Arquivo do mês: maio 2021

Informação equivocada causa confusão no Banco do Brasil

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*Sindicato dos Bancários da Bahia

A Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) tem recebido denúncias de que alguns bancários foram convocados a retornarem ao trabalho presencial pela Vipat (Vice-presidência de Atacado). A medida fere o acordo firmado entre a CEBB e a direção da empresa.

Questionado, o BB informou que não se trata de uma orientação geral e também não há convocação compulsória para volta ao trabalho presencial, diferentemente das informações desencontradas divulgadas de forma não oficial.

Ainda, segundo a direção, caso algum funcionário queira voltar para o trabalho presencial, por questões como problemas técnicos, por exemplo, vai fazer a análise do pedido, com vistas a respeitar todos os protocolos de segurança.

Tem mais. A pandemia não acabou. Pelo contrário. Em todo o país, o número de casos de Covid-19 apresenta elevação, inclusive, especialistas alertam para a possibilidade de uma terceira onda. Na Bahia, por exemplo, a taxa de ocupação dos leitos é de 85%. Portanto, não é o momento de reduzir o trabalho remoto.

Importante destacar que, pelo compromisso firmado entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), da qual o BB faz parte, o retorno ao trabalho presencial deve acontecer de forma negociada, tranquila e respeitosa com o trabalhador.

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Justiça afasta coordenador da Funai de Barra do Garças por agressão física a indígena da etnia Xavante

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Romilson Dourado/RDNews

A juíza federal Danila Gonçalves de Almeida determinou o afastamento, por 30 dias, do militar Álvaro Luis de Carvalho Peres do cargo de coordenador regional da Funai em Barra do Garças.

Após uma discussão, Álvaro agrediu o líder do povo Xavante, cacique José Maria Paratse, na sede do órgão. Imagens das câmeras de monitoramento interno mostram a agressão do militar. O caso ganhou repercussão nacional na semana passada.

O MPF acionou Álvaro na Justiça, denunciando-o por improbidade administrativa por atentar contra os princípios da administração pública. E pediu seu afastamento da coordenação regional para evitar coação de testemunhas e obstáculos à coleta de informações em meio ao processo aberto para investigar o caso.

A magistrada deferiu parcialmente o pedido de liminar na ação cautelar, afastando Álvaro da Coordenadoria pelo período de um mês.

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Justiça ordena retorno de forças federais a região onde indígenas Munduruku estão sob ataque de garimpeiros

Foto: Marcio Isensee e Sá/Agência Pública

*Apib

A Justiça Federal deu prazo de 24 horas para que o governo federal promova o retorno das forças federais para o município de Jacareacanga, no sudoeste do Pará, mantendo efetivo de segurança pública na área. A ordem judicial determina que sejam mantidos efetivos armados na região, “seja da Polícia Federal, seja das Forças Armadas, seja da Força Nacional de Segurança Pública”, para “garantir a segurança do povo Munduruku e dos demais habitantes do município”.

A decisão judicial atendeu a pedido do Ministério Público Federal (MPF), após uma semana de ataques de garimpeiros ilegais contra agentes da Polícia Federal e aldeias Munduruku. A casa de uma liderança que se opõe à atividade garimpeira no interior das terras indígenas foi incendiada no dia 26 e outros líderes indígenas estão ameaçados. Na sexta (28), foram registradas novas ameaças contra as lideranças contrárias ao garimpo ilegal.

“Devem as forças de segurança pública Federais, e as Forças Armadas, impedirem novas invasões das Terras Indígenas Munduruku e Sai Cinza, e atos criminosos na área urbana do Município de Jacareacanga. Com foco especial nas seguintes localidades: Aldeia Pombal, Aldeia Santa Cruz, Aldeia Katõ, Aldeia Missão Cururu e Aldeia Poxorebem, identificadas, no momento como focos de maior tensão, sob pena de multa diária de R$ 50.000,00”, determinou a Justiça na liminar concedida durante o plantão judiciário ontem (29).

A decisão ressalta que “a situação no município de Jacareacanga, após a deflagração da operação “Mundurukânia”, pela Polícia Federal e pelo IBAMA, à repressão de garimpos clandestinos, é de balbúrdia e desordem. Os atentados contínuos ao patrimônio público, e à integridade física de lideranças indígena, demonstram que a retirada das forças federais da região se revelou prematura.” Além dos incêndios na aldeia Fazenda Tapajós, houve bloqueio de estradas e tentativa de invasão da base da operação policial.

