismos de enfrentamento da crise ainda são insuficientes para o povo. A prioridade do governo federal tem sido os banqueiros e grandes empresários.
Diante da mais grave crise sanitária do século, o presidente da República continua agindo irresponsavelmente e não propõe unir e liderar a nação no combate à doença. Ao contrário, prega o conflito, aposta na desinformação e nega o valor científico das medidas recomendadas pelas autoridades sanitárias e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Está em permanente contraposição às ações dos governadores e dos prefeitos, dá exemplos inconsequentes contra a quarentena e vetou parte da lei aprovada no Congresso, que garante um auxílio emergencial aos necessitados. Criou uma burocracia desumana e excluiu milhões do auxílio que está chegando atrasado.
A irresponsabilidade se transformou em crime quando coloca em risco a vida das pessoas e quando participa e apoia manifestações que pregam o retorno a uma ditadura e do AI-5 em confronto direto com a Constituição Federal.
No dia 19 de abril o ataque presidencial teve como destino a Constituição Federal e as instituições democráticas. Neste dia, o crime foi documentado no comício que o presidente da República participou na frente do Quartel General do Exército em Brasília, organizado para pregar o golpe e atiçar o povo contra as instituições democráticas, especialmente contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. A participação do presidente ainda motivou movimentos semelhantes em outras cidades e que também se expressaram no ódio e violência covarde contra mulheres.
As ações praticadas pelo presidente da República são tipificadas como crime de responsabilidade, crime comum, ofensa à Lei 7.170/83, entre outras. Os fatos ocorridos agora colocam na ordem do dia a necessidade de um posicionamento claro das instituições e da sociedade civil quanto ao afastamento do presidente da República. A Constituição Federal abriga duas formas. A infração penal cometida pelo presidente gera o afastamento imediato para a investigação e é julgada pelo Supremo Tribunal Federal. O crime de responsabilidade gera a possibilidade do impeachment e seu julgamento ocorre no Congresso Nacional.
Qualquer que seja a forma constitucional, não devemos ser omissos ante a gravidade da situação, por isso conclamamos a sociedade civil e as instituições democráticas da República a agirmos com rapidez em defesa da vida e da democracia. A demora custará mais vidas e ameaça cada dia mais a democracia.
Brasília (DF), 24 de abril de 2020
Comissão Brasileira Justiça e Paz
Conselho Nacional do Laicato do Brasil – CNLB
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC
Comissão Brasileira de Justiça e Paz Secção do Ceará – NE 1
Comissão Justiça e Paz da CNBB Regional Norte 2 – PA e AP
Comissão Regional de Justiça e Paz de Mato Grosso do Sul – CRJP-MS
Comissão Justiça e Paz de São Paulo – CJP-SP
Comissão Justiça e Paz de Brasília – CJP-DF
Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de São Luís – MA
Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Olinda e Recife – PE
Centro de Defesa da Vida e dos Direitos Humanos Carmen Bascarán – CDVDH/CB de Açailândia – MA
Comissão Diocesana Justiça e Paz de Barreiras – BA
Comissão Justiça e Paz da Arquidiocese de Londrina – PR
Comissão Arquidiocesana de Justiça e Paz de Juiz de Fora – MG
Comissão Justiça e Paz de Santarém – PA
Comissão Justiça e Paz de Belém – PA
Comissão Justiça e Paz de Porto Velho – RO
Comissão Justiça e Paz “Margarida Alves” – Zona Leste de Porto Velho – RO
Comissão Justiça e Paz “Dom Luciano Mendes” de Candeias do Jamari – RO

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Nova vergonha: #Bolsonaro anula nomeação de Ramagem como diretor-geral da PF

Quer passar esta vergonha no débito ou no crédito? Presidente tomou decisão após STF suspender nomeação.

*Agência Brasil

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) suspender o decreto de nomeação e a posse de Alexandre Ramagem como novo diretor-geral da Polícia Federal (PF), o presidente Jair Bolsonaro decidiu anular a nomeação do delegado para o cargo. O novo decreto, que torna a nomeação “sem efeito”, foi publicado em edição extra do Diário Oficial da União, na tarde desta quarta-feira (29).

No mesmo ato, Bolsonaro também tornou sem efeito a exoneração de Ramagem do cargo de diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).

Ramagem havia sido nomeado ontem (28) para a chefia da PF no lugar de Maurício Valeixo, demitido no último dia 24.

