Na Bahia, servidores do regime PST são demitidos e estão sem receber salários

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*Acorda Cidade – Daniela Cardoso e Ney Silva

Servidores contratados pelo estado, através do regime PST (Prestação de Serviço Temporário), que atuavam tanto na área administrativa das escolas como em salas de aulas, no caso de alguns professores, foram demitidos em todo o estado da Bahia.

A informação foi dada pelo diretor do NRE – 19 (Núcleo Regional de Educação), Ivamberg Lima. Ele garante que esses servidores deverão ser recontratados através de uma empresa, mas que ainda não há uma data definida para que isso ocorra.

“Todos esses servidores que eram contratados através desse regime tiveram seus contratos concluídos em dezembro e estamos aguardando a decisão da secretaria de Educação para ver a forma de contratação desse pessoal. Não temos ainda a decisão definitiva da forma de contratação”, afirmou o diretor.

Ainda de acordo com Ivamberg Lima, foi informado pela secretaria de Educação que ele, como diretor do núcleo, e todos os diretores de escolas, não poderiam mais fazer esse tipo de contratação e nem manter os que já trabalhavam por esse regime.

O diretor informou que no NRE – 19, trabalhavam 14 pessoas pelo regime PST e que na sede regional, que envolve Feira e outros municípios, eram 358 pessoas. “Eles desempenhavam várias funções na área administrativa, sendo que alguns eram merendeiras e outros com atuações diversas”, disse.

Além de terem sido demitidos os servidores do PST estão sem receber os salários de novembro e dezembro. Segundo Ivamberg Lima, os pagamentos serão atualizados até a próxima sexta-feira (8).

Nota de esclarecimento

A Secretaria da Educação do Estado da Bahia já comunicou aos Núcleos Regionais de Educação (NRE) que não será mais permitido contratar prestadores de serviço temporário.

Prestadores de serviço temporário, como o próprio nome diz, não possuem vínculo contratual. São profissionais acionados para substituição em caso de necessidade, como ausência de professor por motivo de doença ou licença por tempo determinado.

Para suprir as demandas das escolas, a Secretaria da Educação realizou Seleção Reda (Regime Especial de Direito Administrativo) para 6.145 professores, cujo resultado foi publicado no Diário Oficial do Estado de 27/08/2015. Até o momento, já foram admitidos 3.833 professores e os demais deverão ser convocados até o final de janeiro.

Para a área administrativa de pessoal de apoio tanto das escolas como dos Núcleos Regionais, o atendimento é feito pelas empresas licitadas pelo Estado.

Quanto aos pagamentos pendentes dos prestadores de serviço, a previsão é de regularização ainda neste mês de janeiro. O pagamento é feito mediante frequência enviada pelos gestores das escolas. Quem ainda tiver pendência, deve procurar a direção da escola para regularizar a situação junto à Secretaria.

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Novo ministro da Fazenda defende reduzir ainda mais direitos de trabalhadores

Nelson Barbosa diz que ‘ajuste fiscal’ e reforma da Previdência são prioridades para o 1º trimestre de 2016

Nelson Barbosa diz que ‘ajuste fiscal’ e reforma da Previdência são prioridades para o 1º trimestre de 2016

*Andes-SN

O novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, assumiu a pasta no final de 2015 e apontou a continuidade do ‘ajuste fiscal’ – que já cortou recursos das áreas sociais e eliminou conquistas trabalhistas – e novas mudanças na Previdência como prioridades do governo para ‘reformas’ estruturais que, na prática, levariam à redução de direitos dos trabalhadores.

O ministro disse que, para alcançar o equilíbrio fiscal nas contas do governo, é preciso reduzir as chamadas despesas obrigatórias, entre estas a Previdência Social e previsões orçamentárias para saúde, educação e o conjunto da seguridade social. Seguindo o que seu antecessor, Joaquim Levy, já havia proposto, disse que o primeiro semestre de 2016 deverá ser dedicado a novas alterações nos direitos previdenciários previstos na Constituição Federal.
 