“Nesse contexto, o Estado brasileiro precisa se fazer presente imediatamente, seja para minorar os danos já perpetrados, seja para garantir a integridade da terra indígena (cuja atribuição pertence à União). Com efeito, é preciso impedir o desgoverno e restabelecer a ordem pública que, inclusive, foi a razão de ser da operação para coibir garimpos clandestinos. Que operam à margem da lei, com a dilapidação de patrimônio pertencente à União”, afirma a liminar, assinada pelo juiz Ilan Presser.

Via Ministério Publico Federal

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MPF critica retirada de forças federais de região sob ataque de garimpeiros e pede proteção a lideranças indígenas ameaçadas no Pará

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Após ataques que destruíram a casa de uma das principais lideranças Munduruku, operação contra garimpo foi encerrada

*Apib

O Ministério Público Federal (MPF) disparou uma série de ofícios para autoridades federais e estaduais requisitando reforço na segurança pública na região de Jacareacanga, no sudoeste do Pará, e proteção para lideranças ameaçadas por garimpeiros. A casa da líder Munduruku Maria Leusa Kaba foi incendiada em ataque na aldeia Fazenda Tapajós e os criminosos ameaçam atacar outras aldeias para intimidar lideranças que são contrárias ao garimpo nas terras indígenas. Os ataques ocorreram no momento em que equipes da Polícia Federal (PF) estavam na região em operação contra o garimpo. A própria polícia chegou a ser atacada, com tentativa de invasão na base de operações. Mesmo com a escalada de violência, as forças federais e estaduais se retiraram da região nesta quinta-feira (27).

Ofícios alertando para a gravidade da situação foram enviados à PF, Fundação Nacional do Índio (Funai), Secretaria de Segurança Pública do Pará, Polícia Civil do Pará, Comando Militar do Norte, Força Nacional de Segurança Pública e às Secretarias Executivas dos Ministérios da Justiça e do Meio Ambiente. O ofício narra o ataque ocorrido no dia 26 contra a aldeia de Maria Leusa Kaba Munduruku e alerta para as ameaças feitas contra as lideranças Ademir Kaba Munduruku, Isaías Krixi Munduruku e Ana Poxo Munduruku. Durante toda esta quinta-feira, chegaram informações ao MPF do deslocamento de garimpeiros para as aldeias das lideranças.

“Tais atos dão-se em contexto estratégico e programado de pretensão de silenciamento das lideranças Munduruku, os quais ocorrem, impressionantemente, sob os olhos do Estado brasileiro”, diz o ofício do MPF, que ressalta que o risco à vida de lideranças não é uma situação desconhecida das autoridades. O MPF vem alertando desde o início de março para as graves violações de direitos humanos em curso na região do médio e alto Tapajós.

Nos ofícios enviados, pede-se “especificamente às forças vinculadas à União que, em prazo máximo de dez horas, proveja e mantenha, seja por conduto das Forças Armadas ou Força Nacional, efetivo armado – dispondo de quantitativo e subsídios materiais suficientes – para garantir a segurança do povo Munduruku e impedir nova invasão das terras indígenas Munduruku e Sai Cinza”. À Secretaria de Segurança Pública do Pará, o MPF pediu um diagnóstico sobre a situação atual da segurança na região, que hoje conta com apenas quatro policiais militares na cidade de Jacareacanga e que seja solicitado o reforço da Força Nacional para o local.

Além dos oficios às autoridades, o MPF fez uma petição à Justiça Federal, dentro de um processo em que, desde 2020, tenta mobilizar as forças policiais e ambientais para coibir o garimpo ilegal no sudoeste do Pará. Para o MPF, a atuação tem sido “episódica”, o que em vez de encerrar as atividades ilegais, vem contribuindo para acirrar os conflitos. A operação dessa semana foi planejada para atender ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), mas não houve qualquer planejamento ou estruturação indicativa de que as forças de segurança permanecerão no território após a conclusão da fase ostensiva. “Ao que tudo indica, a pretensão é – como se deu nas experiências anteriores – meramente realizar a operação e, após, abandonar o território”, diz o pedido feito à Justiça.