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendeu a um pedido feito pelo PDT por meio de um mandado de segurança para suspender a nomeação e a posse de Ramagem. Na decisão, o ministro citou declarações do ex-ministro da Justiça Sergio Moro, que ao deixar o cargo, na semana passada, acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir politicamente na PF.

Alexandre de Moraes citou também trecho do pronunciamento de Bolsonaro feito no mesmo dia, após as declarações de Moro, em que o presidente contou ter se queixado ao então ministro da Justiça por não receber informações oriundas da PF.

A Advocacia-Geral da União (AGU) chegou a informar que ainda estudava que medida seria adotada para reverter a liminar do STF.

Com o decreto de Bolsonaro, Ramagem volta a comandar a Abin e o cargo de diretor-geral da PF fica vago novamente.

A cerimônia de posse de Ramagem estava marcada para esta quarta, no Palácio do Planalto. Continuam previstas para esta tarde a posse de André Mendonça, que ocupa o comando do Ministério da Justiça e Segurança Pública com a saída de Sergio Moro, e de José Levi Mello do Amaral Júnior que vai para a AGU no lugar de Mendonça. Também nomeado ontem, Levi estava no cargo procurador-geral da Fazenda Nacional.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Um em cada 4 brasileiros não tem acesso à internet, mostra pesquisa

Tudo é fácil na Internet apenas para uma parcela da população. Mais de 46 milhões de brasileiros não têm acesso a rede.

*Agência Brasil

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – Tecnologia da Informação e Comunicação (Pnad Contínua TIC) 2018, divulgada hoje (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que uma em cada quatro pessoas no Brasil não tem acesso à internet. Em números totais, isso representa cerca de 46 milhões de brasileiros que não acessam a rede.

Os dados, que se referem aos três últimos meses de 2018, mostram ainda que o percentual de brasileiros com acesso à internet aumentou no país de 2017 para 2018, passando de 69,8% para 74,7%, mas que 25,3% ainda estão sem acesso. Em áreas rurais, o índice de pessoas sem acesso é ainda maior que nas cidades, chega a 53,5%. Em áreas urbanas é 20,6%.

Quase a metade das pessoas que não têm acesso à rede (41,6%) diz que o motivo para não acessar é não saber usar. Uma a cada três (34,6%) diz não ter interesse. Para 11,8% delas, o serviço de acesso à internet é caro e para 5,7%, o equipamento necessário para acessar a internet, como celular, laptop e tablet, é caro.

Sem serviço

Para 4,5% das pessoas em todo o país que não acessam a internet, o serviço não está disponível nos locais que frequentam. Ou seja, mesmo que queiram, não conseguem contratar um pacote de internet. Esse percentual é mais elevado na Região Norte, onde 13,8% daqueles que não acessam a internet não têm acesso ao serviço nos locais que frequentam. Na Região Sudeste, esse percentual é 1,9%.

“Então, talvez, para poder abranger, aumentar esse acesso à internet a toda a extensão do país, investir na questão da disponibilidade na Região Norte seja um caminho”, diz a gerente da Pnad Contínua, Maria Lucia Vieira.

A pesquisa aponta também desigualdades entre áreas rurais e urbanas. O percentual de moradores de áreas rurais que não utilizam a internet porque o serviço não está disponível é 12%, dez vezes maior que a da área urbana, 1,2%. Já o índice daqueles que dizem ser caro o equipamento necessário chega a 7,3% na área rural, enquanto nas cidades é 5%.

Entre 2017 e 2018, no entanto, tanto na área rural quanto na urbana o percentual de pessoas que utilizaram a internet cresceu. Passou de 74,8% para 79,4%, em áreas urbanas, e de 39% para 46,5%, em áreas rurais.

Internet em casa

O índice de domicílios com acesso à internet também aumentou entre 2017 e 2018, passando de 74,9% para 79,1%. “O crescimento mais acelerado da utilização da internet nos domicílios da área rural contribuiu para reduzir a grande diferença em relação aos da área urbana”, diz o texto. De 2017 para 2018, o percentual de domicílios em que a internet era utilizada passou de 80,2% para 83,8% em área urbana e de 41% para 49,2% na área rural.

Em relação à renda, nas casas onde havia acesso à internet, o rendimento médio por pessoa era R$ 1.769, quase o dobro do rendimento nas casas daqueles que não acessavam a rede, que era R$ 940.