Idade mínima para aposentar

A instituição de idade mínima para aposentadoria no setor privado é um dos alvos principais já revelados – algo que os governos Fernando Henrique, na década de 1990, e Lula, nos anos 2000, não conseguiram fazer. Há fortes indícios, ainda, que o governo defenderá que essa idade mínima seja igual para homens e mulheres. Essa propensão a equalizar os requisitos para aposentadoria entre homens e mulheres gera desconfiança, ainda, sobre a possível investida também contra o tempo de contribuição, que hoje diferencia homens e mulheres – 30 anos e 35 anos, respectivamente.

“O principal item na agenda do gasto obrigatório é a discussão da Previdência, principalmente focada na questão da idade”, disse Barbosa, em entrevista ao jornal “Valor Econômico”, nas vésperas da posse no novo cargo. Pouco antes de deixar o ministério, Levy já havia declarado ser favorável à idade mínima. Também propôs restringir a concessão de aposentadorias para os trabalhadores rurais.

Desenvolvimentista

Economista que deixou o Planejamento para assumir a Fazenda, Nelson Barbosa é apontado pelos meios de comunicação como ‘desenvolvimentista’ e, por isso, seria visto com desconfiança pelo chamado ‘mercado’. No entanto, a escolha foi elogiada por expoentes de alguns dos setores mais poderosos da economia nacional. “Ele [Nelson Barbosa] tem sintonia com a presidente Dilma, tem sua confiança, e vai conseguir afinar o discurso interno, unificar as ações, dando segurança ao mercado”, disse Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco, à Agência Estado.

Também das montadoras de veículos saíram elogios ao atual titular da economia. “A Anfavea tem a convicção de que o novo ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, possui o conhecimento e experiência necessários para conduzir a política econômica de que o Brasil precisa, guiando o país para uma nova fase de desenvolvimento da economia e, assim, minorando a crise de confiança do investidor e do consumidor brasileiro”, disse, em nota, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, Luiz Moan.

Fundador e dono da Construtora MRV, o empresário Rubens Menin disse pelo Twiter que a escolha foi a mais acertada para o momento. “Enganam-se aqueles que acham Nelson Barbosa descompromissado com ajuste fiscal. Tenho convicção que ajuste fará parte da agenda”, escreveu.

Entre as mudanças já aprovadas do ‘ajuste fiscal’ em 2015 estão as medidas provisórias que reduziram o acesso ao seguro desemprego e restringiram o direito à pensão por morte de cônjuge – alteração que, em parte, atingiu também o servidor público.

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Prefeito ACM Neto segue exterminando as árvores de Salvador. Discurso de cidade sustentável foi jogado no lixo, afirma o vereador Hilton Coelho (PSOL)

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*Ascom Hilton Coelho

“O discurso de cidade sustentável do prefeito ACM Neto (Dem) foi jogado no lixo e não recolhido em Salvador.” Essa é a opinião do vereador Hilton Coelho (PSOL) a respeito do que ele qualifica como um crime ambiental “cometido pela atual administração que ficará marcada por ser exterminadora de árvores. Se nada for feito é provável que o extermínio de árvores avance ainda mais. A destruição ocorre porque para ACM Neto desenvolvimento rima com cimento e as árvores, para ele, não fazem parte da paisagem. Para nós, o progresso pode e deve conviver com a preservação da natureza”, disse.

Para Hilton Coelho “não há nenhuma justificativa da Prefeitura de Salvador para a derrubada sistemática de árvores e para a poda violenta e sem manejo que temos assistido nos últimos tempos. Aquilo que ACM Neto chama de requalificação, nós chamamos de destruição. De Itapoã a Ribeira, as árvores estão sendo atacadas. Para a atual administração, moderno não é construir a partir da árvore, em seu entorno. Moderno, para esses ‘gênios’, é devastar e inundar o espaço com cimento. Salvador nas últimas décadas foi marcada por administrações irresponsáveis no que tange à manutenção e ampliação da vegetação urbana, fundamental para a boa qualidade de vida de qualquer população. A atual não tem sido diferente e, para piorar, aprofundou a lógica da destruição”.