“A rigor, a deflagração da Operação Mundurukânia – como era advertido – acirrou os ânimos derredor dos conflitantes e, portanto, elevou a escala de tensão na região, razão pela qual os requeridos (Funai, Ibama e governo federal) detêm absoluta responsabilidade por gestionar a transição ao final da fase ostensiva e, inclusive, coordenar e gestionar junto ao estado do Pará e município de Jacareacanga (base da operação) as necessidades para a manutenção da segurança pública”, diz a petição.

A Justiça Federal, caso atenda os pedidos do MPF, pode determinar, no prazo máximo de 24 horas, que se proveja e mantenha efetivo armado para garantir a segurança do povo Munduruku.

O pedido à Justiça cita especificamente as aldeias Pombal, Santa Cruz, Katô, Missão Cururu e Poxorebem, todas ameaçadas de novas invasões de garimpeiros. E pede que, antes de desmobilizar o efetivo empregado na operação dessa semana, que o governo federal “contate e gestione junto ao governo do estado do Pará por meio da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social com o fim de relatar minuciosamente quais as condições da segurança pública durante a realização da operação, e ajustar e identificar com os órgãos estaduais a (in)suficiência de efetivo para a garantia da segurança pública naquele município”.

Processo nº 1000962-53.2020.4.01.3908 – Justiça Federal em Itaituba (PA)

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Queimadas na Amazônia e no Pantanal podem ser ainda mais intensas em 2021

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*ClimaInfo

A chegada da estação seca em boa parte do país traz consigo a preocupação com os incêndios florestais na Amazônia e no Pantanal, após os dois biomas registrarem em 2020 um dos anos mais destrutivos da história. Jake Spring, da Reuters, ouviu alguns especialistas sobre as perspectivas para os próximos meses. A conclusão não é animadora: o período chuvoso recente fechou com a pior média de precipitação dos últimos anos em diversas partes do Pantanal e da Amazônia. O G1 publicou uma tradução da matéria.

No caso amazônico, os piores índices foram registrados exatamente nas áreas mais vulneráveis, que abrangem o chamado “arco do desmatamento”. Com menos chuva, o solo e os resíduos orgânicos ficam mais secos, o que pode servir como combustível extra para os incêndios florestais. Ao mesmo tempo, a área da floresta na margem norte do rio Amazonas registra atualmente as maiores cheias da história recente, causadas pelas fortes chuvas que atingem a região. Esse contraste meteorológico na Amazônia é visto por alguns especialistas como um exemplo de como a floresta pode ser afetada em um cenário de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.

Um efeito colateral desse processo, intensificado pelo avanço do desmatamento, é a degradação do bioma amazônico. O Mongabay  destacou os principais aspectos desse fenômeno e como estamos nos aproximando rapidamente de um “ponto de não-retorno” a partir do qual a Amazônia estará condenada em termos ecossistêmicos. Para quem vive na floresta e depende dela para sua sobrevivência, o cenário que se desenha é incerto e bastante angustiante. A falta de atenção do poder público, mais interessado em facilitar a vida de criminosos ambientais, também é uma preocupação.

Em tempo: A Environmental Investigation Agency (EIA) denunciou a empresa colombiana Éxito, filial do grupo multinacional francês Casino, de vender carne produzida em áreas de desmatamento ilegal na Amazônia. A entidade analisou dados de desmatamento na região do Parque Nacional Serranía del Chiribiquete, no sul da Colômbia, e identificou imóveis rurais ilegais utilizados para a produção bovina. A partir dessas informações, os investigadores chegaram até os fornecedores da Éxito e descobriu que a carne produzida nessas áreas foi comercializada pela empresa, contrariando repetidos compromissos internacionais assumidos pela Casino nos últimos anos.

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Judith Butler: O futuro da pandemia

Apesar da afirmação da interdependência, torna-se patente que o mundo compartilhado não é igualmente partilhado.

Blog da Boitempo

Por Judith Butler.

Independentemente de como assimilamos esta pandemia, nós a compreendemos como global; ela deixa claro o fato de que estamos implicados em um mundo compartilhado. A capacidade de criaturas humanas vivas de afetar umas às outras é, por vezes, uma questão de vida ou morte. Como são muitos os recursos partilhados de forma desigual, e muitos também são aqueles que possuem apenas uma pequena ou extinta fração do mundo, não podemos reconhecer a pandemia como global sem enfrentar tais desigualdades.

Algumas pessoas trabalham para o mundo comum, fazem-no girar, mas são, por tal razão, parte dele. Podem lhes faltar as propriedades ou os documentos. Elas podem ser marginalizadas pelo racismo ou até mesmo ser desprezadas como lixo – aquelas que são pobres, negras, com dívidas impagáveis que bloqueiam o sentimento de um futuro aberto.