Esta é a terceira vez que a (Pnad) compila dados sobre Tecnologia da Informação e Comunicação. Os dados referem-se ao quarto trimestre de 2018. A pesquisa trata do acesso à internet e à televisão nos domicílios particulares permanentes e do acesso à internet e à posse de telefone móvel celular para as pessoas de 10 anos ou mais de idade, o que equivale a um total de cerca de 181,9 milhões de pessoas.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

A tragédia e a farsa – a ascensão das direitas no Brasil contemporâneo

Editora Expressão Popular

O tema deste livro é a velha direita que domina, cria hegemonia e se transforma em “nova direita”, organizada em torno de aparelhos de ação política e ideológica. […] O livro permite ao leitor compreender que a dominação burguesa não se mantém apenas por herança política. Ela é, sim, fruto de extensa e dedicada organização dos aparelhos de hegemonia privados, das classes dominantes. […] O livro vai mostrar ao leitor inúmeros aparelhos organizativos da burguesia, suas formas de atuação e multiplicação, suas insistentes pautas, e inclusive seus conflitos internos.

Ao fim e ao cabo restará uma certeza, há uma nova forma de dominação e parcelas da velha burguesia se renovam, ou são atropeladas pelo novo que busca mesmo é implantar o velho: a dominação, o enxugamento de direitos, a garantia do lucro acima de tudo. Institutos, centros de estudo, revistas, think tanks, se articulam em ações pelo país afora e internacionalmente, pois o capital não admite fronteiras. O Estado como pano de fundo permite os novos reordenamentos do pensamento liberal organizado e fazendo sentido prático nas diversas frações de classe burguesas que esperam lucrar a qualquer preço e a conta vai ser paga pela classe trabalhadora.

O livro propicia uma leitura indignada, mas, sobretudo, altamente instrutiva para desvendar os desafios que temos a enfrentar na nova quadra histórica que se coloca a nossa frente, onde o fascismo mostra a cara sem máscaras.

(Carla Luciana Silva, professora de História da Unioeste)

Adquira por apenas R$ 20,00 o livro na Expressão Popular ou baixe gratuitamente em PDF no link abaixo

A Tragédia e a Farsa

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

O mundo e o Brasil precisam aprender com a pandemia #Covid_19

ASA

Um vírus vem assombrando o Brasil há algumas semanas, embora o problema já se alastre no mundo desde o final de 2019. A perda de vidas, o alto risco de contágio e o impacto na economia tem provocado um verdadeiro caos social, seja nos grandes centros urbanos ou nas mais longínquas comunidades ao redor do mundo.

O coronavírus já existia e atingia animais, inclusive não é de hoje que existe vacina usada, por exemplo, em cães e gatos. Porém, o vírus passou por uma mutação, contaminando seres humanos, que ainda não contam com vacinas nem com tratamento específico. Devido a interação de pessoas entre os países, rapidamente o vírus se espalhou e começou a assustar devido ao alto índice de contaminação e mortes, inicialmente no continente asiático, mais precisamente na China, depois na Europa, mas se espalhando pela maioria dos cerca de 200 países registrados pela Organização das Nações Unidas.

O planeta passou a vivenciar as consequências de uma pandemia, ou seja, quando um vírus ou algo semelhante causa um problema de saúde pública em proporção mundial. A pauta tomou conta dos Meios de Comunicação de Massa, das mídias sociais, das conversas de famílias, no trabalho, em todos os continentes. A rotina das pessoas e instituições públicas e privadas precisou da intervenção do Estado, que tomou medidas de prevenção e combate ao vírus.

Há várias semanas, muitos indivíduos lutam contra o Covid-19 nos leitos de hospitais ou mantém-se em total isolamento por ser mais um/uma suspeito/a nas estatísticas. Profissionais de saúde se dividem entre o medo e a necessidade de cuidar das outras pessoas e boa parte da humanidade aderiu a campanha #FiqueEmCasa.
Continuar lendo

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

41 casos do COVID-19 confirmados em Moçambique

OMS – Maputo – Em Moçambique, subiu para 41 o número de casos confirmados de COVID-19 anunciou, hoje, a Directora Nacional de Saúde Pública, Dra. Rosa Marlene, na conferência de imprensa diária de actualização da situação da pandemia do novo coronavírus.

