Arquivo do mês: novembro 2020

Pesquisa aponta medo de mulheres de serem vítimas de estupro

*Agência Brasil

A interrupção da gravidez resultante de estupro feita em segurança por um serviço de saúde é apoiada por 82% dos brasileiros, e 88% consideram que toda cidade deveria ter um serviço de aborto previsto na legislação, para que a vítima possa escolher sobre a continuidade ou não da gestação. Porém, apenas 46% afirmaram conhecer serviço de saúde para vítimas de estupro.

É o que revela a pesquisa Percepções sobre estupro e aborto previsto por lei, dos institutos Patrícia Galvão e Locomotiva, divulgada ontem (9). Segundo a diretora de pesquisa do Instituto Locomotiva, Maíra Saruê Machado, o impacto do estupro é uma realidade próxima da população, já que 52% dos entrevistados conhecem uma mulher ou menina que já foi vítima e 16% das mulheres disseram ter sofrido violência sexual.

O levantamento foi feito de forma online entre os dias 1º e 14 de setembro e registrou a opinião de 2 mil homens e mulheres, com 16 anos ou mais de idade, em todo o Brasil.

Entre as mulheres, 95% revelaram ter medo cotidiano de serem estupradas, sendo que 78% afirmaram ter muito medo. Entre os homens, 92% têm medo que sua filha, mãe, esposa ou namorada sejam vítimas do crime.

“A maioria conhece uma mulher ou menina que foi vítima e é unânime a percepção de que as brasileiras temem que isso ocorra com elas. As consequências de um estupro na vida da vítima, sejam psicológicas, físicas ou uma gravidez indesejada, também são bastante reconhecidas. Mas a pesquisa mostra que o acolhimento do Estado às mulheres e meninas vítimas, seja nas delegacias ou no sistema de saúde, pode ser mais qualificado”, disse Maíra.

A pesquisa aponta que 91% das mulheres acham que contariam para alguém se fossem vítimas de estupro e 68% contariam com certeza. Os motivos relatados que impediriam a comunicação do crime são a vergonha, o constrangimento e o medo da exposição. Na amostra, 92% das mulheres dizem que denunciariam se fossem vítimas, porém 53% dos entrevistados disseram que as vítimas não costumam denunciar.

Apenas 29% acham que a polícia está muito preparada para atender vítimas de estupro e 93% concordam que toda vítima de estupro que procurar a delegacia ou um serviço de saúde deve ser informada sobre as formas para evitar doenças sexualmente transmissíveis e gravidez indesejada. Dos que conhecem uma vítima, 17% relataram que ela engravidou e em 42% desses casos a gestação foi interrompida.

Para a diretora executiva do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo, a pesquisa evidencia o apoio ao acolhimento das vítimas de estupro pelos serviços públicos.

“Já está amplamente disseminada a ideia de que uma relação sexual sem consentimento é um estupro e que, em caso de gravidez, toda menina e mulher tem o direito de interromper essa gestação de forma segura em um hospital público. E, mais que isso, a maioria da população concorda que toda cidade deve ter um serviço de saúde para atender essas vítimas”, disse.

Sobre casos como o da menina de 10 anos que foi estuprada pelo tio e engravidou, no Espírito Santo, 94% disseram ser favoráveis à interrupção da gestação.

Formas de violência

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Com insinuações de guerra pela Amazônia, Bolsonaro abraça o status de “pária internacional”

*ClimaInfo

Bolsonaro parece não ter digerido bem a derrota de seu ídolo e aliado Donald Trump nos EUA. Em um discurso caótico na 3ª feira passada (10/11), o presidente ironizou o isolamento político que o Brasil deve encarar nos próximos meses, sem o apoio dos EUA, e ainda insinuou a possibilidade de um confronto militar com o futuro governo Biden por conta das críticas feitas pelo presidente-eleito dos EUA à situação ambiental da Amazônia. “Como é que nós vamos fazer frente a tudo isso? Apenas pela diplomacia não dá. Depois que acabar a saliva, tem que ter pólvora”.

Questionado, o vice-presidente Mourão mais uma vez tentou colocar panos quentes e disse que as afirmações de Bolsonaro são “figura de retórica”. Paulo Guedes também foi ao socorro presidencial e disse não ver problemas potenciais no relacionamento entre Brasil e EUA sob o governo Biden. Os militares por sua vez, mais uma vez colocados em uma fria pela língua de Bolsonaro, também minimizaram os comentários do presidente. Curiosamente, poucas horas após o discurso de Bolsonaro, o embaixador dos EUA no Brasil Todd Chapman postou um vídeo no Twitter celebrando o aniversário do corpo de fuzileiros navais do seu país, exaltando o poderio militar norte-americano.

No UOL, Leonardo Sakamoto lembrou que, mais uma vez, Bolsonaro recorreu a declarações explosivas e polêmicas para tentar desviar a atenção pública de escândalos reais e potenciais que cercam a família do presidente, além do desastre econômico vivido pelo país nos últimos meses. O falatório presidencial foi amplamente repercutido, com destaques em El País Brasil, Estadão, Folha, Globonews, O Globo, Reuters e Valor, entre outros.

Em tempo: Enquanto os militares não preparam a invasão da Flórida, eles seguem ocupando cargos importantes em órgãos de proteção ambiental no Brasil. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) indicou que a militarização dos cargos de chefia do Ibama, promovida desde o ano passado por Ricardo Salles, desrespeitou regras e procedimentos oficiais impostos pelo próprio governo Bolsonaro. O TCU analisou a nomeação de 3 oficiais do exército e 4 da Polícia Militar de São Paulo e um advogado que não atendem aos critérios mínimos de experiência profissional e conhecimento técnico previstos em lei. O Estadão deu mais detalhes.

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