O mundo compartilhado não é igualmente partilhado. O filósofo francês Jacques Rancière se refere…

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PL que acaba com demarcações de Terras Indígenas na pauta de hoje da CCJ da Câmara

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*ClimaInfo

Está na pauta de hoje (26) da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara o Projeto de Lei 490/2007, que permite ao governo tirar da posse de Povos Indígenas áreas demarcadas há décadas. Para tanto, a proposta altera o Estatuto do Índio (Lei 6.001/1973) e atualiza o texto da PEC 215 – uma das maiores ameaças aos Direitos Indígenas que já tramitaram no Congresso. Se aprovado, o projeto retirará dos indígenas direitos assegurados pela Constituição, como a posse permanente de suas terras e o direito exclusivo sobre seus recursos naturais.

O PL já passou pelas comissões de Agricultura e de Direitos Humanos (onde recebeu parecer contrário). Caso seja aprovado na CCJ, segue ao plenário e, se também for aprovado, vai ao Senado.

O Observatório do Clima traz mais detalhes deste novo ataque do Legislativo aos Direitos Humanos e ao meio ambiente. Entre outras coisas, o PL viabilizaria a legalização automática de centenas de garimpos nas TIs, hoje responsáveis pela disseminação da COVID-19, a contaminação por mercúrio, a destruição de nascentes e rios inteiros e o desmatamento.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – APIB – informa que “o projeto também aplica às demarcações o chamado ‘marco temporal’, pelo qual só teriam direito à terra os Povos Indígenas que estivessem em sua posse, no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição, ou que estivessem em disputa judicial ou conflito direto com invasores.” A APIB diz que a tese do marco temporal “desconsidera o histórico de expulsões, remoções forçadas e violências cometidas contra essas populações, em especial durante a ditadura.”

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Nova ‘Serra Pelada’ surge na Terra Yanomami

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*Evilene Paixão e Marina Terra, em ISA

Sobrevoos realizados em 7 e 9 de abril de 2021 revelaram que o garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami, nos estados de Roraima e Amazonas, produziu uma nova ‘Serra Pelada’ — nome do maior garimpo de ouro a céu aberto do mundo, no sudeste do Pará. Assim como na corrida do ouro dos anos 1980, a crise econômica e o preço do metal estimulam os garimpeiros à atividade, que hoje promove o desmatamento, a contaminação dos rios por mercúrio, a violência contra comunidades e, também, a disseminação da Covid-19 no território indígena.

A violência contra as comunidades indígenas, inclusive, registra uma escalada crescente ao longo deste mês de maio. Desde o dia 10, garimpeiros ilegais estão atacando a tiros comunidade de Palimiú, após indígenas instalarem uma barreira sanitária e impedirem que usassem o rio Uraricoera para chegar a um de seus acampamentos. Em retaliação, os bandidos realizaram uma série de ataques com armas pesadas, como fuzis e metralhadoras, e até bombas de gás lacrimogêneo. Como resultado do primeiro ataque, duas crianças Yanomami morreram afogadas em meio ao pânico.

As recentes imagens aéreas da destruição, parte central do novo relatório publicado pela Hutukara Associação Yanomami e encaminhado às autoridades, comprovam o avanço desenfreado dos invasores. “As cenas observadas no [rio] Uraricoera, ao rememorar Serra Pelada, alertam para a imensa tragédia ambiental e humana que o garimpo na TI Yanomami tem se tornado. Não foi por falta de aviso, porém, que a situação atingiu tal gravidade”, afirma o relatório.

Atualmente, mais de 20 mil garimpeiros estão na terra Yanomami. Decisão de março deste ano da 2ª Vara da Justiça Federal de Roraima, atendendo a pedido do Ministério Público Federal, exigiu que a União apresentasse um cronograma para a retirada dos invasores, sob pena de multa. Em julho de 2020, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região já havia concedido uma liminar determinando que a União tomasse medidas emergenciais para proteger a Terra Indígena Yanomami da invasão garimpeira e assegurar a saúde e vida dos povos Yanomami e Ye’kwana. Após quase um ano, no entanto, a decisão judicial ainda não foi executada.