“Ao contrário do que dizem a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) e a Secretaria Cidade Sustentável (Secis), a gestão do prefeito ACM Neto não tem nenhuma política séria em relação à arborização de nossa cidade e o que se vê, na verdade, é uma crescente e ininterrupta derrubada de árvores e nenhum replantio ostensivo. Da mesma forma são realizadas podas fora de padrões técnicos, sem manejo, que podem provocar, inclusive, a morte das plantas. E as consequências desse descaso é o adoecimento dos seus habitantes, pois a vegetação é uma das principais responsáveis pela purificação do ar, fixando a poeira, gases tóxicos e outros materiais residuais; pela manutenção do equilíbrio térmico, suavizando as temperaturas, conservando a umidade do solo ou reduzindo a velocidade do vento; pela redução de ruídos; contribuindo ainda para a valoração histórico-cultural dos municípios e para a valoração paisagística e comercial dos imóveis”, critica com veemência o legislador.

Hilton Coelho argumenta que “a população de Salvador exige uma política ambiental séria, guiada pelos interesses da maioria. E é o que esta administração não tem feito. Não faz questão de fazer. Porque é pautada por interesses outros, que não os interesses coletivos. A insana derrubada de árvores pela cidade, muitas vezes disfarçada de poda, continua. Quais os critérios que a prefeitura usa para fazer tais podas? Que tipo de poda é esta que deixa apenas o tronco da árvore? Quem ganha com as podas e derrubadas? A empresa terceirizada responsável recebe por produtividade, ou seja, quanto mais árvores podadas ou derrubadas, mais lucrativo o serviço? Quem são seus donos? Exigimos que todos os questionamentos sejam respondidos e os responsáveis pelo ‘arvorecídio’ sejam punidos. Os interesses coletivo e ambiental devem ser superiores a uma visão mesquinha de progresso”.

**Clique aqui e veja as fotografias de algumas árvores destruídas.

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Frente em Defesa do Povo Palestino envia carta ao deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ)

Frente em Defesa do Povo Palestino

*Por Ciranda.net

A Frente em Defesa do Povo Palestino, que reúne organizações da sociedade civil brasileira, enviou ontem ao deputado Jean Wyllys e à liderança do PSOL carta por ocasião de sua visita a Israel.

No texto, chama atenção para as violações de direitos humanos cometidas por Israel – com a cumplicidade inclusive da Universidade Hebraica de Jerusalém, onde Jean proferiu palestra, e outras instituições acadêmicas -, e solicita que tome contato com a ocupação e apartheid a que estão submetidos os palestinos. Além disso, reivindica encontro, assim que Jean Wyllys regressar, para apresentar ao parlamentar a campanha de BDS (boicotes, desinvestimento e sanções). Confira carta abaixo:

Querido companheiro Jean Wyllys,

É com surpresa que tomamos conhecimento de sua ida à Universidade Hebraica de Jerusalém para participar de palestra sobre temas como homofobia, antissemitismo e diversidade. Ao aceitar esse convite, infelizmente, você se coloca na contracorrente da campanha global de BDS (boicotes, desinvestimento e sanções) a Israel, a qual tem a adesão inclusive do PSOL, sempre atuante na solidariedade ao povo palestino e denúncia da ocupação.

Lembramos que a campanha atende a chamado da sociedade civil palestina feito em 2005 e é a principal ação em solidariedade ao povo palestino na atualidade. A campanha não é de boicote a indivíduos, mas contra os vínculos institucionais e a cumplicidade com os crimes israelenses. Conta, inclusive, com apoio de israelenses e professores da Universidade Hebraica de Jerusalém. Suas demandas são pelo fim da ocupação, derrubada do muro do apartheid, direitos iguais aos palestinos e cumprimento do legítimo direito de retorno às terras de onde vêm sendo expulsos há mais de 67 anos – ou seja desde a criação do Estado de Israel em 1948, a nakba (catástrofe palestina).

A tática de Israel de convidar personalidades e autoridades a participarem de palestras em suas instituições acadêmicas – cujo histórico de cumplicidade com a ocupação é amplamente comprovado – objetiva transmitir ao mundo a ideia de normalidade, enquanto mantém o apartheid, a colonização e ocupação de terras palestinas.