Até hoje, 22 de Abril de 2020, em Moçambique, foram testados 1.247 casos suspeitos dos quais 84 nas últimas 24 horas. Dos novos casos testados, 82 revelaram-se negativos e 2 positivos para o coronavírus. Portanto, o nosso País tem, actualmente, 41 casos positivos, sendo 33 de transmissão local e 8 importados”, explicou a Directora Nacional de Saúde.

Os dois casos estão, também, ligados à investigação em curso na Província de Cabo Delgado. Ambos são de nacionalidade sul-africana com idades compreendias entre 30 e 50 anos. Os dois tiveram contactos com duas pessoas infectadas no acampamento de Afungi, em Cabo Delgado. Ambos não apresentam sintomatologia e encontram-se em isolamento no acampamento de Afungi, a serem seguidos pelas equipas médicas.

Neste momento, decorre o processo de mapeamento dos contactos destes casos”, assegurou a Dra. Rosa Marlene.

Dos 84 casos testados, nas últimas 24 horas, 47 são da Cidade de Maputo, 10 da Província de Maputo, 2 da Província de Manica, 3 da Província de Tete e 22 da Província de Cabo Delgado.

É importante que todos, sem excepção, contribuamos para a prevenção do COVID-19, através da tomada de medidas simples, no nosso dia-a-dia.  Estas incluem lavar, regularmente, as mãos com água e sabão; tossir com o cotovelo dobrado “em V” em frente da cara ou tapando o nariz e a boca com um lenço de papel e deitando, sempre depois do uso, o lenço de papel num balde de lixo com tampa; manter uma distância social de pelo menos um metro, especialmente, se a pessoa estiver a tossir; evitar tocar os olhos, nariz e a boca e procurar a atenção médica o mais cedo possível, se a pessoa tiver febre ou tosse ou se estiver com dificuldades para respirar.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

Maior encontro dos povos indígenas do Brasil será on-line

Para enfrentar as ameaças da pandemia da covid-19, a 16ª edição do Acampamento Terra Livre, acontece virtualmente entre os dias 27 e 30 de abril

Cimi – O Acampamento Terra Livre é o evento em que povos indígenas de todo o País se reúnem para fortalecer a luta e a resistência do movimento indígena.

Esse ano, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) convoca uma mobilização virtual para realizar a 16ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL). Diante da nova ameaça causada pela pandemia da covid-19, do crescimento das invasões nos territórios indígenas, do aumento de assassinatos e criminalização de lideranças, o formato virtual do encontro pretende alertar sobre a real possibilidade de um novo genocídio e denuncia o descaso do Governo Bolsonaro em garantir a proteção de nossos povos ancestrais.

A programação do evento terá início na segunda-feira, dia 27, a partir das 9h, e transmitirá encontros, reuniões, lives, pajelança, cantos, danças tradicionais, mostra de filmes indígenas, debates entre mulheres de diferentes etnias, além de mesas com grandes lideranças, indigenistas, antropólogos e outras interações que conectam povos de todo o Brasil no ambiente online.

Nos painéis de discussões, os temas variam entre “Saúde indígena e o racismo institucional”, “Os povos indígenas em tempos de Coronavírus”, “Agenda LGBTQ + Indígenas”, “Enfrentamento às mudanças climáticas, aumento do desmatamento e o impacto no pós-pandemia”, “Direitos Indígenas, violações e  autoritarismos”, “Os processos migratórios dos povos indígenas no Acre e a covid-19”, “Histórias sobre as primeiras retomadas no sul do Brasil”, “Mesa internacional”, entre muitos outros.

Em tempos em que o isolamento social incentiva as criminosas invasões de madeireiros, garimpeiros, missionários e grileiros nas Terras Indígenas, quando a violência e os ataques aos territórios só aumentam e o governo federal acintosamente desarticula instituições importantes na defesa dos povos, como IBAMA e FUNAI; a APIB e a MNI (Mobilização Nacional Indígena) convocam a sociedade brasileira para participar do ATL 2020, que representa a luta e a resistência dos indígenas do Brasil.

“O alerta está dado, a luta indígena é urgente e a sociedade precisa apoiar essa causa, que é de todos nós”, convida Sônia Guajajara, coordenadora da APIB.

O evento é organizado pela APIB e suas organizações de base junto à MNI  – e as organizações que a compõem.