“Não se trata de um problema sem solução. O Estado possui todas as condições para fazer valer a lei e promover a neutralização dos crimes praticados pelo garimpo contra os indígenas da TI Yanomami e o restante da sociedade brasileira”, afirma o documento. “A experiência do passado prova que isso é possível, por meio de ações estratégicas. Acelerar o tempo de resposta a este desafio, a partir de um plano de ação estratégico e coordenado, é também uma forma de preservar recursos da União e valorizar seu patrimônio”.

Em março de 2021, análises de imagens de satélite indicaram um total acumulado de 2.430 hectares destruídos pelo garimpo na Terra Indígena Yanomami, sendo que no primeiro trimestre deste ano a área destruída cresceu quase 200 hectares. Somente em 2020, 500 hectares de floresta amazônica na Terra Indígena Yanomami foram devastados. Mantido esse ritmo, 2021 deve marcar um novo recorde de destruição.

Conforme revelam as análises dos sobrevoos de abril, os garimpos cresceram sobretudo nas calhas dos rios Mucajaí e Catrimani, nas regiões de Kayanau, Homoxi e Alto Catrimani. Antes, as grandes áreas impactadas se concentravam no rio Uraricoera. “Tal fenômeno (…) é um importante indicador do desenvolvimento das estruturas de apoio [logística e de serviços] nessas zonas, e deveria servir de alerta para os riscos da consolidação de novas ‘cidades’ do garimpo na TIY”, sublinha o relatório.

Próximo à foz do rio Parima, no rio Uraricoera, há uma das maiores concentrações de garimpeiros já vistas, em cenas que lembram as de Serra Pelada, há 40 anos. Impressiona a magnitude do impacto, a profundidade das crateras e a complexidade da estrutura de apoio à atividade, com a existência de barracões especializados. Em um deles há um “restaurante”, com mesinhas redondas dispostas ao longo da margem do rio.

A concentração de garimpeiros na região próxima à foz do Parima é relativamente recente, afirma o documento, “tendo se expandido e consolidado nos últimos anos”. Segundo a Hutukara, as imagens “atestam o vigor desse núcleo garimpeiro e reforçam a ideia de que a formação das novas áreas se deu muito mais em caráter de expansão do que de substituição”, já que não se observou uma diminuição da exploração na ferradura do rio Uraricoera em Waikás, no local conhecido como “tatuzão do Mutum”. Em junho de 2020, dois indígenas yanomami foram assassinados por garimpeiros na região do Parima.

Segundo a organização indígena, as informações do relatório demonstram que as operações pontuais realizadas nos últimos meses não são suficientes para controlar o aumento vertiginoso da invasão. “Elas atenuam o impacto do garimpo em certas zonas, mas temporariamente e de forma não consistente”, ressalta.

“Para que a invasão seja de fato controlada, é preciso que as operações sejam mais abrangentes e eficientes na destruição da estrutura de apoio à atividade ilegal [explosão de pistas e destruição de currutelas], bem como na inutilização do maquinário utilizado [motores, balsas, aeronaves e helicópteros, quadriciclos, etc], para que os financiadores da atividade sejam descapitalizados e não possam reinvestir tão facilmente na retomada da invasão”, reforça a Hutukara.

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Conselho de Ética da ALBA inicia análise de processo contra Capitão Alden

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*ALBA

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA) se reuniu de forma semipresencial, na manhã desta terça-feira (25), para iniciar a análise do processo disciplinar contra o deputado Capitão Alden (PSL), instaurado após representação da bancada de oposição.

O presidente do conselho, deputado Marquinho Viana (PSB), designou o deputado Luciano Simões Filho (DEM) como relator do processo, que será analisado primeiro pelos integrantes do colegiado e depois pelo plenário da Assembleia Legislativa.

Como nenhum outro deputado do Conselho de Ética reivindicou a relatoria, não houve necessidade de votação. Os integrantes do colegiado decidiram também, na sessão desta terça, conceder dez dias úteis para que Capitão Alden apresente sua defesa. Esse prazo começa a ser contado a partir do momento que ele receba a notificação do conselho, que se reunirá sempre às quartas-feiras, a partir das 11h.

Além do presidente Marquinho Viana e do vice, Sandro Régis (DEM), são membros titulares do Conselho de Ética os seguintes deputados: Luciano Simões Filho, Aderbal Caldas (PP), Euclides Fernandes (PDT), Bobô (PC do B), Fabíola Mansur (PSB) e Zé Raimundo (PT).