Um dos instrumentos que Israel utiliza nesse sentido é o chamado pinkwashing. Como explica Gabriel Semerene em artigo de sua autoria intitulado “Israel lava mais rosa” (leia na íntegra em http://revistageni.org/08/israel-lava-mais-rosa/), o termo significa “lavar de rosa” a imagem de Israel. “Essa lavagem, em linha com o mito autoproclamado de ‘única democracia do Oriente Médio’, retrata o país como um ‘paraíso LGBT’. Ela também tem a vantagem de reafirmar um imaginário orientalista, no qual todas sociedades árabes e/ou muçulmanas seriam retrógradas e tirânicas. Apesar do apartheid e da ocupação colonial promovidos por Israel, o pinkwashing permite ao país promover-se como um porto seguro LGBT em meio à barbárie, um bastião de valores liberais ocidentais num ‘oceano de tirania’.” Semerene explica ainda que “a ocupação colonial da Palestina e o apartheid implantado pelo Estado de Israel afetam igualmente pessoas LGBT palestinas, que não são um grupo social à parte. Têm familiares, amigos e parceiros discriminados, encarcerados e assassinados por Israel, e são elas mesmas visadas pela ocupação.” Dessa forma, Israel sequestra a justa causa contra a homofobia para justificar seus crimes contra a humanidade. Jean Wyllys, ao aceitar o convite, lamentavelmente você cai nessa armadilha e contribui para isso.

As instituições acadêmicas de Israel têm histórico de cumplicidade com a colonização e ocupação de terras palestinas. A Universidade Hebraica de Jerusalém não só não é exceção, como tem campus construído em área da qual palestinos foram expulsos em 1968 – franca violação à IV Convenção de Genebra.

Na lógica da ocupação, a Universidade Hebraica de Jerusalém restringe a liberdade de expressão e manifestação a estudantes palestinos e destina-lhes tratamento desigual, incluindo aos que têm cidadania israelense. Não fornece ensino aos residentes em Jerusalém e áreas próximas ou cursos em árabe. Proíbe atividades que relembrem massacres, como os mais recentes em Gaza. Em compensação, oferece benefícios a militares israelenses que participaram dessas operações.

Além disso, essa universidade participa do Comitê de Supervisão e Promoção de estudantes e pessoal da Universidade de Ariel, construída na área em que está instalado o assentamento ilegal de Ariel, o maior de todos. Reconhece graus acadêmicos obtidos por essa instituição, mas não os pela Universidade Al-Quds, situada nas proximidades.

As instituições acadêmicas israelenses produzem em seus campi pesquisas militares e testam tecnologias bélicas ali desenvolvidas. A serviço da limpeza étnica do povo palestino e da ocupação, essas tecnologias são posteriormente testadas sobre os palestinos – como se pode observar nos recentes ataques a Gaza, que resultaram em 2.200 mortos, dos quais mais de 500 crianças – e apresentadas ao mundo.

Vimos em um post em sua página que você desconhece a história e a ocupação, por não ter tomado contato com os palestinos que vivem sob ocupação racista há mais de 67 anos. Embora em outros momentos já tenhamos entrado em contato contigo para falar de Palestina – e você tenha se pronunciado contra o genocídio em Gaza em 2014 –, por seu relato de viagem, também constatamos que não conhece a fundo a campanha de BDS a Israel. Você afirmou ser contra o boicote, então, vale o questionamento: “Você se oporia ao boicote ao apartheid na África do Sul, que foi decisivo para derrubar o regime de segregação de negros no país?” A campanha de BDS se baseia nessa ação e é legítima. Estamos à disposição para um encontro assim que retornar, em que podemos apresentar-lhe com detalhes a campanha.

Além disso, reiteramos convite feito por palestinos de que aproveite sua ida para conhecer a realidade da ocupação, colonização e apartheid. Ao conhecer a realidade, estamos certos que se engajará na campanha de BDS a Israel.
Os parlamentares do PSOL sempre apoiaram a causa palestina e a campanha de BDS. É muito importante para nossa luta que continuemos com sua importante presença.