 

Serviço:

Data: de 27 a 30 de abril de 2020

Onde: nas redes sociais da APIB (Articulação dos Povos Indígenas do Brasil)

A programação será hospedada no site http://apib.info/

Contato à imprensa:

Yaponã Bone (99) 98126 4090

Caio Mota: (65) 99686 6289

Canais:

Youtube: https://bit.ly/2VQtwvd

Instagram: @apiboficial

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação

#Covid_19: Continente africano registra 10 mil casos da doença

O número de casos confirmados de Covid-19 em África aumentou para mais de 10 mil e causou mais de 500 mortes. Embora o vírus tenha atingido lentamente o continente em comparação com outras partes do mundo, a infecção cresceu exponencialmente nas últimas semanas e continua a propagar-se.
O primeiro caso em África foi registrado no Egito, em 14 de fevereiro, a partir de viajantes que regressavam de focos de infecção na Ásia, na Europa e nos Estados Unidos. Desde então, um total de 52 países, até o dia 7 de abril, notificaram casos. Inicialmente, principalmente confinados às capitais, um número significativo de países em África estão agora a notificar casos em múltiplas províncias.
“A Covid-19 tem o potencial não só de causar milhares de mortes, mas também de desencadear uma devastação econômica e social. A sua propagação para além das grandes cidades significa a abertura de uma nova frente na nossa luta contra este vírus”, afirmou o Dr. Matshidiso Moeti, Director Regional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para África, lembrando que a situação exige uma resposta descentralizada, adaptada ao contexto local.
A OMS está a trabalhar com os governos de toda a África para aumentar as suas capacidades em áreas críticas de resposta, tais como coordenação, vigilância, testes, isolamento, gestão de casos, rastreio de contatos, prevenção e controlo de infecções, comunicação de riscos e envolvimento da comunidade, e capacidade laboratorial. Gana, Quênia, Etiópia, Egito, Marrocos, Tunísia e Nigéria alargaram os testes nacionais a múltiplos laboratórios, permitindo a descentralização dos mesmos.
Estas medidas combinadas garantirão a rápida identificação dos casos, a localização e quarentena dos contatos e o isolamento e tratamento dos doentes. É também crucial que as pessoas disponham de informações precisas que promovam comportamentos saudáveis. A proteção dos profissionais de saúde é uma componente vital da resposta e, quando os governos implementam medidas de distanciamento físico, devem ser tidas em conta as necessidades básicas das pessoas.
“A África ainda tem uma oportunidade de reduzir e retardar a transmissão de doenças. Todos os países devem acelerar e intensificar rapidamente uma resposta global à pandemia, incluindo uma combinação adequada de medidas comprovadas de saúde pública e de distanciamento físico. No âmbito desse processo, os Estados-Membros devem visar o controlo efetivo do surto, mas planear o pior”, afirmou o Dr. Ahmed Al-Mandhari, Diretor Regional da OMS para o Mediterrâneo Oriental.
De acordo com o dirigente, o isolamento precoce de todos os casos, incluindo os casos ligeiros, é uma das principais medidas de controlo, juntamente com a detecção precoce, o tratamento precoce e o rastreio dos contatos. Dados epidemiológicos oportunos e precisos são uma das ferramentas mais importantes para informar e impulsionar a resposta.
Existe preocupação quanto ao impacto da pandemia em países com sistemas de saúde frágeis e em países com situações de emergência complexas. A comunidade internacional deve alargar o apoio técnico e financeiro a estes países, a fim de reforçar as capacidades de resposta para minimizar a propagação do surto. Alguns países em África podem não dispor de capacidade adequada de unidades de cuidados intensivos, tais como camas, ventiladores e pessoal com formação.
É fundamental que os países façam tudo o que estiver ao seu alcance para evitar que este surto se agrave ainda mais. Isto significa uma forte resposta de saúde pública por parte de todos os ramos do governo e de todos os setores da sociedade. A OMS está a trabalhar em toda a África para fornecer equipamento essencial, formar profissionais de saúde, clínicos e funcionários públicos sobre a melhor forma de responder à pandemia.

© 2020 | Todos os direitos deste material são reservados ao Por dentro da África, conforme a Lei nº 9.610/98. A sua publicação, redistribuição, transmissão e reescrita sem autorização prévia é proibida.

Deixe um comentário

Arquivado em Atitude & Comunicação