O colegiado tem também como membros suplentes os deputados Eduardo Alencar (PSD), Eduardo Salles (PP), Fátima Nunes (PT), Neusa Cadore (PT), Samuel Jr. (PDT), Tiago Correia (PSDB) e Vitor Bonfim (PL).

O processo ético-disciplinar contra o deputado Capitão Alden (PSL) foi aberto atendendo um pedido assinado pelos 11 deputados da bancada de oposição da ALBA por causa de um vídeo divulgado por ele nas redes sociais.

No vídeo, Capitão Alden acusa os parlamentares de oposição de receberem R$ 1,6 milhão da Prefeitura de Salvador. “Se eu ficasse na minha, sem fazer nada eu tava feito na vida, recebendo R$ 1,6 milhão da prefeitura que os deputados de oposição todos ganham”, disse ele, no vídeo veiculado nas redes sociais no último dia 27 de abril.

Na representação que deu origem ao processo, os deputados da oposição argumentam que Capitão Alden, “de forma leviana e irresponsável”, aponta possíveis condutas criminosas aos seus pares, companheiros de bancada.

Na sessão desta terça, Euclides Fernandes questionou a escolha de Luciano Simões Filho como relator por ele ter sido um dos deputados que subscreveram o pedido de abertura de processo disciplinar contra Capitão Alden.

Para Euclides, não seria adequado Luciano Simões apresentar o parecer, já que ele se encontra também como denunciante. “Não estou em absoluto questionando a capacidade técnica ou jurídica do deputado. Mas, a partir do momento em que assinou a representação, ele deixa de ter isenção plena”, avaliou Euclides.

O argumento, no entanto, foi rejeitado pelos demais integrantes do Conselho de Ética. Sandro Régis, que também é líder da bancada de oposição, lembrou que o parecer de Luciano Simões será não só submetido à análise dos demais integrantes do colegiado como também precisará ser votado em plenário.

“Qualquer que seja a decisão do Conselho de Ética, ela deverá ser submetida ao plenário da Assembleia. E o plenário é soberano. O deputado Euclides teria razão se o conselho fosse julgar. Mas ele vai apenas apurar os fatos e a Mesa Diretora da Assembleia vai submeter essa apuração ao julgamento do plenário”, argumentou  Régis.

Já o deputado Vitor Bonfim lembrou que a indicação do relator é ato exclusivo do presidente do conselho e os signatários da denúncia não estão impedidos de exercer a relatoria. “É só lembrar que os signatários dos pedidos de abertura da CPI no Congresso Nacional são designados relatores e presidente da comissão, haja vista que depois da apresentação do parecer, ele será submetido tanto à votação do colegiado como do plenário”, pontuou.

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Indicação na ALBA visa valorizar e disseminar a literatura dos povos indígenas

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O deputado Hilton Coelho (PSOL) protocolou, na Mesa Diretora da Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), uma indicação, na qual propõe ao governador Rui Costa que adquira todas as obras de Ailton Krenak, grande pensador indígena, formando a coleção “Reflorestar Mentes”, e distribua para todas as bibliotecas públicas e universidades estaduais da Bahia.

 

Ailton Krenak nasceu em Minas Gerais, em 29 de setembro de 1953, na região do Vale do Rio Doce, onde fica localizada a Terra Indígena Krenak, uma área profundamente afetada pela atividade de mineração, uma das maiores ameaças aos povos indígenas, que também sofrem com as invasões das terras demarcadas e com a exploração da madeira. Participou da Assembleia Nacional Constituinte em 1987 que elaborou a Constituição Brasileira de 1988. Foi durante a Constituinte que protagonizou uma das cenas mais marcantes da mesma: em discurso na tribuna, pintou o rosto com a tinta preta do jenipapo, segundo o tradicional costume indígena brasileiro, em protesto contra os retrocessos e ataques aos diretos dos povos originários.

 

“É fundamental que se valorize e dissemine a literatura dos povos indígenas. Ailton Krenak é um ambientalista, filósofo, poeta e escritor,  uma das maiores lideranças do movimento indígena brasileiro, possuindo reconhecimento internacional. A aquisição de sua obra para divulgação nas bibliotecas e universidades baianas será um grande estimulo ao respeito à diversidade. Considero esta ação imprescindível para a formação de leitoras e leitores multiculturais, abertos à compreensão de diferentes formas de expressão literária. Além fortalecer o acesso ao conhecimento, luta, sabedoria e diversidade dos povos originários”, conclui Hilton Coelho.

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