Cordialmente,
Frente em Defesa do Povo Palestino

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“VER: AMOR” – *Jean Wyllys – deputado federal PSOL-RJ

VerAmor_JeanWyllys*Jean Wyllys – (Segundo relato da viagem a Jerusalém. Leitura só para os fortes)

As emoções e o aprendizado prosseguem. Hoje pela manhã, visitei o Museu do Holocausto (Yad Vashem), guiado pelo inteligente, sensível e generoso historiador e pesquisador sênior da instituição, Avraham Milgram, o “Tito”, organizador dos “Fragmentos de memórias” escritos pelos veteranos do movimento juvenil sionista-socialista Dror, fundado em 1945. A arquitetura do museu e a disposição do acervo nos conduzem a uma via dolorosa entre as múltiplas violências perpetradas pelo Nazismo contra os judeus europeus (mas também contra homossexuais, comunistas, socialistas, deficientes físicos e ciganos: os documentos lá expostos não deixam dúvidas sobre isso!) desde a ascensão de Hitler, em 1933, até o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945. Não há ser humano que mereça ser assim chamado que não desmorone ante a banalidade do mal ali representada. O abismo vertiginoso que reflete as fotografias das vítimas fatais do Nazismo suspensas em espiral ascendente, mas também a imagem dos visitantes que se debruçam sobre ele (o abismo do mal pode nos envolver a qualquer momento, seja como suas vítimas, seja como seus perpetradores, caso não fiquemos atentos, o que mostra que o Holocausto não é um problema só dos judeus, mas de toda humanidade); e a sala de espelhos que multiplica em milhões as luzes de velas, simulando uma constelação de estrelas enquanto ouvimos os nomes das crianças judias mortas em guetos e campos de extermínio foram os momentos mais emocionantes da visita. Avraham Milgram, crítico corajoso das políticas de Nethanyahu e da direita israelense em relação aos palestinos e seus territórios ocupados por assentamentos de judeus, disse-me, com sua voz doce e professoral, que o povo judeu, vítima de tamanha atrocidade, não tem o direito de ser insensível às violências perpetradas pelo governo de Israel contra os palestinos.

Quando recebi o convite para palestrar na Universidade Hebraica e cumprir uma programa de atividades em Jerusalém, uma das minhas sugestões foi a de que me encontrasse com o escritor David Grossman, um dos intelectuais judeus cujas obras contribuíram para minha formação. Meus anfitriões o consultaram e ele aceitou prontamente, para minha felicidade. Ensaísta e romancista, Grossman se opõe veementemente à ocupação dos territórios palestinos, à gritante desigualdade entre judeus e árabes no acesso a políticas e equipamentos públicos de saneamento básico, saúde, educação, moradia e segurança e à postura belicosa do governo Nethanyahu em relação às reivindicações árabes. Nossa conversa durou pouco mais de uma hora, mas foi o suficiente para mostrar que nossas afinidades vão além da literatura. E, sim, eu confessei que seu romance que mais me encantou foi “Ver: amor”. Grossman se disse um “homem dialógico”, que acredita no diálogo – por mais difícil e demorado que este possa ser – como o meio mais eficaz de solucionar conflitos. Segundo ele, pelo diálogo, palestinos e judeus podem escapar da catástrofe pra qual pretendem levá-los a violência e a burrice dos líderes políticos da direita e dos fanáticos religiosos israelenses e palestinos. Para Grossman, Nethanyahu manipula com desonestidade intelectual o trauma que pesa sobre os judeus e leva a maioria deles à insensibilidade em relação à violência das ocupações dos territórios palestinos. Segundo o escritor, os palestinos estão completamente destruídos depois de várias ocupações (pelo Egito, pela Turquia, pela Jordânia e, por último, por Israel, cujo governo Nethanyahu tem sido particularmente eficaz nessa destruição). Mas Grossman também repudiou veementemente o terrorismo palestino dirigido a civis israelenses, embora não pense em deixar Israel por conta disso. “Israel é um paliativo para a interminável busca dos judeus pela Terra Prometida, busca que é constituinte de sua identidade cultural”. Para ele, vale a pena lutar por Israel – não com armas, mas com diálogo e amor, em que palestinos e judeus possam ceder um tanto em nome da justiça social e da paz. Saí dessa conversa ainda mais encantado por Grossman e certo de que a Companhia das Letras, nossa editora, possa nos reunir de novo em outubro próximo no Brasil. Continuar lendo

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Kerexu, a cacica ameaçada de morte que tenta salvar sua aldeia

Cacica Kerexu

*Reportagem de Aline Torres, publicada por El País, 02-01-2016.

Kerexu avisou: “vamos ter que nos preparar”. Não deu tempo. Três dias após a PEC 215 ser aprovada em comissão especial no Congresso no final de outubro, a cacica Guarani foi ameaçada de morte. Trinta homens atacaram a aldeia Itaty, liderada por Kerexu, situada no Morro dos Cavalos, no município de Palhoça, a 30 quilômetros de Florianópolis, no sul do Brasil. As 39 famílias que vivem ali testemunharam a entrada de um caminhão, duas motos e 10 carros. Os estranhos dispararam para o alto com revólveres, soltaram rojões, disseram que iriam expulsar as famílias, invadiram uma casa e, se autointitulando donos do pedaço, fizeram churrasco, com direito a música alta.

Para a cacica Kerexu, o recado foi curto. Ela está na mira. Os homens não foram identificados e apesar de quatro deles terem passado a noite na aldeia, a Polícia Federal não os prendeu e apenas os retirou por insistência da procuradora da República Analúcia Hartmann. O argumento dos invasores foi que se a PEC iria tirar os indígenas dali, eles poderiam antecipar o serviço.

Essa não foi a primeira ameaça do ano. Há dois meses, motoqueiros entraram em Itaty disparando. A aldeia é habitada principalmente por crianças e adolescentes, que representam 60% do grupo. O alvo foi a casa de Kerexu, onde vivem seus dois filhos Karaí, 9 anos, e Rayana, 14 anos. Também não foram poucos os telefonemas anônimos que a juraram de morte.

Itaty está situada no quilômetro 233 da BR-101, onde uma passarela conecta as 39 famílias, que sofrem o peso das manobras no Congresso para enfraquecer o direito a seu espaço. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito, pautada pela bancada ruralista e autorizada pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) no dia 28 de outubro, foi instalada um dia após a aprovação da PEC-215, que propõe uma manobra à Constituição para delegar justamente aos deputados a competência de julgar a demarcação de terras indígenas, quilombolas e reservas ambientais brasileiras.

O foco da CPI é investigar as ações da Fundação Nacional do Índio (Funai) e do Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra), algo visto com enorme preocupação por colocar em risco uma legislação que reconhece o direito indígena, que avançou com muita dificuldade. Continuar lendo

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“Pense num absurdo, na Bahia tem precedente”: Pastor Sargento Isidório quer realizar o Carnaval Cristão

SargentoIsidório

*Assessoria de Comunicação Social Alba

Com o objetivo de criar uma festa para todos os cristãos, incrementando o turismo religioso em Salvador, o deputado estadual Pastor Sargento Isidório (PROS), 4º vice-presidente da Casa, fez indicação endereçada ao governador Rui Costa sugerindo a criação do “Carnaval Cristão” (Cristoval), com início na Quarta-feira de Cinzas indo até o domingo subsequente. Para tanto seria aproveitada a estrutura e todo aparato da festa do Momo, adaptando-os à tradição gospel.

O Pastor Sargento Isidório encerra sua reivindicação frisando que “a ideia não é acabar o carnaval tradicional, e sim incluir o povo cristão que passará a ter também seus dias de festa. Podemos adaptar a logística e a comunicação da festa para melhor divertir o segmento cristão, que não participa da folia momesca por fuga da violência, excessos de atos libidinosos e outras coisas mais que depõem contra a fé cristã”, argumentou Isidório.

Segundo o deputado, o carnaval gospel cristão da Bahia tem tudo para lograr êxito pois ao mesmo tempo que atrairá ainda mais turistas, conta com uma grande demanda local que ajudará a consolidar a Bahia como a terra da diversidade, da tolerância e da democracia, onde há espaço para todos brincarem, independentemente da sua fé. “Não tenho dúvidas que emissoras de rádio e TV bem como portais da internet terão interesse em vender este ‘novo produto’, afirmou Isidório.

O deputado afirma também que o evento ajudará a promover a paz no Estado. “O evento proposto não terá bebidas alcoólicas, uso de drogas, cápsula do sexo, stripteases e outras ações mundanas que estimulam a violência”, disse Isidório, ressaltando que pela sua experiência em participações de eventos desta natureza, que apenas 10% do efetivo de policial usado no carnaval será o suficiente para manter a ordem e paz social na festa gospel.

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